Relato Pessoal: Victor Evangelho

Victor Evangelho

Victor Evangelho

Relato após duas identificações neuropsicológicas:
Às vezes, passamos a vida inteira sendo rotulados como “estranhos”, nos sentindo fora do compasso da sociedade, o que gera uma desconexão profunda.
Aos 28 anos, durante a minha 1ª avaliação neuropsicológica, foram apontados indicadores de Altas Habilidades/Superdotação. No entanto, permaneci em negação por muitos anos após essa descoberta. Sentimento de insegurança e pensamentos como “provavelmente dei sorte no teste” ou “sou um impostor” frequentemente ruminavam em minha mente.
Ainda assim, fui aceito na Universidade Federal Fluminense, mesmo sem ser aluno da instituição e pude ingressar no mestrado seis meses antes de concluir a graduação, como ouvinte. Dessa forma, concluí o mestrado em apenas um ano e, posteriormente, fui acelerado para o doutorado, mediante aprovação no processo seletivo e aprovação em segundo lugar.
Aos 33 anos, já com o doutorado concluído, fui aprovado no curso de Medicina da Universidade Federal Rural do Semiárido. Foi nesse contexto que realizei uma segunda avaliação neuropsicológica. Os testes, conduzidos por um neuropsicólogo da instituição, confirmaram novamente as Altas Habilidades/Superdotação. Dessa vez, eu estava mais preparado para acolher o resultado, recebendo com alívio e uma nova perspectiva sobre mim mesmo.
Receber o laudo de AH/SD na fase adulta é uma jornada complexa de autoconhecimento. Primeiro por precisar desconstruir todo o autoconceito de si mesmo e se compreender de uma nova forma, revelando camadas profundas da própria identidade.
É como redescobrir-se através de um novo prisma, onde habilidades outrora ignoradas ou subestimadas ganham nova luz. Esse processo não se trata de reconhecimento externo, mas, sobretudo, de aceitação interna das próprias diferenças, capacidades e limitações.
Reconhecer as próprias diferenças nos permite entender melhor os processos de pensamento, emoções e maneiras de perceber o mundo. É permitir-se ser, sem reservas, acolhendo cada característica como parte essencial do todo que se é.

Avatar de Desconhecido

About Filipe Albuquerque Ito Russo

Filipe Russo é indígena agênere de Manaós, vivendo atualmente em Piratininga, autore dos romances premiados Caro Jovem Adulto (2022; 2012) e Asfixia (2014), assim como vencedore do concurso artístico O Olhar em Tempos de Quarentena (2020) e de prêmios de excelência acadêmica em Inteligência Artificial, Psicologia, Gamificação, Empatia e Computação Afetiva (2021). Revisore no periódico científico Revista Neurodiversidade. Especialista em computação aplicada à educação pelo ICMC-USP (2022), licenciade em matemática pelo IME-USP (2020). Fundadore e editore do website SupereficienteMental.com (2013-), blog com mais de 200 publicações, dentre relatos pessoais, ensaios e entrevistas, sobre neurodiversidade e superdotação ou altas habilidades. Pesquisadore em diversos grupos de pesquisa ao longo dos anos, atualmente atua no Círculo Vigotskiano, no Corpo de Ações Transformadoras: Abordando Realidades Sociais pela Educação (CATARSE) associado à UnDF e no TransObjeto à PUC-SP. Coautore nas antologias poéticas "43 Poetas Neurodivergentes", "ECO(AR): Poemas pela Sustentabilidade", "Instagramável: poesia visual, concreta e instapoema", "Poesia Política: vote", "Outros 500: Não queremos mais o quinhentismo", "poETes: Altas Habilidades com Poesia", "1001 Poetas", "Fotoescritos do Confinamento" e recebeu menção honrosa pelo ensaio Desígnio de um corpo, na 4ª edição do projeto Tem Livro Bolando na Mesa. Filipe possui aperfeiçoamento em Altas Habilidades ou Superdotação: Identificação e Atendimento Educacional Especializado pela UFPel e em Serviço de Atendimento Educacional Especializado pela UFSM (2022).
Esta entrada foi publicada em Relato Pessoal e marcada com a tag . Adicione o link permanente aos seus favoritos.

Deixe um comentário