Identificação: Competências Necessárias para a Avaliação

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Entrevista: Áthyllas Lopes

Supereficiente Mental: Ninguém nasce com consciência de sua própria superdotação, contextualize para nós a descoberta da sua.

Áthyllas Lopes: Foi a partir da universidade, quando, inclusive faltando a aulas, ia para a biblioteca pesquisar temas estritos de meu curso (Letras – Língua Portuguesa) e da educação de uma forma geral. Procurando livros com temas que eu julgasse interessantes, novos, pertinentes, encontrei um material de formação do Ministério da Educação sobre Educação Inclusiva, Altas habilidades… Então, começou a haver um encontro…
Fui pesquisando a temática. O fato de eu não estar mais tão interessado em ir para aulas convencionais na universidade me deu um atraso extraordinário, tanto que saí da faculdade como abandono. Ganhei a imagem de um irresponsável, desleixado. Mas meu alto envolvimento, não com o curso em seu programa fixo, mas com seu conteúdo, funcionalidade almejada, me fazia ser um pesquisador, selecionador de bibliografia, produtor de conteúdos (02 livros meus, em particular, nasceram desse contexto de fuga na biblioteca universitária, e 01 minicurso que, anos depois, ministrei na mesma faculdade), então eu pensava: “Espera! Não sou esse irresponsável!”.
Conhecendo nomes na área de altas habilidades/superdotação (ahsd), e no auge do desespero de alguém em crise consigo, com a família e já virando motivo de zombaria por colegas por nunca concluir o curso, comecei a enviar e-mails a profissionais implorando ajuda, aí, sim, já cogitando as altas habilidades. Tempos de muita dor. E solidão. Sabendo que existiam os Núcleos de Atividades de Altas Habilidades (NAAHS), procurei o de meu estado. Ainda bem na base de meu conhecimento acerca das altas habilidades, minha ideia era: “Vou no NAAHS, consigo um laudo, apresento na universidade, eles veem que não sou um irresponsável, há uma flexibilização curricular que compreenda meu processo de aprendizagem, e eu concluo a faculdade”. Viajei à capital (resido no interior do estado), e, chegando ao NAAHS, tive um encontro com uma psicóloga e uma pedagoga. Mas soube que o processo de identificação levaria um período. A logística, dado eu ser do interior, me desmotivou. Então não continuei.
O tempo passou e a (não) conclusão da faculdade estava como uma bola de neve, no sentido de se avolumar. Pessoal, social e profissionalmente eu estava sofrendo. A gota d´água foi uma noite em que lágrimas, literalmente, rolaram na família. Saí de casa destroçado, e fui chorar na casa de uma psicopedagoga que conhecia, para darmos início a um processo de identificação. Entretanto, comecei com uma psicóloga, não exatamente uma identificação, mas a exposição do que eu estava vivenciado, sentindo. À época, por custos, não continuei.
Desisti da faculdade. E sabia que tinha que ingressar em outra, começar do zero e ir até o fim, focando o aspecto tempo de curso. Graduei-me tecnólogo de marketing. Depois, fiz licenciatura em Letras, em outra instituição, e realizei o sonho antigo de ser psicopedagogo. O interesse pela temática das altas habilidades, a formação pedagógica pela licenciatura em Letras, a formação em Psicopedagogia consistiram em movimentos que culminaram minha descoberta. Quando de minha atuação mais ativa na temática das altas habilidades, como psicopedagogo entusiasta seu, conversando com profissionais, mães, pessoas ahsd, participando de encontros de formação e relatos, como voluntário junto a adolescentes ahsd, vi o reforço, a certeza dessa descoberta.

SM: Quais são suas áreas de alta habilidade?

Áthyllas: Intelectual: interesse pelo conhecimento das coisas, sua natureza, funcionalidade, configuração e sua dimensão histórica. Sobretudo no campo das Humanidades. Duas áreas em que se vê isso de forma mais palpável em mim são a Linguagem verbal e a Aprendizagem.

SM: Como foi a sua avaliação formal de superdotação ou altas habilidades? Você considera que esse serviço profissional ainda é pouco acessível a boa parte da população brasileira?

Áthyllas: É uma triste mas evidente constatação o quanto é difícil o acesso a serviços de identificação de altas habilidades/superdotação e atendimento às suas necessidades!! A temática precisa ser mais conhecida, bem como haver mais oferta concreta de serviços sistematizados. Ressalto: Ao passo de um maior conhecimento sobre a temática, é preciso haver um suporte, profissionais, propostas de identificação, atendimento efetivos.

SM: Você atua enquanto psicopedagogo, correto? A psicopedagogia é comumente confundida com a pedagogia e a psicologia, com qual definição operacional de psicopedagogia você trabalha?

Áthyllas: A Psicopedagogia é uma área do conhecimento que tem como objeto de compreensão e ação o processo de aprendizagem humana, de forma contribuir, por ele, com o bem-estar e desenvolvimento dos indivíduos e dos espaços coletivos que se constituem por estes.
Como aprendemos, quais os elementos, dimensões, aspectos e processo que configuram o processo de aprendizagem, entraves, potencialidades e possibilidades aí são a razão de ser da Psicopedagogia. Portanto, duas atitudes são fundamentais: o olhar investigativo, de análise, reflexivo, e a propiciação de um ambiente e de instrumentais para a valorização e desenvolvimento da vivência, da construção do Saber em suas diferentes áreas e temas, de forma rica e dinâmica, isto considerado nos âmbitos individual e grupal.
Precisamos ir além da ideia de que a Psicopedagogia se ocupa somente dos problemas de aprendizagem. Não! Ela pode e tem muito a contribuir no conhecimento do Homem em sua relação com a aprendizagem, maximizando-a qualitativamente, melhorando pontos positivos já existentes, prevenindo dificuldades, minorando-as, superando-as; atuar pelo bem das pessoas, por um mundo melhor.

SM: Por que todas as escolas deveriam ter ao menos um profissional da psicopedagogia atuando na instituição em período integral?

Áthyllas: A Psicopedagogia tem por objeto de compreensão e ação a aprendizagem humana: como se configura, como acontece, quais fatores a inviabilizam, quais a favorecem, empecilhos e potencialidades.
No âmbito institucional (em escolas, por exemplo), não atua lidando com aprendentes individualmente, realizando processos de avaliação e/ou intervenção psicopedagógicas, mas sim em grupos, em espaços coletivos de vivência e (re)construção de aprendizagens e da própria aprendizagem em sentido geral.
Nesse sentido, considerando a sociedade ser hoje, mais do que nunca, inundada por informações, comércios, oferta e interação cultural, ao passo que temos o desenvolvimento de pautas como cidadania, inclusão, competências e habilidades, criticidade e sustentabilidade, o papel do psicopedagogo no universo escolar deve ser o de ter capacidade e atitude de análise crítica, pesquisa, coletando dados, analisando a identidade da escola, suas práticas pedagógicas, as relações sociais nela vivenciadas entre seus membros (não apenas alunos!); deve ser capaz de coletar, analisar e refletir não isolando a escola como um ser a parte da sociedade, mas contextualizando, refletindo sobre a natureza e funcionalidade da escola, seu modo de ser organizada, de acontecer na prática cotidiana.
Pela complexidade de tantas pautas, exige-se uma atuação junto ao gestor (diretor e coordenador), professores, alunos e a própria comunidade da qual a escola faz parte, a sociedade.
Evidencio ainda temáticas como Dislexia, Discalculia, Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade, Síndrome de Down, Autismo, Altas habilidades/superdotação, que precisam sem melhor conhecidas e atendidas pela escola, por educadores, pelas pessoas que os vivenciam, por seus familiares no que tange ao processo de aprendizagem. Quem pode ser um importante articulador na escola propiciando qualitativas formações nessas temáticas? O psicopedagogo. Quem pode propiciar o atendimento a alunos que vivenciam essas temáticas, com um Plano Educacional Individualizado (PEI)? O psicopedagogo.
Inclusão, evasão, interesse pela escola, aprendizagem real, relação família-escola, valorização, fortalecimento e desenvolvimento de competências e habilidades… Todas são pautas que lhes são fundamentais, para análise, reflexão e atuação por ações concretas. Gostaria de ressaltar a necessidade de que o psicopedagogo reconheça até que ponto pode ir em sua atuação. Quando precisar de um psicólogo, de um fonoaudiólogo, de um psiquiatra, de um neurologista, oftalmologista (…), não haja invasão de competência (!), mas sim um trabalho multiprofissional. Articulação responsável, qualitativa. Digo isso pelo fato de o mundo atual dispor muitas informações, e ser tentador em fazer com que a pessoa se considere ser 05 profissionais em 01. Quando tiver formação devida, sem problema.
Essa importância, e considerando a própria educação como algo cotidiano, contínuo, requer um psicopedagogo atuando junto à escola também de forma cotidiana, contínua.

SM: Durante as suas graduações você produziu o seu próprio enriquecimento curricular através de idas constantes às bibliotecas das instituições, conte para nós mais sobre o seu processo e o conteúdo desse enriquecimento curricular.

Áthyllas: Esse interesse veio de 03 pontos:

• Ter clareza e segurança no conteúdo e o que eu queria com ele. Por vezes, julgava disperso o conteúdo. Queria logo ter clara consciência, eu mesmo, do percurso, dos pontos fundamentais, norteadores e substanciadores da temática em estudo. Sua natureza, sua configuração, sua funcionalidade, sua vivência, sua constituição histórica.
• Por julgar que pontos que eu julgava fundamentais em minha formação naquela temática não estarem sendo contemplados.
• Por vezes, tinha em mente o que procurar na biblioteca; em outros momentos, lançava-me numa busca “descompromissada”. Muito amor por isso. Ora metódico, ora não. Mas sempre querendo aprender de forma significativa.

Eu me realizava!

SM: Você ou algum membro de sua família faz uso de algum acompanhamento psicológico? Em caso positivo fale como isso funciona para vocês.

Áthyllas: Como disse, iniciei mas não concluí. No período em que vivenciei o acompanhamento, achei muito bom, num processo de descoberta, encontro. Isso, aliás, me faz lembrar algo: quando, em estudos de altas habilidades/superdotação, descobri o termo sobre-excitabilidade emocional como associado às ahsde me encontrei em meu perfil, foi mágico! Revelador e libertador dar um nome àquilo que eu sentia.

SM: Você também é escritor! Compartilhe conosco sua produção literária, quais títulos você publicou? Sobre quais temas versam cada um?

Áthyllas:
• Viagens pela linguagem verbal – Para estudantes da Educação Básica, fala sobre a natureza da linguagem verbal, sobre o latim e como o mesmo participa da configuração da língua portuguesa.
• Ensino: Algumas considerações – Tópicos sobre a educação, de uma forma geral.
• Conversando sobre Educação em perguntas e respostas – Tópicos sobre a educação, de uma forma geral.
• Ações extracurriculares sugeridas por Antonio Áthyllas Lopes de Oliveira para a promoção da educação – Propostas de ações, projetos para uma vivência qualitativa da educação.
• Ortografinho deseja ler e escrever – Para crianças, aborda a escrita em sua natureza, funcionalidade, configuração, trazendo pontos como surgimento de letras, por que existe ortografia (por que não podemos escrever como falamos?), por que não podemos escrever chuva com x? Por que escrevemos animal com l se tem som final de /u/?

SM: Você ou algum membro da sua família faz uso de algum acompanhamento psicopedagógico? Em caso positivo fale como isso funciona para vocês.

Áthyllas: Não.

SM: Algum lema motivacional?

Áthyllas: Educação para a vida.

SM: Qual seu gênero, escritora(o) e obra favoritos da literatura nacional?

Áthyllas: Prefiro livros técnicos, em educação, psicopedagogia, sobre a natureza, funcionalidade e vivência da linguagem verbal, sobre o latim, etimologia, ciências…

SM: Algum recado pra galera?

Áthyllas: “O essencial é invisível aos olhos” (Pequeno Príncipe).

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SuperSensibilidades: Crianças Superdotadas e suas Emoções

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Relato Pessoal: Áthyllas Lopes

Áthyllas Lopes

Sou Antonio Áthyllas Lopes de Oliveira, tenho 33 anos, resido no interior do Ceará. De aluno-destaque na escola e elogiado no convívio social, à medida que o tempo foi passando, fui sentindo o peso da exclusão, atrasei-me na faculdade…

Desde criança, gostava muito da área acadêmica (livros, documentários, folders), bem como gostava de criar, produzir… Era “diferente”. Mas gostava demais de brincar com outras crianças (!), dividindo o tempo com alguns adultos, com quem gostava muito de conversar sobre temáticas “que não eram pra minha idade”, tais como religião, experiências, saberes de vida.

Destacava-me na escrita, sendo escolhido na escola para participar de reuniões e escrever mensagens (1º Dia de Aula, Despedida de Diretora…). Até uma música de Carnaval fiz para a escola, em 2004. E esse fato serve para ilustrar outro “hobby” meu: criar musiquinhas com nomes de colegas e banalidades do dia a dia. E esse “hobby”, por sua vez, revela, também, meu lado criativo.

Na adolescência, encampava nos meus pensamentos temáticas como dívida externa brasileira, a implantação de uma faculdade em minha cidade (eu entrava em contato com o MEC, pedindo informações, e comecei a pesquisar o processo burocrático para a implantação de uma faculdade). Resguardado em minhas temáticas, sem muitos pares com quem conversar, tinha um grupo restrito de amigos, não era de frequentar festas.

Terminei o Ensino Médio. E acentuou-se a dimensão de minha condição. Ingressei na faculdade, ia para a instituição, mas faltava aulas para ir à biblioteca, com sede de um currículo “próprio”, mas com temas relativas ao curso. Atrasei-me no curso, e veio um drama. Levei anos e anos na faculdade, sendo motivo de chacota por colegas, até abrir uma crise familiar. Desmoronei. Sabia que gostava de estudar, mas o fato de não terminar o curso mostrava para todos alguém irresponsável.

Procurei ajuda. Enviava e-mails para vários profissionais. Nada de efetivo. Após cerca de 05 anos, abandonei a faculdade, ingressando em outra, onde me graduei. Foi um dos momentos mais dolorosos de minha vida tudo isso. Cheguei a procurar o Naahs de meu estado, mas, por ser do interior, o processo de identificação de altas habilidades era inviabilizado.

Com o tempo, por conta de minha formação profissional-pessoal, fui encontrando nomes para o que eu era: altas habilidades (me via em diferentes traços indicativos), sobre-excitabilidade emocional (foi tão libertador quando encontrei um nome para aquilo que sentia)!

Graduado, realizei o sonho de publicar livros (frutos de minhas idas à biblioteca da faculdade), e de cursar psicopedagogia. Já retornei à faculdade que um dia abandonei para ministrar minicursos sobre… Sim, sobre conteúdos que pesquisava na biblioteca quando faltava às aulas, como o latim e sua relação com o ensino de Língua Portuguesa. Como psicopedagogo, tenho as altas habilidades como uma bandeira.

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Descaso: Racismo & Altas Habilidades

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Entrevista: André Coneglian

André Coneglian

Supereficiente Mental: Ninguém nasce com consciência de sua própria superdotação, contextualize para nós a descoberta da sua.

André Coneglian: Desde que tenho consciência me sentia um ser estranho ao meu ambiente familiar, escolar, social. Era um esforço tremendo tentar administrar esse sentimento, precisando sobreviver em ambientes em que não me encaixava. Meu refúgio, de modo geral, foi o “estudo”. A biblioteca da escola de ensino fundamental era meu oásis. Meu quarto foi meu quartel general, local onde eu lia, escrevia, desenhava, ouvia minhas músicas. “Descobrir” a minha superdotação, ou melhor, dar um nome ao meu modo diferente de perceber e viver o mundo foi somente aos 37 anos de idade (2018), pois desde 2015 minha esposa e eu estávamos no mundo da AH/SD por conta do nosso filho mais velho. O desenvolvimento de uma gastrite nervosa e princípio de depressão quando ele estava com 4 anos de idade. Medicada a gastrite e o início da psicoterapia, ele passou por processo de identificação aos 5 anos, refeito quando ele completou 6 anos. No início de 2020 publiquei o livro “Cartas do menino do quarto para o mundo” (Editora Apprenhendere), no qual eu relato com mais detalhes esse processo de “descoberta” e escrevo cartas para meus pais, professores, amigos, psicólogos, autoridades, família (esposa e filhos), para Deus, proseando acerca da Superdotação em minha vida e o que ela significa.

SM: Quais são suas áreas de alta habilidade?

André: O relatório da minha avaliação psicoeducacional apontou AH/SD perfil acadêmico-intelectual. Sou de Humanas, amo a nossa Língua Portuguesa, amo estudar e conhecer outras Línguas. Sou Professor de Língua Brasileira de Sinais – Libras. Estudei Espanhol, Inglês e Italiano. Não me considero fluente em Inglês e Italiano. Amo História, Geografia, Sociologia e Filosofia. Sou curioso de todos os assuntos, inclusive Química e Física, entretanto, na área de exatas eu sempre fui um aluno esforçado. Hoje, como professor, entendo que foi mais uma questão de didática (ou a falta dela) e de metodologias ativas que não fui conquistado por essas áreas mais “duras” do conhecimento, pelas escolas que passei.

SM: Como foi a sua avaliação formal de superdotação e altas habilidades? Você considera que esse serviço profissional ainda é pouco acessível a boa parte da população brasileira?

André: Num congresso sobre Altas Habilidades/Superdotação na cidade onde resido atualmente, em março de 2018, minha esposa assistiu a um minicurso ministrado por Patrícia Neumann, acerca da “Sobre-excitabilidade emocional”. Além de ser um tema diferente acerca da Superdotação, chamou a atenção da minha esposa o fato da ministrante se apresentar como uma adulta superdotada e, como psicóloga, trabalhar com o processo de identificação de adultos. Terminado o minicurso, minha esposa a apresentou. Conversamos. Peguei o cartão. Menos de um mês depois eu tinha passado pelo processo de avaliação – respondi a um questionário de indicadores de AH/SD, entrevista com a profissional e aplicação do WAIS. A avaliação formal infelizmente é restrita, tanto por falta de profissionais habilitados como por questões financeiras (não é acessível a boa parcela da população), tanto de adultos como de crianças. Porém, acredito ser importante desmistificar a ideia de que a identificação é feita somente por psicólogos, neuropsicólogos ou psicopedagogos. É preciso investir na formação inicial e na formação continuada dos professores, primeiro com conhecimento teórico e instrumentos para identificar e direcionar os alunos identificados para o atendimento educacional especializado. Para os adultos há alguns programas em universidades que fazem o processo de identificação. Porém, fica restrito à um público. É preciso que outras frentes sejam fortalecidas como Associações voltadas para a visibilidade da AH/SD, por exemplo, para contribuírem nesse processo de identificação em adultos.

SM: Você é professor de Libras e portanto, acredito ter algum contato com a comunidade de pessoas surdas. Você já conheceu alguma pessoa surda com superdotação ou altas habilidades? Como se dá o diálogo entre essas duas comunidades na sua ótica?

André: Comecei a aprender Língua de Sinais no dia 12 de agosto de 2000 e desde lá nunca parei, sempre em contato com a Comunidade Surda, da minha cidade natal (Marília-SP), de Londrina-PR, onde moro desde 2013 e Surdos e ouvintes de outras cidades/Estados e até de outros países, em congressos e eventos. Os primeiros Surdos que conheci com a identificação de superdotados foi aqui em Londrina-PR, alunos da rede estadual de educação que frequentavam a Sala de Recursos para AH/SD. Depois dessa experiência, lembrei de alguns outros Surdos da minha cidade que dentro da Comunidade Surda se destacavam por alguma habilidade ou talento que não era comum aos demais. Precisamos nos perguntar a todo momento: quem está medindo a diversidade, quem define os padrões do que é “típico” e o que é “atípico”? A concepção de deficiência, por exemplo, é dada em função da “falta”, imbricada no senso comum de que essa falta significa “incapacidade”, uma incapacidade que é generalizada, como se o sujeito cego ou surdo, além de não poder ver ou ouvir, também não são capazes de pensar, serem criativos, possuírem habilidades e talentos como qualquer outro ser humano e são, dupla ou exponencialmente mais excluídos. É preciso que nós profissionais da Educação, Psicologia, Sociologia e outras áreas possamos descontruir mitos que aprisionam a Surdez – e as outras deficiências, quanto da Superdotação, como se fossem caixinhas e áreas estanques.

SM: Ainda no que tange o ensino de Libras, você já chegou no ambiente universitário a trazer a pauta de altas habilidades para a sala de aula? Como foi?

André: A Superdotação familiar demanda muita energia. Como professor universitário responsável por uma disciplina específica, busco situa-la dentro da grande área a que pertence: a Educação Especial. Assim, desde que estou envolvido politicamente com a Superdotação, levanto as questões que envolvem a área. Deixo espaço para os alunos perguntarem e dou sugestões para os interessados se aprofundarem no tema. Um dos episódios mais marcantes desse tipo de abordagem nas aulas de Libras, foi uma aluna do curso de Pedagogia, mãe de um menino superdotado, porém, decidiu em conjunto com a psicóloga não contar ao filho que ele era superdotado. As justificativas dela estavam envoltas com alguns mitos como “a criança pode ficar soberba em relação aos demais”, “escola e familiares tratariam o filho de modo diferente dos demais” e eu argumentava dizendo que era direito do menino saber, pois de algum modo, o sujeito sempre sabe que é diferente.

SM: Você cursou licenciatura plena em pedagogia na UNESP durante a primeira metade dos anos 2000. Durante a graduação qual foi o seu contato com a pauta de altas habilidades ou superdotação? Ao que você relaciona essa abordagem?

André: Além de ser uma licenciatura plena, escolhi a formação na Educação Especial. O currículo à época tinha três semestres exclusivos para a área escolhida: Deficiência Auditiva, Física, Intelectual ou Visual, com disciplinas e estágios específicos. Porém, nenhuma disciplina versou sobre a educação de alunos com Altas Habilidades/Superdotação. Uma falha em praticamente 95% dos cursos de formação de professores. Os demais 5% atribuo que a disciplina ou tópicos sobre a educação dos superdotados exista em função dos pesquisadores que são docentes em cursos de graduação e pós-graduação. É preciso intervir urgentemente nos currículos das licenciaturas e psicologia.

SM: Você ou algum membro de sua família faz uso de algum acompanhamento psicológico? Em caso positivo fale como isso funciona para vocês.

André: No momento não, mas já fizemos. Nosso filho mais velho foi o que mais fez psicoterapia, o que para nós nunca foi despesa e sim investimento. A psicóloga fez um excelente trabalho buscando ensinar como reconhecer sentimentos e emoções, nomeá-los, modos de expressá-los e administrá-los. No meu caso, foram quatro sessões (no início de 2019) para começar a aprender a lidar com a depressão… Eu gostaria de ter continuado, porém, por questões financeiras não pude. Todo mundo deveria fazer terapia na vida.

SM: Você é pesquisador e professor universitário, quais são os seus pensamentos sobre realizar uma pesquisa na área de altas habilidades ou superdotação?

André: A universidade foi um ambiente que almejei na minha formação. Quando descobri que meus professores recebiam salários para estudarem e desenvolverem pesquisas, decidi que era o que queria para minha vida. De certo modo, a universidade pública – é preciso reforçar, a universidade pública, é um campo fértil e oferece um certo grau de liberdade. Dentro da área escolhida, desenvolver o tripé Ensino-Pesquisa-Extensão, com possibilidades múltiplas de inter e transdisciplinaridade com outros cursos e áreas do conhecimento. Meus planos de curto e médio prazo envolvem um segundo doutorado, agora em Educação, para desenvolver pesquisa na área da Superdotação. Infelizmente, o “certo grau de liberdade” das universidades acaba criando guetos e muitos pesquisadores não estão dispostos a reverem suas “crenças acadêmicas”.

SM: Você ou algum membro da sua família faz uso de algum acompanhamento psicopedagógico? Em caso positivo fale como isso funciona para vocês.

André: Atualmente não. Nosso filho caçula fez acompanhamento psicopedagógico com propósito específico: testes para verificar se estava em condições de frequentar o primeiro ano do ensino fundamental. Em função da data de aniversário ser posterior à chamada “data corte” que na maioria dos Estados brasileiros é 31 de março, para a criança ser matriculada no ensino fundamental. A psicopedagoga disse que ele estava em plenas condições para ser matriculado e frequentar o primeiro ano do ensino fundamental com 5 anos e oito meses, porém, o Conselho Municipal de Educação negou nosso pedido e precisaríamos enfrentar um processo judicial para levar adiante nosso pedido. Preferimos não. Entretanto, ele fez o último ano da Educação Infantil lendo e escrevendo. Iniciou o ano letivo de 2021 no primeiro ano do ensino fundamental muito adiantado em relação à turma. Nos próximos anos teremos que pensar em um processo de aceleração como fez o filho mais velho, o qual está no sétimo ano do ensino fundamental com 10 anos de idade (dois anos a frente, pois não pegou a “data corte” na transição da educação infantil para o ensino fundamental e no ano de 2019, iniciou o quarto ano e em abril foi acelerado para o quinto ano).

SM: O que é ser um pai superdotado com filhos superdotados?

André: Não há paternidade/maternidade perfeitos. Conscientes de que não há perfeição, minha esposa e eu, buscamos educar os filhos primeiro, para serem seres humanos responsáveis individual e coletivamente. Questões próprias da Superdotação, como senso de justiça extremamente elevado acabam contribuindo para a discussão de muitas questões. Deixamos evidente para eles que nossa educação – minha e da minha esposa, quando fomos crianças/jovens em nossas famílias, nossos pais e irmãos não sabiam que tínhamos Superdotação e certas posturas e “correções” não foram adequadas causando uma série de dificuldades. É algo que buscamos evitar: “traumas desnecessários”, pois há traumas dos quais não se pode fugir, pela simples condição de sermos humanos: crescer e amadurecer dói. Crescer e amadurecer, sendo superdotado, com todas as sobre-excitabilidades, é exponencialmente mais doloroso! Porém, com o meio ambiente adequado e as ferramentas importantes é possível sobreviver a esse processo.

SM: Algum lema motivacional?

André: A literatura é uma das minhas paixões. Tenho um amor especial por Cecília Meireles. Tudo o que ela foi, tudo que ela realizou, tudo o que ela escreveu, de poemas, contos, crônicas (e muito mais), tudo dela me emociona, me eleva a alma. De tantas maravilhas que ela escreveu, sempre repito um verso: “A vida só é possível reinventada”. Nesse poema – “Reinvenção”, ela repete a palavra vida: “ Mas a vida, a vida, a vida/ a vida só é possível reinventada”. Entendo que a repetição é no sentido “a vida que vale a pena”, “aquela que posso chamar realmente de ‘vida’” e a reinvenção, para mim, necessariamente é feita pela Arte nas suas mais diversas possibilidades (artes plásticas, cênicas, literatura), também pela contemplação da Natureza (contemplação para aprendizagem). Também gosto de outro verso famoso de Cecília: “Aprendi com as primaveras a deixar-me cortar e a voltar sempre inteira”. “Deixar-se cortar” tema ver com as agruras da vida, não podemos fugir delas, mas é preciso reflorescer, renascer. Apesar de que nos últimos anos para cá tenho andado muito mais pessimista, ou melhor, não acredito num mundo melhor, com pessoas melhores. A jornada para o crescimento (intelectual, cultural, espiritual…) é sempre individual, uma escolha pessoal e são poucas as pessoas dispostas a enfrentar essa jornada, muitas vezes solitária. Assim, não teremos mudanças significativas na humanidade, no mundo, pois a maioria prefere a superficialidade, o raso.

SM: Você foi presidente da Associação Londrinense de incentivo ao Talento e Altas Habilidades/Superdotação na gestão de 2017/2019. Conte como foi esse processo de aproximação e distanciamento da Associação. O que você conseguiu desenvolver durante a sua gestão?

André: Fui presidente na gestão 2017/2019, continuo sócio. A pandemia atrapalhou muitos planos. A experiência foi incrível, para o bem e para o mal. Tive contato com outras famílias e superdotados com histórias bem distintas e distantes da minha história, mas também com muitas histórias próximas. Foi a experiência na presidência da associação que me desestabilizou internamente, levando minha busca pelo processo de identificação. Associação é trabalhar pelo coletivo, e infelizmente nossa formação cultural no Brasil, de modo geral é pelo individualismo. “A lei de Gerson”, o que é melhor para mim, independente de quem esteja do meu lado ou que mal provoque aos outros o meu bem-estar. As pessoas estão ocupadas com suas rotinas de trabalho, estudos, vida social (clubes, igrejas). Fazer parte de uma associação de modo pró-ativo requer mais tempo e será um tempo “gasto” em prol de outros, cujos resultados podem não ser imediatos.

SM: Algum recado pra galera?

André: Provavelmente, a “galera” que acessou esse site e está lendo essa entrevista e conseguiu chegar até aqui, são pessoas que possuem algum interesse na área da Superdotação. Pais, mães, professores, psicólogos em busca de informações sobre o tema. O meu recado é: leia tudo o que puder, converse com pessoas envolvidas com a temática, ouçam todos os lados, sejam críticos. Se envolvam ativamente, independentemente se a Superdotação faz parte do seu dia a dia. Seja multiplicador do conhecimento. Superdotação não é glamour, o sujeito não quer aparecer. Ele só não pode ser medíocre, pois a mediocridade é contra a natureza dele. E quando ele se move para a natureza dele, ele está se realizando. Obriga-lo a mediocridade é gerar sofrimento emocional, psicológico e perdas de outras ordens. E é contra as causas desses sofrimentos que buscamos lutar!

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Perfis Cognitivos: Tipos de Estilo Intelectual

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Relato Pessoal: André Coneglian

André Coneglian

O autoconhecimento é uma jornada fascinante para quem a iniciou, pois conseguiu desbravar os primeiros trechos dessa caminhada, dos quais muitos trechos são assustadores e paralisantes.

É muito cômodo e confortável permanecer onde se está, ainda que este lugar seja de angústia e sofrimento, porém, para a pessoa o pensamento é: são angústias e sofrimentos conhecidos, por isso são passíveis de serem suportados.

Todavia, quando o lugar de angústia e sofrimento não é mais suportável, é preciso dar um passo adiante. Um passo de coragem para o autoconhecimento. Caso contrário, a pessoa pode acabar com o sofrimento tirando a própria vida.

A superdotação é uma diferença marcante no ser humano, faz parte do leque da diversidade do ser humano e pode se manifestar nas mais variadas configurações, considerando a idiossincrasia de cada pessoa: personalidade, família, educação, cultura e outras influências.

Nesse sentido, a superdotação sabida e conhecida de uma pessoa, seja ela criança, jovem, adulto ou idoso é diferente da superdotação nas pessoas que não são conscientes que a sua diferença – pois se sentem estranhos – tem um nome!

Proponho-me, novamente e quantas vezes forem necessárias – para mim mesmo, como catarse, também para favorecer a reflexão em outras pessoas e famílias, relatar o meu processo de autoconhecimento e como nos tornamos, Paula, Lorenzo, Benjamin e eu, sabedores da nossa superdotação.

Primeiro: superdotação não é glamour!

Segundo: superdotação não é glamour!

Terceiro: superdotação não é glamour!

Talvez, no imaginário das pessoas ser superdotado deve ser “um sonho de consumo”, uma benção, uma dádiva, um privilégio, uma vantagem. Assim como em outras diferenças no ser humano, há sim vantagens e desvantagens, prós e contras.

Permanecendo no advérbio de dúvida, talvez, num mundo idealizado por pessoas superdotadas, seja maravilhoso todos os dias ser uma pessoa superdotada, a ponto de não precisar lembrar a esta sociedade perfeita que somos superdotados.

O mundo tal como ele é não é favorável às diferenças. Constantemente, a dinâmica da vida real, dos sistemas que regem a vida cotidiana, perseguem uma padronização, uma massificação, tentam grudar nas pessoas rótulos que sejam “aceitáveis”.

A superdotação na nossa vida familiar chegou no ano de 2015, quando Lorenzo tinha quatro anos de idade. Chegou de um modo assustador: uma gastrite nervosa e princípio de depressão na criança de quatro anos. Investigadas, medicadas e tratadas as questões de saúde física e psicológica, iniciamos o processo de investigação: porque uma criança tão pequena sofre com questões que não são para sua idade?

Depois de oito sessões com uma psicóloga e uma psicopedagoga, o relatório que nos foi entregue apontava indicadores de altas habilidades/superdotação, porém, pela idade do Lorenzo estava aberta a questão. Era preciso esperar a idade de seis anos, repetir alguns testes e fazer outros novos, por exemplo, o WISC-IV.

Quando os testes foram finalizados, aos seis anos de idade, a diferença do Lorenzo recebeu um nome: altas habilidades/superdotação, perfil acadêmico-intelectual. Desde então, a nossa busca como pais foi para que a vida escolar, principalmente, não fosse feita somente de frustrações: já sei ler e escrever, já sei os números e as principais operações aritméticas, gosto de palavras cruzadas, já leio livros mais complexos, interesso-me por planetas e elementos químicos.

Lembram-se dos rótulos e padrões que a vida e seus sistemas tentam nos grudar o tempo todo? Na biblioteca da escola, por exemplo, eram disponibilizados para o 1º Ano do Ensino Fundamental, livros “apropriados” para crianças em fase inicial de alfabetização. Os alunos não tinham o direito de emprestar outros livros, que não aqueles separados para esse fim. E estou citando somente uma “simples” questão de outras mil que tivemos que enfrentar.

Deixarei de escrever sobre a superdotação do Lorenzo a partir daqui, porém, por conta dele, que fomos conduzidos por caminhos que nos levaram ao Ensino Público da Rede Municipal da Educação de Londrina, ao Atendimento Educacional Especializado, específico para alunos com Altas Habilidades/Superdotação, à Associação Londrinense de incentivo ao Talento e Altas Habilidades/Superdotação, a qual tive o privilégio de ser presidente na gestão de 2017/2019 e acesso a tantas famílias e histórias relacionadas à AHSD bem diferentes da nossa história – pois cada família é ímpar, cada sujeito é único.

No ano de 2018, minha esposa conheceu Patrícia Neumann, a palestrante se apresentou como superdotada, condição descoberta na vida adulta e ministrou um minicurso acerca da “sobre-excitabilidade emocional”. Foi o suficiente para Paula me apresentar à Patrícia e menos de um mês depois, estava eu iniciando e finalizando o processo de avaliação psicoeducacional sobre minha superdotação.

Na época eu estava com 37 anos de idade. Sim, foi uma mudança enorme na percepção de vida, minha relação com o mundo, o conhecimento. Eu sabia porque tinha sido um peixe fora d’água de praticamente todos os ambientes que frequentara. Altas Habilidades/Superdotação, perfil acadêmico-intelectual.

Paula seguiu um percurso diferente. Sabia da sua condição diferenciada a vida inteira, porém, precisou fazer terapia para compreender sua desestabilidade psicológica e criar coragem para o processo de avaliação da sua superdotação. Ao final do processo, apontava um perfil totalmente diferente da superdotação do Lorenzo e minha. Paula é superdotada de perfil criativo-produtiva e nos Esportes, finalizou a avaliação em dezembro de 2019, quase às vésperas de Natal.

Por fim e não é aqui que eu termino esse relato, a superdotação do nosso caçula, o Benjamin. Cada história é muito singular. Benjamin, segundo filho, igualmente desejado e planejado, na gestação do sexto para o sétimo mês, Paula teve toxoplasmose. A finalização da gravidez, o parto e as primeiras semanas foram sofridas para todos nós, especialmente para o bebê. Muitos exames, internações, “n” protocolos para descartar as sequelas da toxoplasmose gestacional.

Ainda que todos os exames fossem favoráveis à condição de saúde, Benjamin foi considerado bebê com toxoplasmose congênita até os dois anos de idade, quando recebeu alta do acompanhamento clínico-médico. Nosso olhar para ele era outro, um olhar diferente quase oposto ao que direcionávamos para Lorenzo, de super-proteção.

Benjamin cresceu com um irmão 3 anos e meio mais velho, irmão cheio de atividades intensas, muitos compromissos escolares e extraescolares, enquanto que os compromissos do Benjamin era com exames e hospitais. Entretanto, quando nos voltamos para aqueles dias, é possível dizer que Benjamin enfrentava sua questão “particular” de saúde com uma maturidade fantástica para uma criança da sua idade. Ele não fugia dos “jalecos brancos”, não gritava com as agulhas e injeções.

A Educação Infantil do Benjamin foi pautada pela dinâmica escolar do Lorenzo. O primeiro ano de berçário foi na mesma escola que Lorenzo estudava há quatro anos. Quando mudamos de bairro e, portanto, de escola, escolhemos uma escola para o perfil do Lorenzo e que, obviamente, também atendia o perfil do Benjamin.

Ficaram nessa escola somente um semestre. Precisamos tirar Lorenzo de forma abrupta – pois havia quebrado a perna, estava cadeirante, a escola não tinha acessibilidade arquitetônica, muito menos boa vontade de promover nenhuma mudança atitudinal para acolher a condição temporária dele. Assim, tiramos ambos dessa escola – que foi processada e obrigada pelo Ministério Público para se adequar às normas mínimas de acessibilidade.

No dia seguinte, Lorenzo estava matriculado no 2º Ano do Ensino Fundamental na escola pública. Benjamin ficou sem escola, sem professora, sem amigos até o início do próximo ano letivo. E foi nessa escola de educação infantil, no ano de 2018, com uma excelente professora, que Benjamin passou a demonstrar seu potencial. Na escola, ele era a referência dos demais colegas: “O Benjamin sabe!” e esperavam suas manifestações. Em casa, ele disfarçava, não respondia nossos questionamentos. Na escola contava até sessenta, em casa até vinte. Era como se não pudesse saber muito, pois alguém já tinha esse lugar!

Benjamin estudou 2019 numa escola e neste ano está em outra escola. Matriculamos Lorenzo em outra escola no final de 2018 e ficou nessa escola o ano letivo de 2019 inteiro, onde passou pelo processo de aceleração no mês de abril, do 4o. para o 5o. Ano do Ensino Fundamental, pois estava frustrado novamente com a escola. No final de 2019 prestou o processo seletivo para o II Colégio da Polícia Militar de Londrina, com mais de 1000 candidatos para 90 vagas e conquistou a primeira vaga, das 45 direcionadas à população em geral (as outras 45 são destinadas para filhos de militares), assim, com nove anos de idade, iniciou o 6o. Ano do Ensino Fundamental.

Neste ano (2020), quando Benjamin completou seis anos de idade (14/06/2020), iniciamos o processo de avaliação sobre AHSD. Resultado: Benjamin é superdotado, perfil misto, produtivo-criativo e acadêmico-intelectual. Um perfil mais “livre”, de necessidade criativa, latente e permanente. No caso específico dele, mistura de tintas, substâncias, elementos, cortar, colar, juntar.

Aqui, é importante parar numa reflexão extremamente salutar. No que diz respeito exclusivamente a crianças com AHSD, há pesquisas e artigos que relatam “a síndrome do segundo filho”, em que pese a AHSD do primogênito na dinâmica familiar e os pais não estão atentos aos indicadores da AHSD do segundo, terceiro filhos. Pois podem ser AHSD com outro perfil.

Quero expandir a reflexão para as famílias que possuem qualquer diferença, especialmente, crianças e jovens com necessidades especiais, sejam elas quais forem. É possível que os adultos, preocupados com essa criança e o ritmo diferenciado que as necessidades dela podem demandar, se esqueçam de dedicar tempo de qualidade com os demais filhos ou outros membros da família. E não o fazem conscientemente!

Haja vista nossa dinâmica com foco nas atividades do Lorenzo e, também, nosso foco com as questões da toxoplasmose congênita do Benjamin. Há pesquisas e artigos sobre a dinâmica de famílias com crianças com deficiências ou outras necessidades com foco nos irmãos que não possuem deficiência. Uma busca rápida no Google ou outros buscadores listará alguns artigos.

Dentre tantas referências, gosto de citar um filme, em que a irmã mais nova se manifesta em diálogos com a mãe e com a própria irmã surdacega. O filme é “Black” (2005), de Bollywood, produção indiana. O filme é baseado na história da Helen Keller, surdacega norte-americana e sua tutora Anne Sullivan (O Milagre de Anne Sullivan, filme de 1962).

Para concluir esse texto, respondo um questionamento feito num grupo de whatsapp de adultos superdotados. A pergunta foi se nós adultos superdotados com filhos contamos ou não sobre a nossa condição de superdotação. No nosso caso particular, foi a superdotação do nosso filho mais velho que nos conduziu todos a nossa própria superdotação e sempre fomos totalmente transparentes.

Os filhos têm direito de saber que seus pais não são “normais” (típicos). Os pais tem o dever de promover o caminho do autoconhecimento aos filhos. Conheci uma mãe, cujo filho tem AHSD e decidiu, juntamente com a psicóloga do filho, não contar a ele sobre sua condição. Na época ele devia ter nove ou dez anos de idade. Eu rebati: você não tem o direito de negar essa informação dele. A mãe: tenho sim, sou a mãe dele! Não quero que ele seja estigmatizado na escola e na família. Eu ainda tentei: ele já sabe que é diferente, precisa saber o nome da diferença dele. Acredito que até hoje, esse garoto não saiba da sua condição de superdotado.

É preciso tratar com naturalidade aquilo que é natural nas pessoas. Ser superdotado é natural para quem é superdotado. Não é normal ou natural para a sociedade, que insiste em padronizar, massificar, rotular. Para desconstruirmos essa insistente tentativa, precisamos tratar com naturalidade em nosso ambiente familiar, em nossos meios sociais para que as pessoas, no mínimo, respeitem nosso modo de ser e viver no mundo!

E você, que me conta sobre tudo isso? Sua experiência?

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Perfis Cognitivos: Formas de Autogoverno Mental

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Entrevista: Gerson Machado de Avillez

Gerson Machado

Supereficiente Mental: Ninguém nasce com consciência de sua própria superdotação, contextualize para nós a descoberta da sua.

Gerson Machado de Avillez: Passei a vida toda sem saber, mesmo que desde criança fosse ‘diferente’, não apenas nos trejeitos mas gostos e preferências. Do desenho a leitura, logo obtive, sobretudo, uma curiosidade e senso de questionamento que me distinguia de muitos e penso que ainda que não me julgasse muito inteligente nessa época isso provavelmente fora a centelha que motivou desenvolver minha inteligência e habilidades.

SM: Quais são suas áreas de alta habilidade?

Gerson: Por não ter feito testes vocacionais acredito que possa ter algumas habilidades que desconheça mesmo mediante os 7 tipos de inteligência de Gardner, mas pelo teste de QI feito creio ser possível traçar alguns indícios como ter tirado 100% em compreensão verbal e raciocínio lógico o que na prática pode ser traduzido no meu gosto por filosofia e literatura. Todavia tenho um pensamento muito visual que desde criança ficou tangível numa habilidade bem impressionante para desenho, mesmo que na juventude após cursar desenho artístico apresentei um bloqueio, mas que transferi a habilidade para fotografia e designer. Dentro do espectro autista sobretudo os chamados hiperfocos fornecem base para desenvolver habilidades e conhecimentos específicos.

SM: Como foi a sua avaliação formal de superdotação e altas habilidades? Você considera que esse serviço profissional ainda é pouco acessível a boa parte da população brasileira?

Gerson: Muito pouco acessível e caro. Porém, julgo tão essencial quanto os testes vocacionais comuns nos Estados Unidos. No meu caso usei um dinheiro que recebi para fazer, pois antes tinha apenas indícios de minha superdotação em testes virtuais. Todavia o resultado me surpreendeu pois na internet antes meu escore atingido fora no máximo 134. Mesmo que testes virtuais não tenha validade clínica observo sobretudo como os próprios critérios da avaliação possam ser parciais e limitados, sem contar o aspecto do estado de humor. Particularmente eu quando sob estresse perco o foco e sem concentração sem dúvida o desempenho cai vertiginosamente. No final, penso que tais testes apenas formalizam algumas potencialidades mentais, pois a exemplo de savants eles podem apresentar memória fotográfica e altas habilidades geniais sem terem QI alto. Mas uma mensuração mínima associada ao tratamento e condições propícias é o que separa um país que produz cérebros a uma ineptocracia como vivemos e me julgo exemplo comprovado. O problema é que há muita vaidade de um lado e inveja de outro quando pra mim o que importa é mais os frutos de sua mente, suas obras. Mas nessa mamata que é nosso país mesmo plágio e fraudes para que uns se exaltem não é incomum, e novamente sou prova disso quando mesmo livros meus foram vendidos pirateados na internet.

SM: Conte um pouco para nós quais são as peculiaridades da sua dupla excepcionalidade (autismo leve mais superdotação).

Gerson: Penso que a grande vantagem em ter ambos seriam os hiperfocos que como obstinações em determinados temas acabam por ser um quase ‘turbo’ para a mente. Talvez permita que você perceba detalhes e padrões que poucos ou ninguém tenham visto. Mas em compensação tem sensibilidades tanto sensoriais quanto sociais que podem limitar um pouco sua interação com o mundo. Particularmente amo socializar e as duras penas consegui me desenvolver melhor socialmente, mas certas circunstâncias me sinto extremamente desconfortável com quem não confie ou sinto haver algo errado. Confesso que as vezes me passa pela cabeça a possibilidade de certos dotes extra-sensoriais por algumas coisas que percebi. Mas não tendo base científica fico em cima do muro. Outro ponto vantajoso da associação ao autismo é o fato da preferência essencial a objetividade dos fatos tanto como uma sinceridade que no meu caso pode ser um incômodo social. Mas estes dois elementos sem dúvidas colaboram com a formação de uma intelectualidade honesta de muita valia no meio acadêmico e científico.

SM: Como você entende hoje o bullying que você sofreu em fase escolar?

Gerson: Desde minha infância sofri mais por ter sido gordinho e um pouco ‘esquisito’. Sofria de bronquite e os medicamentos da época me fizeram engordar. Mas desde o ensino fundamental compensava isso com minha habilidade pra desenhar. Cheguei mesmo ter um desenho meu selecionado no meu colégio para a Rio-92 que fora o primeiro encontro internacional sobre ecologia e aquecimento global. Alguns ex-alunos que selecionaram chegaram até me procurar para me parabenizar. Porém, mesmo na faculdade sofri muito bullying meramente por causa das perguntas difíceis que fazia em aula que deixavam alguns alunos ou espantados ou com inveja e raiva. Cheguei mesmo a ser expulso de um grupo do Wahstapp da turma pois a conversa que tive com a professora que era mestre em história deixou os membros do grupo irritados, no final mesmo a professora se chateou e retirou-se do grupo. Acertei mais tarde com os alunos e não tenho mágoas, mas a impressão é que as vezes ser inteligente é um insulto para alguns por meramente esses alegarem que não entendia do que falávamos. Assim hoje procuro mais ressaltar meu QI apenas nas páginas profissionais como Linkedin ou associado aos meus trabalhos literários, pois não fico falando pra ninguém pela internet ou na rua sobre minha SD a menos quando alguém soberbo tenta se exaltar me humilhando.

SM: O que você entende por ineptocracia?

Gerson: Algo contraintuitivo não somente a sociedade mesmo por um ‘contrato social’ de relações simétricas, mas algo que é uma aberração mesmo a dinâmica da predominância do mais apto pela teoria da evolução. Na realidade parece mais um resquício pseudocientífico de predadores sociais que dominam em arbitrariedade contra vocações. Mas sobretudo numa cultura que prioriza o ganho financeiro do que a vocação. Meu pai era exemplo quando mesmo isso me ensinava e viveu, arrumou um emprego na então Embratel sem gostar, mas por necessidades financeiras mesmo que no fim ele mesmo como técnico superava engenheiros os quais chegava dar aula. Criou equipamentos e me afirmava desde criança que a ideia dos trens magnéticos ele havia tido antes de inventarem. Penso nele como mais uma vítima dessa ineptocracia, poderia ter se focado nos estudos acadêmicos e na leitura, mas antes se voltava exclusivamente ao trabalho mesmo que ainda lá tivesse alto desempenho. Minha mãe fora outro exemplo, largou os estudos sem completar o ensino médio quando era ótima aluna, tudo apenas para se casar e virar dona de casa.

SM: Fazes uso de algum aconselhamento psicológico? Em caso positivo fale como isso funciona para você.

Gerson: Fazia e julgo importante, pois parece fato que os que possuem SD tem maior tendência a depressão talvez por enxergar o mundo niilista como é. A verdadeira psicologia visa assim não somente encontrar a si mesmo, mas incentivar suas vocações como terapia e escape as problemas sociais e pessoais, de modo que sem a escrita hoje eu não sei se teria sobrevivido pois a ausência de longos anos de minha vida social me amarga problema psicológicos já presentes antes da solidão. Mas é fato que muitas conversas me incomodam, as poucas que tive que realmente me empolgaram fora com alguns professores da faculdade, pois sempre procuro algo e alguém que diga algo relevante que me faça refletir, que não saiba ou que eleve meu pensamento. Nesse sentido um mestre de história, Ralph, fora o que mais me inspirou ao lado do doutor Marco Antônio, mas essas pessoas são raras num mar de assuntos torpes, bisbilhotices sobre a vida alheia e trivialidades como futebol, sacanagem e afins. Conversas de conteúdo, de ideias, pra mim são a maior terapia e por isso sempre procuro o meio acadêmico o clássicos da literatura dos gêneros que amo.

SM: Conte um pouco para nós sobre sua jornada acadêmica. Em quais áreas foram sua graduação e pós-graduação? Em que área você pretende seguir no mestrado? Por quê?

Gerson: Confesso que até o ensino médio empurrava os estudos com a barriga, era rebelde e bagunceiro, sempre fui muito desajustado e temperamental. Perdi muito tempo atoa e perdido em problemas pessoais e familiares, apenas após dez anos parados do estudos resolvi fazer o Enem. Fiz sem estudar absolutamente nada, mas fora o suficiente para conseguir uma bolsa do ProUni. Antes queria cinema que é uma segunda paixão pra mim (cheguei ser fiscal de figuração em novelas da Globo e fiquei fascinado com esse meio), mas no fim peguei a vaga mais acessível na região que era Pedagogia. Confesso que as áreas dos estudos sobre educação infantil me provocavam um profundo tédio e mesmo para lecionar acho muito decepcionante e nada estimulante. Mas quando tocava nas partes de psicologia, história e filosofia haviam temas que fascinavam. Tive uma série de problemas no percurso, não apenas bullying, mas psicológicos a ponto de chegar a trancar a matrícula por causa da síndrome de pânico por não conseguir sair de casa. Mas mesmo com os enormes obstáculos terminei o curso com alto desempenho, acima da média. Nunca fiquei reprovado numa matéria e era um dos mais elogiados pelos professores. As poucas vezes que quase fiquei reprovado fora pelos problemas psicológicos que me fizeram faltar as provas me jogando direto pra AV3. Mas quando terminei fiquei com saudades por alguns contatos e conversas altamente estimulantes, pois apesar de tudo era bastante popular. Posteriormente fiz uma pós online (e vou começar outra agora) em metodologia do ensino de filosofia pois quero dar aula em faculdades por julgar o nível comportamental dos alunos um pouco melhor que do ensino fundamental e muito mais estimulante intelectualmente. Gosto de desafios as minhas aptidões e de me superar e por isso quero muito tentar um mestrado e doutorado em filosofia moral ou outras áreas da filosofia (assim como talvez uma graduação em história) mesmo que com a pandemia esteja muito mais difícil contatos pra isso.

SM: Fazes uso de algum aconselhamento psicopedagógico? Em caso positivo fale como isso funciona para você.

Gerson: Nunca tive! Na vida toda! O que pra mim é mais um sério indicativo ineptocrata. O mais perto disto fora quando mostrei meu laudo de autismo na faculdade. Penso que caso eu tivesse acesso a tudo isso desde a infância provavelmente teria me desenvolvido muito melhor do que hoje, mas com esse depoimento e pessoas como vocês tenho esperanças para tantos mais. Penso quantos talentos perdidos há numa comunidade pobre, quantos não pegam nos fuzis ao invés das canetas? Cresci ao lado de favelas e vi e passei muitos crimes, vi assassinatos, tive que dar satisfação para traficantes, perdi amigos e vidas para esse meio tão deprimente. Penso que quem não valoriza a educação adequada como tal tanto como a vocação apenas favorece o oposto. Por sorte nesse sentido sempre tive a cabeça no lugar e meus pais me deram uma ótima educação. Preferia estar desenhando ou jogando videogames do que nas ruas com quem não prestava. Mesmo na adolescência tenha feito alguns atos de revolta não entrei nesse caminho. Trabalhei por mais de dois anos num evento cultural que me marcou e aprendi muito sobre a importância de valorizar a vocação, nesse evento das lonas culturais descobri vários talentos de artes, da música a poesia, percebi quanta gente talentosa era desperdiçada. O evento fora um sucesso quando o peguei no começo quando alguns diziam que o apresentador era apenas um “maluco”, mas logo ganhou espaço e fama, aparecemos nos jornais e tentaram até um piloto pra Tevê, no final, o criador fora pra Globo mas despejaram junto com toda uma leva de ótimos artistas o que é deprimente. O programa como era acabou, mas a lição ficou. Cada talento importa, e provavelmente você que lê isso as vezes tem uma habilidade que desconhece.

SM: Algum lema motivacional?

Gerson: Sou brasileiro, e desisto nunca! (risos) Minha vida é uma teimosia, mas no foco do direito a vocação, não do erro. Na realidade construí todo um pensamento filosófico em cima disto, chamo de significalismo contra um torpenismo de muito ruído dissocial e tóxico (torpenismo de torpe).

SM: Algum recado pra galera?

Gerson: Caso vocês tenham algum talento que colabore com a sociedade e dê significado a sua vida nunca desista, nunca! Nem Deus pode te proibir disto! Faça dele um sonho e trabalhe e pratique para desenvolvê-lo a todo custo. Isso será seu sentido da vida e o que lhe define ao contrário de forças exteriores na sociedade que trabalham para lhe definir de acordo com as circunstâncias. Seja mais apto que os problemas e mais forte que o ambiente e meio. Espero que mesmo eu nisso seja exemplo e assim inspire o melhor, pois a inteligência não são meros números, mas atitudes e feitos. Mesmo gênios cometem burradas, assim como a exemplo de personagens da ficção como Forest Gump que tinha embotamento fora capaz de atos geniais e memoráveis. Penso nesse filme de como na simplicidade dele pode inspirar tantos assim como os meus feitos e obras. Não busco autopromoção, mas ser um paradigma para os que tenham vocações, quero que vejam as adversidades que sobrevivi, mas ainda assim não desisti do certo e do direito a vocação. Ser inteligente é sobretudo fazer uso inteligente da inteligência, pois ela em si é apenas uma ferramenta assim como a inteligência é a habilidade de processar informações para formar e criar padrões como criações e soluções. A inteligência numa mente sem dados é tão possível como uma fogueira sem combustível, ou um desktop sem programação. Por isso estude sobre o que ama e pratique, diga não a quem diz não ao direito a vocação! Nunca usem alheios como comparação para si como a inveja, olhe para quem tenha aptidões como uma inspiração pois somente assim vocês irão crescer e se tornarem realmente melhores, melhores do que si mesmos, isto que pratico, cada biografia de gênios como Tesla, Einstein, Da Vinci e afins busco me inspirar, não invejar.

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