Comorbidades: Perfeccionismo com Prejuízo Funcional

Faces do Perfeccionismo

Faces do Perfeccionismo


Perfeccionismo significa a mania ou estilo de vida caraterizado pela grande dedicação em se alcançar e manter seu ideal de perfeição. Eu, particularmente, sub-divido meu perfeccionismo em A) Completismo (possuir todas as partes desejadas), B) Cronometria (efetuar uma tarefa em tempo satisfatório sem atropelar nem empacar outras tarefas), C) Integração (estabelecer o número máximo de inter-relações desejadas entre as partes individuais do todo), D) Essencialidade (conter tudo o que se pretende sem participação especial de elementos desnecessários), E) Microcontrole (estabelecer apenas inter-relações desejadas e inibir a ocorrência das indesejadas), F) Finalidade (imbuir o ato ou objeto resultante do ato com propósito) e G) Materialidade (consubstanciar o ato ou objeto resultante do ato para além do teórico em algo tangível).

Perfeccionismo com Prejuízo Funcional

Perfeccionismo com Prejuízo Funcional


Quando patológico, ou seja, caracterizado pela morbidez pronunciada o perfeccionismo exibe prejuízo funcional, onde muitas vezes o perfeccionista não busca o primor ou a excelência, mas simplesmente a falta de erros, num processo vicioso e repetitivo típico do transtorno de personalidade obsessivo-compulsiva, um distúrbio neurótico. Logo se faz necessário estabelecer o tênue limiar entre mania e estilo de vida com base no prejuízo funcional, este último se caracteriza pela perturbação debilitante que um dado comportamento ou padrão de pensamentos produz no bem-estar de um indivíduo, podendo encarcerá-lo em apatia, morbidez, inércia, depressão, manias, evitamento ou enfrentamento, onde todos os casos apresentam uma qualidade degenerativa e auto-destrutiva.

I felt perfect.

I felt perfect.


O neurodiverso seja em seu protagonismo e representatividade ou em seu ostracismo e omissão não raro desenvolve um perfeccionismo próprio correlato ou não a um fator mórbido, há de se auto-avaliar constantemente em busca de indícios para que se evite cair num círculo vicioso de difícil quebra. Entretanto, o perfeccionismo não necessariamente implica em prejuízo funcional, morbidez ou distúrbio neurótico, se faz igualmente necessário saber validar as hipóteses caso a caso para não se cair na tirania da generalização alienante, estúpida e estupidificante.

Sobre Filipe Russo

CEO da SagaPro, A Edtech do Bem-Estar Escolar, startup incubada na incubadora Cietec IPEN-USP. Autor dos livros premiados Caro Jovem Adulto e Asfixia, assim como vencedor do concurso “O Olhar em Tempos de Quarentena” e dos prêmios de Excelência Acadêmica nas disciplinas Inteligência Artificial na Educação e Temas em Psicologia: Contribuições para Computação Aplicada à Educação. Licenciado em Matemática pelo IME-USP, pós-graduando em Computação Aplicada à Educação pelo ICMC-USP. Realizou pesquisas em Análise Real, Bioinformática e Ensino de Matemática. Tem passagem pelo Instituto Max Planck de Fisiologia Molecular Vegetal em Golm e pela Universidade Técnica de Munique, ambos na Alemanha. Indígena agênero da Associação Wyka Kwara. Fundador do blog Supereficiente Mental. Pesquisador convidado no Grupo de Estudos, coordenado pela Profa. Dra. Lucia Santaella na Cátedra Oscar Sala do IEA-USP.
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