Altas Conversas Altas Habilidades: S1 E1 Apresentação

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Relato Pessoal: Rejane Vieira

UM POUCO DE MIM E DE MINHA HISTÓRIA!

Como assim, falar de si, alguém que você conhece melhor que qualquer um? É, simplesmente é a coisa mais difícil de fazer!

Pois é, falar de nossa história pode ser algo bem complexo, principalmente quando se tem muitas histórias para contar, que é o meu caso.

Começarei voltando há alguns anos, mais precisamente em 1985, quando eu tinha cinco anos e desde já, advirto que não contarei todas as histórias de que lembro, porque daria um livro gigante, o que para mim não seria um problema, você vai descobrir o porquê.  Também não me deterei a detalhes, embora isso faça parte espontaneamente de quase tudo que faço. Buscarei trazer para o relato algumas situações em que as altas habilidades/superdotação me colocaram em apuros ou me salvaram. Vamos lá? (Risos).

Um belo dia, ao abrir a janela da sala, senti uma sensação muito forte que mesmo hoje, depois de 36 anos, eu ainda não saberia descrever; aquela sensação me trouxe para um estado permanente de curiosidade pela vida, sendo ali ativada para mim a função: busca por conhecimentos! Desde aquele momento, o conhecimento funciona como cordas e portas, que me permitiram escalar e acessar novos e mais lugares. Meu modus operandi foi “iniciado” ali “conscientemente” e, por causa disso, eu cresci como cresci, sorri do que sorri, sofri e me vi em apuros também.

Ao escrever um pouco sobre minha história de vida, pensei sobre quais habilidades me ajudaram a sobreviver aos desafios e problemas que ESTA existência me trouxe. Nessa jornada, passei frio em diversos momentos, fui agredida física e emocionalmente diversas vezes, vi a fome tão de perto que doeu a barriga, vi pessoas que eu amo sofrerem, vi minha mãe ser massacrada em seus sonhos, ser espancada e violada, mas ela sobreviveu, era meu exemplo de líder, eu não poderia aprender de um modo diferente. Também me diverti um bocado, muitas e muitas vezes sozinha, explorando a natureza, observando os bichos minúsculos e lendo livros dos quais me lembro até hoje, como: A estranha máquina extraviada e o feliz ano velho era um deles. Também brincava com meus irmãos, principalmente de restaurante, acho que é por isso que aprendi a cozinhar aos 7 anos de idade.

Quando eu quase morri em um acidente de carro em 2010, onde eu não esqueço o filme de toda uma vida que passou em milésimos de segundos, entendi ali, vendo aquelas rodas do caminhão passarem em minha frente por cima do capo, que eu deveria ser muito grata por cada dia, cada segundo, cada milésimo de vida que tenho até hoje. Ali percebi que, alguns de meus vícios como: sonhar acordada, viver apaixonada, mesmo que às vezes “iludidamente”, sorrir de mim e com minhas lembranças amigas e peçonhentas, em momentos de solitude, faziam muito sentido.

Três coisas vivenciei intensamente em minha infância e adolescência: a escassez, a criatividade e a superação. Observei que, nas ocasiões em que nos faltava o mínimo, até para comer, eu sempre acabava encontrando uma forma de usar minha criatividade e capacidade de aprender, rápido e só, para produzir coisas que pudessem ser vendidas. Uma vez aprendi a criar papeis de carta, usando o saco transparente que pegava “emprestado” no mercantil (risos) e canetinhas, também emprestadas da minha amiga Rafaely, amiga que inclusive, me emprestava amorosamente seus livros para eu estudar, pois não tinha como comprá-los. Aos nove anos, comecei a dar aulas de reforço e com o que recebia ajudava minha mãe a comprar as frutas da semana, que inclusive eram transportadas em um carrinho de mão, porque a granel saia mais barato. Assim, posso dizer que hoje valorizo a variedade de opções de frutas com muito prazer (risos).

Naquele tempo, também descobri o vício em fazer cursos, que inclusive tenho até hoje. Fazia todos que me eram permitidos e eu aguentasse. No CSU – Centro Social Urbano, lojas de artesanatos e ABCs – Centros profissionalizantes para Adolescentes, pois ou eram de graça, ou a preços muuuuito camaradas. Adquiria as mais variadas habilidades, afinal não dava para escolher, as oportunidades eram aproveitadas com unhas e dentes e nessa jornada aprendi a fazer bijuterias, biscuit, arranjos de flores, móbiles para quartos de crianças, gesso, sabonete, velas, sachês, tudo que pudesse vender e ajudar a comprar comida, afinal eu estava na base da pirâmide de Maslow (risadas).

Meu pai era alcoólatra e fumante, não tinha trabalho fixo, embora fosse referência em projetos elétricos até para engenheiros eletricistas, sem ao menos ter o segundo grau completo. É, ele era muito inteligente, mas tinha muitas dificuldades com disciplina e constância de humor, o que acabou tornando nossa jornada um “pouco” mais difícil e o progresso dele na Terra, imagino. À medida que crescia, fui ganhando um pouco mais de autonomia e liberdade, já podia pegar um ônibus e expandir meu market share, (risos) tinha clientes até no Fórum Central de Fortaleza. Detalhe: eu morava a 20km e levava até 1 hora e 30 minutos de ônibus para chegar lá. E eu só tinha 13 anos. Valia muito a pena. Dava dicas de bijuterias para as clientes em acordo com seu estilo de roupas, e às vezes construía peças customizadas para as mesmas.

Mas o tempo foi passando e eu fui me tornando uma adolescente, já tinha 14 anos e busquei fazer cursos mais profissionalizantes, então passei a frequentar o ABC, próximo de casa. Fiz cursos de pintor letrista, computação, técnicas de escritório e eletrônica básica, pensando em como adquirir mais habilidades que pudessem me levar a um emprego com carteira assinada, pois queria subir para o segundo nível da pirâmide de Maslow. Não estava dando muito certo e até latinhas de refrigerantes eu fui vender no Fortal. Preciso falar que foi tudo muito legal, sempre gostei de conversar e nunca tive vergonha para abordar ninguém. Vendia bem, mas, ao que me parece, eu desaprendi um pouco ao longo do tempo (uma carinha pensante).

Na escola, resolvi participar de um desfile para ganhar uma bolsa de estudos e aliviar mais as contas. Foi quando descobri que poderia malhar por mais de 7 horas sem me sentir exausta. Corria mais de 15 quilômetros, experimentei natação e kung-fu e às vezes fazia mais de uma destas atividades no mesmo dia. Quanto mais exercícios fazia, mais elétrica eu ficava. Até um ano atrás não sabia como poderia denominar aquilo, hoje eu sei, o nome é: sobre-excitabilidade psicomotora. Também entrei para os times de futsal e vôlei da escola. Trouxemos um ouro e uma prata (risos), foi um momento maravilhoso e terrível de minha vida, eu estava em plena adolescência, precisava ocupar a mente e gastar uma energia que nunca acabava. Diziam que eu recarregava minha bateria correndo (risos), na mesma época tentei também teatro, cantar e dançar ballet, mas não havia como investir. Então, eis que chega a época dos estudos para o vestibular e descubro uma capacidade acadêmica que também desconhecia até então, eu conseguia ficar focada em um livro de Biologia por quase 20 horas e se pudesse não parava mais, isso também tem nome, é a sobre-excitabilidade intelectual, que era incrível: a ausência de vontade de ir ao banheiro, parar para comer ou fazer qualquer outra coisa até terminar o livro; na época, minha mãe chamou de compulsividade e era um pouco disso também, por isso é tão importante o trabalho da flexibilidade cognitiva, mas nem eu e nem ela sabíamos disso. Nessa mesma época, ela passou a ser minha algoz, traumatizada com um relacionamento terrível com o meu pai, tentava me desanimar a todo custo com a ideia de namorar, mas eu queria viver um grande amor. Eu estava no 1º ano do segundo grau e teria a grande oportunidade de namorar pela primeira vez o cara que eu gostava desde a 4ª do ensino fundamental. Até se concretizar, preciso dizer que houve muitas coisas: intrigas, mentiras e falsidade de uma amiga também apaixonada por ele, se eu contar vão achar que estou falando de um filme.

Foi um momento muito difícil, já tinha meus problemas em casa e o mundo também estava dificultando as coisas. Preciso dizer que tive muita vontade de ir embora da Terra. (Cara de tristeza) O ápice foi quando confiei a este namorado o meu translado para a minha primeira prova do vestibular. Já tínhamos um ano de namoro, mas ele me fez chegar atrasada 2 minutos, porque precisou deixar a irmã primeiro.

Eu tentei escalar o muro da Universidade Federal do Ceará – UFC e quase fui presa, mas tinha que voltar para casa e aí sim, foi meu pior pesadelo. Fui quase expulsa de casa, fui rejeitada, sofri agressões de todas as formas, nunca desejei tanto conhecer outros mundos… e ir embora da Terra. Hoje sei que a voz da consciência, que é maior que eu mesma, sempre me salvou de grandes enrascadas. Eu havia saído do status de esperança da casa para uma baita decepção, eu tinha consciência disso, mas esquecia quando a dor doía. Foi quando ele, esse mesmo namorado, resolveu me escrever para a escola técnica, o CEFET-CE, atual Instituto Federal do Ceará – IFCE. Hoje sei que um anjo me ajudou a chutar as questões corretamente (risos), pois eu estava tão revoltada com tudo que sequer lia direito as questões antes de responder, mas deu certo, eu tinha de estar lá, pois foi onde conheci meu segundo namorado e atual esposo Paulo, uma história tão looonga, engraçada e instigante que se eu fosse contar, levaria mais umas cinco páginas dentro do relato (gargalhadas).

Eis que chagamos ao fim da adolescência, e novos desafios foram se desenhando nessa fase da vida. Eu pensava basicamente em quatro coisas: namorar, estudar, trabalhar e fazer atividades físicas, nessa mesma ordem. Quanto a trabalho, como mal tinha dinheiro para me alimentar, tentei conseguir uma vaga no laboratório de microbiologia da própria escola técnica, então, passei a perseguir meu professor de Microbiologia, o professor Benvindo. Por dias e dias, chegava cedo e ficava sentada na porta do laboratório meio que fazendo pressão para ele me aceitar, pelo menos como voluntária, e deu certo! Trabalhei duro em todas as horas livres que tinha, aprendi em tempo recorde a fazer as análises e até implantei algumas melhorias no local. Passei a receber uma ajuda de custos que me permitiu passar a almoçar, porque a escola fornecia os lanches das 9 e das 15h de graça, mas não o almoço e eu mal podia pagar minhas passagens. Depois que eu e Paulo começamos a namorar, ele repartia o almoço dele comigo (coraçõezinhos e risos), um príncipe mesmo, um anjo em minha vida.

Fiz alguns amigos de verdade, os quais me acompanharam por um longo tempo. Fui indicada para participar de uma seleção em uma empresa de refrigerantes, mas ela ficava em outro município, e eis que surge um fato interessante, eu não tinha dinheiro para pagar a passagem interurbana e tive de desenrolar o telefone da supervisora do setor, contar minha situação e pedir uma carona no ônibus da empresa. Deu certo, eu fui, fiz a entrevista e, para minha surpresa, fiquei com a vaga, mas, mal sabia eu que meu desempenho chamaria a atenção da líder do setor, que passou a me perseguir. Fui humilhada verbalmente e na frente de colegas, procurei me superar cada vez mais, mostrar que eu era superior e podia fazer ainda mais e melhor, mas as perseguições não pararam, então marquei uma reunião com a Gerência – que audácia, você deve estar pensando, uma estagiária? Pois é, meu gerente da época era um cara maneiro, gente boa e um líder de verdade. Contei tudo que ela estava fazendo para todos na presença dela e pedi para sair. Foi a primeira vez que vi o quanto o universo corporativo podia ser bem perigoso para o ego e cheio de cobras. Também percebi com clareza a força que tinha para cuidar de mim mesma. Eu foquei tanto em me melhorar, que alcancei um recorde de análises e organização da rotina, fora dos padrões já vistos. Assim me disseram. Sai dali e fui buscar um outro local.

Fui parar em uma fábrica de farinhas e, mais uma vez, meu desempenho me traria grandes e graves problemas, além de mais perseguições. Essa eu preciso contar com um pouquinho mais de detalhes, porque a história já foi tema de evento teatral em um Sarau entre pessoas superdotadas (risos).

Eu entrei como estagiária e fui efetivada antes de outra estagiária, que trabalhava há mais tempo, a qual deveria ter sido efetivada na minha frente, mas isso não aconteceu, causando sérios conflitos com a pessoa e o setor. Depois, ela acabou sendo efetivada também, mas a entrada de um estagiário específico parece ter aflorado novamente o problema com força, então se uniram e começaram fazer coisas horríveis e bem estranhas, parece até script de filme de terror. Só após uma outra chefe assumir o meu setor, porque a titular havia saído de licença maternidade, é que tudo foi descoberto. Para vocês terem uma ideia, eu trabalhava com análises reológicas, de farinhas, então minhas folhas de laudos eram rasgadas ou sumiam, as soluções que eu utilizava, apareciam supersaturadas, os aparelhos eram descalibrados, etc e etc.

Eu fiz o que sei fazer de melhor, superei! (Gargalhadas) Dava um jeito de esconder as folhas de laudos para não faltar, deixava para preparar as soluções na hora, fui me desviando e aumentando cada vez mais minha produtividade e organização, aprendi a calibrar os equipamentos e até consertá-los. Um “belo” dia os funcionários se reuniram para me cobrar uma “revisão em meu ritmo”, digamos que eu estava indo rápido demais e elas poderiam estar sendo cobrados também… é mole? Chupa essa manga! Nem eu acreditei no que estava ouvindo. Então fica uma reflexão: um ponto fora da curva em uma análise estatística é desconsiderado, mas na vida real ela é perseguida! Enfim, foram atitudes como essas que me fizeram ser percebidas por quem valorizava a excelência, algo raro em minha jornada, diga-se de passagem.

Estes boicotes que relatei foram algumas das coisas que tive de passar ali, um outro grande desafio foi superar o sono e o cansaço. Eu já tinha terminado meu curso técnico em Química Industrial no CEFETE-CE e entrado para Engenharia de Alimentos na UFC, e vou explicar porque foi um novo período muito difícil. Minha chefe ignorava minhas falas sobre os problemas do setor e eu não podia pedir demissão, afinal era meu primeiro emprego de carteira assinada, eu tinha comprado muitas coisas para a casa da minha mãe. Desde 1993, quando meu pai ateou fogo em nossa casa de forma criminosa, havíamos ficado desprovidos de muitas coisas, meu colchão me permitia imaginar como era dormir nos trilhos do trem! Exagero?! É por conta das madeiras no meio do trilho, para quem não conhece (risos). Eu conheço, tinha um em frente à minha casa!

Realmente o mundo corporativo podia ser um ambiente bem perigoso e tóxico e de fato meu desempenho iria incomodar muuuita gente. Como a faculdade no primeiro semestre tinha aulas às segundas, quartas e sextas, das 8:00 às 17:00, eu acabei pedindo para me transferirem para à noite na empresa de trigo. Passei a trabalhar das 22:00 às 6:00, e quando saia do trabalho, ia direto para a faculdade. Eu também inventei de fazer um curso no SENAI das 18 às 21h, um curso de PCP – Planejamento e Controle da Produção, pois estava desesperada para sair do setor da qualidade. Aquela situação me levou a um esgotamento físico, afinal eu só dormia as terças, quintas, sábados e domingos pela manhã, dias em que eu não tinha aulas da faculdade. Foi “trash”, não recomendo abstinência de sono para ninguém, pode matar.

Foram momento bem tensos, acho que ali forjei minha segunda camada de resiliências, mas eu nunca deixei de sorrir por isso. O médico da empresa perguntava quando eu ia mudar e sempre respondi: Nunca! (Risadas)

Fiz muitas coisas legais no meu primeiro emprego. Criei cursinho para que os operadores pudessem sonhar com o curso técnico, criei uma revista para a capatazia (a galera que passava o dia carregando sacos de 50 quilos na cabeça), ela falava sobre vários assuntos; da higiene básica à ciência nuclear (risos), eles gostavam. Eu adorava sentar com eles na hora do almoço e tirar as dúvidas sobre os materiais que havia criado, ganhei o apelido de Xuxa (risos).

Na época, conheci meu segundo exemplo de líder corporativo, meu gerente da época, que, vendo meu desejo de estudar e minha condição de vida, me concedeu minha primeira demissão. Terminei de pagar as dívidas e pude me sustentar por um tempo na faculdade, local em que voltei a vivenciar novamente a escassez, lá fiz amigos que guardo no meu coração e traga para meu convívio, mesmo virtual, até hoje. Lá exercitei, o que considero ser uma das minhas melhores habilidades, a liderança. Eu havia sido líder de turma desde a 2ª série do ensino fundamental, não me recordo da série que não fui líder de turma desde então e isso segui pelo cursinho, curso diversos e etc.; se era para fazer as coisas acontecerem, fazer montinho, colocar as coisas no lugar, podia contar com meu total empenho. Eu era um ímã para a função de liderança onde ninguém queria assumir qualquer responsabilidade ou bater de frente com o sistema. Era minha praia, sempre adorei desafios, acho que me viciei nisso, até levar um grande tombo, em meio a uma galera medíocre e covarde que encontrei pelo caminho já depois de adulta, casada e mãe de um filho, vergonhoso! Como foi algo bem recente, não vou esmiuçar, infelizmente (risos).

Acho que minha capacidade de peitar as situações, enfrentar o errado, vasculhar e conectar prováveis irregularidades acabam tanto me ajudando quanto me ferrando feio. Na faculdade, resolvi ser presidente do C.A. – Centro Acadêmico do curso de Engenharia e acabei colocando a mão em um vespeiro até a DCE – Diretoria Estudantil nos ajudar. Depois de uma sala ser invadida e vandalizada e muitas discussões com professores, conseguimos organizar a casa (C.A.), montar ciclos de palestras, implantar os 5S, que havia aprendido na indústria de refrigerantes, e o nosso maior ganho, que só veio se concretizar quase 10 anos depois: a reforma da grade curricular. Foi uma outra época de muita perseguição, foi loucura, loucura, como diria Luciano Hulk, mas foi massa, foram muuuuitas histórias para rir e morrer de raiva (êxtase).

Terminando a faculdade, tive esperança de seguir uma carreira na área de alimentos e muito trabalho me levou a receber um convite para trabalhar em uma empresa de iogurtes, quando também busquei pela minha primeira pós-graduação em Logística. No começo, foi muito legal, dei aulas de Logística em uma escola técnica e assumi a auditoria dos CDs – Centros de Distribuições do norte e nordeste, viajei bastante, mas depois de um tempo comecei novamente a incomodar e sofri mais um golpe profissional, que os advogados chamam de assédio moral. Consegui minha segunda demissão, desenvolvi uma forte depressão e busquei superar montando minha própria empresa de consultoria. Tinha esperança que conseguiria aplicar todo o conhecimento que eu tinha adquirido até ali, mas encontrei novamente barreiras, me deparei com empresários de pensamentos medíocres, onde suas maiores necessidades eram apenas documentos para constar na Agência Nacional de Vigilância Sanitária – Anvisa. Resolvi voltar para o universo privado, em outra área, uma fábrica têxtil. Foi quando decidi fazer minha segunda pós-graduação, agora em Engenharia de Produção e Qualidade, e quando tudo parecia que ia engrenar, novas perseguições e novas decepções. No entanto, agora eu tinha Pedro Lucas, meu primeiro e único filho até o momento. Mesmo assim eu pedi demissão, tentei voltar para o universo da consultoria, mas fui frustrada no terceiro mês, já que não consigo conviver com pessoas que vivem de aparências, que economizam em competência e esbanjam em expectativas para o cliente. Eu estava sofrendo com a sobre-excitabilidade emocional e os resultados dos clientes, então tomei a decisão de mudar de área de uma vez por todas. Percebi que talvez tudo isso que eu estava passando tivesse realmente a ver com a educação destas pessoas, suas formações como indivíduos e resolvi dar dez passos para trás, aprender como se forma um homem. Afinal, eu também tinha um projeto chamado Pedro Lucas, juntamente com meu esposo Paulo, e resolvemos que eu deveria investir nesta área, focar nele primeiro, e depois ajudar a outros com a experiência. Assim, fiz minha formação em Life Coach e Coach Educacional, segui para a Neuropsicopedagogia e, à medida que eu conhecia todo esse universo e a Neurociência, aplicava os conhecimentos em minha vida e em casa. Descobri que a tarefa mais difícil deste mundo é educar alguém. Foi na Neuropsicopedagogia que eu descobri que tenho altas habilidades/superdotação, quando um sol se abriu dentro da minha alma. Eu me senti como o indivíduo que fugiu da caverna de Platão (risos), o mundo tinha novas cores e eu tinha que começar a me entender melhor para entender melhor meu filho.

Essa jornada que começou nos meus 37 anos ainda está no começo, mas devo minhas poucas quedas nesse início de jornada a três grandes seres e amigas que atuaram em minha vida como faróis e apoio, Rosana Melo, Flavia Brandão e Auxiliadora Piava, pois foram e são minhas mentoras de vida. Assim cheguei a outros, que assim como eu, vivenciam angústias similares às minhas, formas de ver o mundo como eu vejo, ou a maneira e intensidade com a qual, raros se identificaram ou entenderam quando me expresso. Eu de fato me sentia uma extraterrestre. O autoconhecimento é como uma luz que acendemos em uma sala cheia de jogos quando ainda somos crianças, ele nos traz a percepção das inúmeras possibilidades que existem e a vontade extrema de experimentar, sentir e descobrir. Mas a consciência que venho buscando arduamente dia após dia, esta sim, é como uma mentora a te guiar por essa sala de brinquedos, te apresentando com segurança cada canto, gerando o máximo de aproveitamento e aprendizado dessa experiência, trazendo para o entendimento das coisas e possibilitando as melhores decisões. Somos crianças, porque nossa ignorância não nos permite ver além do que nos apresentam os olhos pouco hábeis e pobres de repertórios de vida consciente. Eles acabam por esconder de nós a verdadeira beleza que é o viver, o não se comparar com um outro, porque cada um é único, vive esta existência de uma forma única e talvez irreprodutível, que finda e que não deveria ter tempo para perder com coisas fúteis e que não agregam à nossa jornada. Assim encerro este relato, deixando para você, a minha intenção mais íntima. Reflitam sobre como eu poderia ser alguém pior do que sou? Como eu poderia ter escolhido caminhos mais fáceis e não o lado mais estreito? Eu sei que não foi muito bom experimentar espinhos, mas não deixei de estar perto e sentir o cheiro das flores também.

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Sobre-excitabilidades: O que são?

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Relato Pessoal: Luciano Brígida

Falar sobre mim sempre foi difícil demais. Acho mais fácil escrever devaneios sob a condição humana no universo do que falar sobre quem eu sou. Talvez por conta disso eu tenha adotado desde cedo como lema pessoal a frase “Eu sou mil possíveis em mim, portanto não posso me resignar a querer ser apenas um só” de Roger Bastide. Então, deixarei que a história se revele.

Quem primeiro me levantou a hipótese de superdotação foi minha esposa. Ela é professora e convive com alunos de condições diversas. E, além disso, o fato dela estar entre as pessoas mais importantes da minha vida me fez considerar essa hipótese como verdadeira. Na época eu sofria demais com insônia – e ainda sofro – eu deitava mas não sentia sono algum, pois na minha cabeça estavam passando ideias sobre jogos, músicas, poemas, desenhos, contos… Isso estava atrapalhando minha saúde e até a rotina de casa.

Um dia, numa conversa no intervalo de almoço do meu trabalho, com o ar de Brasília bastante seco e céu sem nuvens, ela me perguntou se eu já havia sido diagnosticado como AH/SD. Eu nunca olhara para mim desse jeito. Sempre repeti a mim mesmo que eu não era diferente dos outros, que todos tínhamos a mesma capacidade de aprendizagem e cognição. Mas os fatores que ela foi me apontando começaram a fazer sentido: auto-didata em quase tudo, correlacionar ideias incomuns, fixação em detalhes que passam despercebidos por muitos etc.

Procurei sessões de hipnoterapia. Eu só queria dormir direito e me sentir em paz. Eu não sabia se eu seria suscetível a hipnose ou não, mas arrisquei. A experiência foi interessante, porém ainda que eu conseguisse entrar no transe com facilidade eu também não conseguia reter o transe e me distraia facilmente com ideias aleatorias. Lembro de uma sessão que fiquei querendo compor um solo por sobre uma outra música que eu escutava ao fundo do consultório. Anos mais tarde a terapeuta disse que eu fui um dos pacientes mais difíceis. Mas não desisti da busca, sabia que na psicoterapia eu encontraria o caminho para melhor lidar comigo mesmo.

A busca continuou. Eu tinha que acabar com essa insônia e tentar ter um ciclo circadiano normal. Eu já convivia com essa falta de sono desde a adolescência. Perdi a conta de quantas alvoradas observei da janela do meu quarto no nono andar de um edifício em Belém do Pará. E o que falar das noites que passei sozinho, quando mudei para Brasília, no meu apartamento tocando violão ou escrevendo por várias noites seguidas? Devo ter perturbado demais meus vizinhos. Mas o preço foi alto. Dormir apenas 4h por semana não é nada divertido. Desenvolvi inflamações musculares sérias que me impediram de me movimentar direito. Mas um músculo dolorido não me define e ainda consegui desenvolver um jogo mobile nesse período. Uma vez tratadas as inflamações, procurei exames de polissonografia e minhas hipóteses se confirmaram. Depois de uma noite dormindo na clínica, os aparelhos detectaram que eu não tinha o sono reparador, que nas poucas horas que adormeci já caí direto no sono mais profundo. Tratar com anti-depressivos não deu certo. O que melhor funcionou para mim foi reposição hormonal de melatonina. E mais uma vez recebi recomendação de psicoterapia.

Sem saber para onde correr comecei a procurar por grupos online que tivessem dores parecidas. Assim, meio por acaso, encontrei uma comunidade e fui convidado pra um grupo de whatsapp bastante acolhedor e onde pude me sentir em casa. Foi aí que recebi uma boa recomendação de uma terapeuta que tem me acompanhado desde então e me ajudado nessa caminhada de auto-conhecimento.

Sete meses após acompanhamento psicológico, reconheci que realmente me faltava a habilidade de focar mais em mim mesmo, de aceitar minhas potencialidades e explorá-las. Hoje, sigo aprendendo a não me limitar mais pelas expectativas alheias; buscando superar processos de auto-sabotagem; e de conhecer mais sobre um Eu que ainda me era misterioso.

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Identificação: Competências Necessárias para a Avaliação

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Entrevista: Áthyllas Lopes

Supereficiente Mental: Ninguém nasce com consciência de sua própria superdotação, contextualize para nós a descoberta da sua.

Áthyllas Lopes: Foi a partir da universidade, quando, inclusive faltando a aulas, ia para a biblioteca pesquisar temas estritos de meu curso (Letras – Língua Portuguesa) e da educação de uma forma geral. Procurando livros com temas que eu julgasse interessantes, novos, pertinentes, encontrei um material de formação do Ministério da Educação sobre Educação Inclusiva, Altas habilidades… Então, começou a haver um encontro…
Fui pesquisando a temática. O fato de eu não estar mais tão interessado em ir para aulas convencionais na universidade me deu um atraso extraordinário, tanto que saí da faculdade como abandono. Ganhei a imagem de um irresponsável, desleixado. Mas meu alto envolvimento, não com o curso em seu programa fixo, mas com seu conteúdo, funcionalidade almejada, me fazia ser um pesquisador, selecionador de bibliografia, produtor de conteúdos (02 livros meus, em particular, nasceram desse contexto de fuga na biblioteca universitária, e 01 minicurso que, anos depois, ministrei na mesma faculdade), então eu pensava: “Espera! Não sou esse irresponsável!”.
Conhecendo nomes na área de altas habilidades/superdotação (ahsd), e no auge do desespero de alguém em crise consigo, com a família e já virando motivo de zombaria por colegas por nunca concluir o curso, comecei a enviar e-mails a profissionais implorando ajuda, aí, sim, já cogitando as altas habilidades. Tempos de muita dor. E solidão. Sabendo que existiam os Núcleos de Atividades de Altas Habilidades (NAAHS), procurei o de meu estado. Ainda bem na base de meu conhecimento acerca das altas habilidades, minha ideia era: “Vou no NAAHS, consigo um laudo, apresento na universidade, eles veem que não sou um irresponsável, há uma flexibilização curricular que compreenda meu processo de aprendizagem, e eu concluo a faculdade”. Viajei à capital (resido no interior do estado), e, chegando ao NAAHS, tive um encontro com uma psicóloga e uma pedagoga. Mas soube que o processo de identificação levaria um período. A logística, dado eu ser do interior, me desmotivou. Então não continuei.
O tempo passou e a (não) conclusão da faculdade estava como uma bola de neve, no sentido de se avolumar. Pessoal, social e profissionalmente eu estava sofrendo. A gota d´água foi uma noite em que lágrimas, literalmente, rolaram na família. Saí de casa destroçado, e fui chorar na casa de uma psicopedagoga que conhecia, para darmos início a um processo de identificação. Entretanto, comecei com uma psicóloga, não exatamente uma identificação, mas a exposição do que eu estava vivenciado, sentindo. À época, por custos, não continuei.
Desisti da faculdade. E sabia que tinha que ingressar em outra, começar do zero e ir até o fim, focando o aspecto tempo de curso. Graduei-me tecnólogo de marketing. Depois, fiz licenciatura em Letras, em outra instituição, e realizei o sonho antigo de ser psicopedagogo. O interesse pela temática das altas habilidades, a formação pedagógica pela licenciatura em Letras, a formação em Psicopedagogia consistiram em movimentos que culminaram minha descoberta. Quando de minha atuação mais ativa na temática das altas habilidades, como psicopedagogo entusiasta seu, conversando com profissionais, mães, pessoas ahsd, participando de encontros de formação e relatos, como voluntário junto a adolescentes ahsd, vi o reforço, a certeza dessa descoberta.

SM: Quais são suas áreas de alta habilidade?

Áthyllas: Intelectual: interesse pelo conhecimento das coisas, sua natureza, funcionalidade, configuração e sua dimensão histórica. Sobretudo no campo das Humanidades. Duas áreas em que se vê isso de forma mais palpável em mim são a Linguagem verbal e a Aprendizagem.

SM: Como foi a sua avaliação formal de superdotação ou altas habilidades? Você considera que esse serviço profissional ainda é pouco acessível a boa parte da população brasileira?

Áthyllas: É uma triste mas evidente constatação o quanto é difícil o acesso a serviços de identificação de altas habilidades/superdotação e atendimento às suas necessidades!! A temática precisa ser mais conhecida, bem como haver mais oferta concreta de serviços sistematizados. Ressalto: Ao passo de um maior conhecimento sobre a temática, é preciso haver um suporte, profissionais, propostas de identificação, atendimento efetivos.

SM: Você atua enquanto psicopedagogo, correto? A psicopedagogia é comumente confundida com a pedagogia e a psicologia, com qual definição operacional de psicopedagogia você trabalha?

Áthyllas: A Psicopedagogia é uma área do conhecimento que tem como objeto de compreensão e ação o processo de aprendizagem humana, de forma contribuir, por ele, com o bem-estar e desenvolvimento dos indivíduos e dos espaços coletivos que se constituem por estes.
Como aprendemos, quais os elementos, dimensões, aspectos e processo que configuram o processo de aprendizagem, entraves, potencialidades e possibilidades aí são a razão de ser da Psicopedagogia. Portanto, duas atitudes são fundamentais: o olhar investigativo, de análise, reflexivo, e a propiciação de um ambiente e de instrumentais para a valorização e desenvolvimento da vivência, da construção do Saber em suas diferentes áreas e temas, de forma rica e dinâmica, isto considerado nos âmbitos individual e grupal.
Precisamos ir além da ideia de que a Psicopedagogia se ocupa somente dos problemas de aprendizagem. Não! Ela pode e tem muito a contribuir no conhecimento do Homem em sua relação com a aprendizagem, maximizando-a qualitativamente, melhorando pontos positivos já existentes, prevenindo dificuldades, minorando-as, superando-as; atuar pelo bem das pessoas, por um mundo melhor.

SM: Por que todas as escolas deveriam ter ao menos um profissional da psicopedagogia atuando na instituição em período integral?

Áthyllas: A Psicopedagogia tem por objeto de compreensão e ação a aprendizagem humana: como se configura, como acontece, quais fatores a inviabilizam, quais a favorecem, empecilhos e potencialidades.
No âmbito institucional (em escolas, por exemplo), não atua lidando com aprendentes individualmente, realizando processos de avaliação e/ou intervenção psicopedagógicas, mas sim em grupos, em espaços coletivos de vivência e (re)construção de aprendizagens e da própria aprendizagem em sentido geral.
Nesse sentido, considerando a sociedade ser hoje, mais do que nunca, inundada por informações, comércios, oferta e interação cultural, ao passo que temos o desenvolvimento de pautas como cidadania, inclusão, competências e habilidades, criticidade e sustentabilidade, o papel do psicopedagogo no universo escolar deve ser o de ter capacidade e atitude de análise crítica, pesquisa, coletando dados, analisando a identidade da escola, suas práticas pedagógicas, as relações sociais nela vivenciadas entre seus membros (não apenas alunos!); deve ser capaz de coletar, analisar e refletir não isolando a escola como um ser a parte da sociedade, mas contextualizando, refletindo sobre a natureza e funcionalidade da escola, seu modo de ser organizada, de acontecer na prática cotidiana.
Pela complexidade de tantas pautas, exige-se uma atuação junto ao gestor (diretor e coordenador), professores, alunos e a própria comunidade da qual a escola faz parte, a sociedade.
Evidencio ainda temáticas como Dislexia, Discalculia, Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade, Síndrome de Down, Autismo, Altas habilidades/superdotação, que precisam sem melhor conhecidas e atendidas pela escola, por educadores, pelas pessoas que os vivenciam, por seus familiares no que tange ao processo de aprendizagem. Quem pode ser um importante articulador na escola propiciando qualitativas formações nessas temáticas? O psicopedagogo. Quem pode propiciar o atendimento a alunos que vivenciam essas temáticas, com um Plano Educacional Individualizado (PEI)? O psicopedagogo.
Inclusão, evasão, interesse pela escola, aprendizagem real, relação família-escola, valorização, fortalecimento e desenvolvimento de competências e habilidades… Todas são pautas que lhes são fundamentais, para análise, reflexão e atuação por ações concretas. Gostaria de ressaltar a necessidade de que o psicopedagogo reconheça até que ponto pode ir em sua atuação. Quando precisar de um psicólogo, de um fonoaudiólogo, de um psiquiatra, de um neurologista, oftalmologista (…), não haja invasão de competência (!), mas sim um trabalho multiprofissional. Articulação responsável, qualitativa. Digo isso pelo fato de o mundo atual dispor muitas informações, e ser tentador em fazer com que a pessoa se considere ser 05 profissionais em 01. Quando tiver formação devida, sem problema.
Essa importância, e considerando a própria educação como algo cotidiano, contínuo, requer um psicopedagogo atuando junto à escola também de forma cotidiana, contínua.

SM: Durante as suas graduações você produziu o seu próprio enriquecimento curricular através de idas constantes às bibliotecas das instituições, conte para nós mais sobre o seu processo e o conteúdo desse enriquecimento curricular.

Áthyllas: Esse interesse veio de 03 pontos:

• Ter clareza e segurança no conteúdo e o que eu queria com ele. Por vezes, julgava disperso o conteúdo. Queria logo ter clara consciência, eu mesmo, do percurso, dos pontos fundamentais, norteadores e substanciadores da temática em estudo. Sua natureza, sua configuração, sua funcionalidade, sua vivência, sua constituição histórica.
• Por julgar que pontos que eu julgava fundamentais em minha formação naquela temática não estarem sendo contemplados.
• Por vezes, tinha em mente o que procurar na biblioteca; em outros momentos, lançava-me numa busca “descompromissada”. Muito amor por isso. Ora metódico, ora não. Mas sempre querendo aprender de forma significativa.

Eu me realizava!

SM: Você ou algum membro de sua família faz uso de algum acompanhamento psicológico? Em caso positivo fale como isso funciona para vocês.

Áthyllas: Como disse, iniciei mas não concluí. No período em que vivenciei o acompanhamento, achei muito bom, num processo de descoberta, encontro. Isso, aliás, me faz lembrar algo: quando, em estudos de altas habilidades/superdotação, descobri o termo sobre-excitabilidade emocional como associado às ahsde me encontrei em meu perfil, foi mágico! Revelador e libertador dar um nome àquilo que eu sentia.

SM: Você também é escritor! Compartilhe conosco sua produção literária, quais títulos você publicou? Sobre quais temas versam cada um?

Áthyllas:
• Viagens pela linguagem verbal – Para estudantes da Educação Básica, fala sobre a natureza da linguagem verbal, sobre o latim e como o mesmo participa da configuração da língua portuguesa.
• Ensino: Algumas considerações – Tópicos sobre a educação, de uma forma geral.
• Conversando sobre Educação em perguntas e respostas – Tópicos sobre a educação, de uma forma geral.
• Ações extracurriculares sugeridas por Antonio Áthyllas Lopes de Oliveira para a promoção da educação – Propostas de ações, projetos para uma vivência qualitativa da educação.
• Ortografinho deseja ler e escrever – Para crianças, aborda a escrita em sua natureza, funcionalidade, configuração, trazendo pontos como surgimento de letras, por que existe ortografia (por que não podemos escrever como falamos?), por que não podemos escrever chuva com x? Por que escrevemos animal com l se tem som final de /u/?

SM: Você ou algum membro da sua família faz uso de algum acompanhamento psicopedagógico? Em caso positivo fale como isso funciona para vocês.

Áthyllas: Não.

SM: Algum lema motivacional?

Áthyllas: Educação para a vida.

SM: Qual seu gênero, escritora(o) e obra favoritos da literatura nacional?

Áthyllas: Prefiro livros técnicos, em educação, psicopedagogia, sobre a natureza, funcionalidade e vivência da linguagem verbal, sobre o latim, etimologia, ciências…

SM: Algum recado pra galera?

Áthyllas: “O essencial é invisível aos olhos” (Pequeno Príncipe).

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SuperSensibilidades: Crianças Superdotadas e suas Emoções

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Relato Pessoal: Áthyllas Lopes

Áthyllas Lopes

Sou Antonio Áthyllas Lopes de Oliveira, tenho 33 anos, resido no interior do Ceará. De aluno-destaque na escola e elogiado no convívio social, à medida que o tempo foi passando, fui sentindo o peso da exclusão, atrasei-me na faculdade…

Desde criança, gostava muito da área acadêmica (livros, documentários, folders), bem como gostava de criar, produzir… Era “diferente”. Mas gostava demais de brincar com outras crianças (!), dividindo o tempo com alguns adultos, com quem gostava muito de conversar sobre temáticas “que não eram pra minha idade”, tais como religião, experiências, saberes de vida.

Destacava-me na escrita, sendo escolhido na escola para participar de reuniões e escrever mensagens (1º Dia de Aula, Despedida de Diretora…). Até uma música de Carnaval fiz para a escola, em 2004. E esse fato serve para ilustrar outro “hobby” meu: criar musiquinhas com nomes de colegas e banalidades do dia a dia. E esse “hobby”, por sua vez, revela, também, meu lado criativo.

Na adolescência, encampava nos meus pensamentos temáticas como dívida externa brasileira, a implantação de uma faculdade em minha cidade (eu entrava em contato com o MEC, pedindo informações, e comecei a pesquisar o processo burocrático para a implantação de uma faculdade). Resguardado em minhas temáticas, sem muitos pares com quem conversar, tinha um grupo restrito de amigos, não era de frequentar festas.

Terminei o Ensino Médio. E acentuou-se a dimensão de minha condição. Ingressei na faculdade, ia para a instituição, mas faltava aulas para ir à biblioteca, com sede de um currículo “próprio”, mas com temas relativas ao curso. Atrasei-me no curso, e veio um drama. Levei anos e anos na faculdade, sendo motivo de chacota por colegas, até abrir uma crise familiar. Desmoronei. Sabia que gostava de estudar, mas o fato de não terminar o curso mostrava para todos alguém irresponsável.

Procurei ajuda. Enviava e-mails para vários profissionais. Nada de efetivo. Após cerca de 05 anos, abandonei a faculdade, ingressando em outra, onde me graduei. Foi um dos momentos mais dolorosos de minha vida tudo isso. Cheguei a procurar o Naahs de meu estado, mas, por ser do interior, o processo de identificação de altas habilidades era inviabilizado.

Com o tempo, por conta de minha formação profissional-pessoal, fui encontrando nomes para o que eu era: altas habilidades (me via em diferentes traços indicativos), sobre-excitabilidade emocional (foi tão libertador quando encontrei um nome para aquilo que sentia)!

Graduado, realizei o sonho de publicar livros (frutos de minhas idas à biblioteca da faculdade), e de cursar psicopedagogia. Já retornei à faculdade que um dia abandonei para ministrar minicursos sobre… Sim, sobre conteúdos que pesquisava na biblioteca quando faltava às aulas, como o latim e sua relação com o ensino de Língua Portuguesa. Como psicopedagogo, tenho as altas habilidades como uma bandeira.

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Descaso: Racismo & Altas Habilidades

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Entrevista: André Coneglian

André Coneglian

Supereficiente Mental: Ninguém nasce com consciência de sua própria superdotação, contextualize para nós a descoberta da sua.

André Coneglian: Desde que tenho consciência me sentia um ser estranho ao meu ambiente familiar, escolar, social. Era um esforço tremendo tentar administrar esse sentimento, precisando sobreviver em ambientes em que não me encaixava. Meu refúgio, de modo geral, foi o “estudo”. A biblioteca da escola de ensino fundamental era meu oásis. Meu quarto foi meu quartel general, local onde eu lia, escrevia, desenhava, ouvia minhas músicas. “Descobrir” a minha superdotação, ou melhor, dar um nome ao meu modo diferente de perceber e viver o mundo foi somente aos 37 anos de idade (2018), pois desde 2015 minha esposa e eu estávamos no mundo da AH/SD por conta do nosso filho mais velho. O desenvolvimento de uma gastrite nervosa e princípio de depressão quando ele estava com 4 anos de idade. Medicada a gastrite e o início da psicoterapia, ele passou por processo de identificação aos 5 anos, refeito quando ele completou 6 anos. No início de 2020 publiquei o livro “Cartas do menino do quarto para o mundo” (Editora Apprenhendere), no qual eu relato com mais detalhes esse processo de “descoberta” e escrevo cartas para meus pais, professores, amigos, psicólogos, autoridades, família (esposa e filhos), para Deus, proseando acerca da Superdotação em minha vida e o que ela significa.

SM: Quais são suas áreas de alta habilidade?

André: O relatório da minha avaliação psicoeducacional apontou AH/SD perfil acadêmico-intelectual. Sou de Humanas, amo a nossa Língua Portuguesa, amo estudar e conhecer outras Línguas. Sou Professor de Língua Brasileira de Sinais – Libras. Estudei Espanhol, Inglês e Italiano. Não me considero fluente em Inglês e Italiano. Amo História, Geografia, Sociologia e Filosofia. Sou curioso de todos os assuntos, inclusive Química e Física, entretanto, na área de exatas eu sempre fui um aluno esforçado. Hoje, como professor, entendo que foi mais uma questão de didática (ou a falta dela) e de metodologias ativas que não fui conquistado por essas áreas mais “duras” do conhecimento, pelas escolas que passei.

SM: Como foi a sua avaliação formal de superdotação e altas habilidades? Você considera que esse serviço profissional ainda é pouco acessível a boa parte da população brasileira?

André: Num congresso sobre Altas Habilidades/Superdotação na cidade onde resido atualmente, em março de 2018, minha esposa assistiu a um minicurso ministrado por Patrícia Neumann, acerca da “Sobre-excitabilidade emocional”. Além de ser um tema diferente acerca da Superdotação, chamou a atenção da minha esposa o fato da ministrante se apresentar como uma adulta superdotada e, como psicóloga, trabalhar com o processo de identificação de adultos. Terminado o minicurso, minha esposa a apresentou. Conversamos. Peguei o cartão. Menos de um mês depois eu tinha passado pelo processo de avaliação – respondi a um questionário de indicadores de AH/SD, entrevista com a profissional e aplicação do WAIS. A avaliação formal infelizmente é restrita, tanto por falta de profissionais habilitados como por questões financeiras (não é acessível a boa parcela da população), tanto de adultos como de crianças. Porém, acredito ser importante desmistificar a ideia de que a identificação é feita somente por psicólogos, neuropsicólogos ou psicopedagogos. É preciso investir na formação inicial e na formação continuada dos professores, primeiro com conhecimento teórico e instrumentos para identificar e direcionar os alunos identificados para o atendimento educacional especializado. Para os adultos há alguns programas em universidades que fazem o processo de identificação. Porém, fica restrito à um público. É preciso que outras frentes sejam fortalecidas como Associações voltadas para a visibilidade da AH/SD, por exemplo, para contribuírem nesse processo de identificação em adultos.

SM: Você é professor de Libras e portanto, acredito ter algum contato com a comunidade de pessoas surdas. Você já conheceu alguma pessoa surda com superdotação ou altas habilidades? Como se dá o diálogo entre essas duas comunidades na sua ótica?

André: Comecei a aprender Língua de Sinais no dia 12 de agosto de 2000 e desde lá nunca parei, sempre em contato com a Comunidade Surda, da minha cidade natal (Marília-SP), de Londrina-PR, onde moro desde 2013 e Surdos e ouvintes de outras cidades/Estados e até de outros países, em congressos e eventos. Os primeiros Surdos que conheci com a identificação de superdotados foi aqui em Londrina-PR, alunos da rede estadual de educação que frequentavam a Sala de Recursos para AH/SD. Depois dessa experiência, lembrei de alguns outros Surdos da minha cidade que dentro da Comunidade Surda se destacavam por alguma habilidade ou talento que não era comum aos demais. Precisamos nos perguntar a todo momento: quem está medindo a diversidade, quem define os padrões do que é “típico” e o que é “atípico”? A concepção de deficiência, por exemplo, é dada em função da “falta”, imbricada no senso comum de que essa falta significa “incapacidade”, uma incapacidade que é generalizada, como se o sujeito cego ou surdo, além de não poder ver ou ouvir, também não são capazes de pensar, serem criativos, possuírem habilidades e talentos como qualquer outro ser humano e são, dupla ou exponencialmente mais excluídos. É preciso que nós profissionais da Educação, Psicologia, Sociologia e outras áreas possamos descontruir mitos que aprisionam a Surdez – e as outras deficiências, quanto da Superdotação, como se fossem caixinhas e áreas estanques.

SM: Ainda no que tange o ensino de Libras, você já chegou no ambiente universitário a trazer a pauta de altas habilidades para a sala de aula? Como foi?

André: A Superdotação familiar demanda muita energia. Como professor universitário responsável por uma disciplina específica, busco situa-la dentro da grande área a que pertence: a Educação Especial. Assim, desde que estou envolvido politicamente com a Superdotação, levanto as questões que envolvem a área. Deixo espaço para os alunos perguntarem e dou sugestões para os interessados se aprofundarem no tema. Um dos episódios mais marcantes desse tipo de abordagem nas aulas de Libras, foi uma aluna do curso de Pedagogia, mãe de um menino superdotado, porém, decidiu em conjunto com a psicóloga não contar ao filho que ele era superdotado. As justificativas dela estavam envoltas com alguns mitos como “a criança pode ficar soberba em relação aos demais”, “escola e familiares tratariam o filho de modo diferente dos demais” e eu argumentava dizendo que era direito do menino saber, pois de algum modo, o sujeito sempre sabe que é diferente.

SM: Você cursou licenciatura plena em pedagogia na UNESP durante a primeira metade dos anos 2000. Durante a graduação qual foi o seu contato com a pauta de altas habilidades ou superdotação? Ao que você relaciona essa abordagem?

André: Além de ser uma licenciatura plena, escolhi a formação na Educação Especial. O currículo à época tinha três semestres exclusivos para a área escolhida: Deficiência Auditiva, Física, Intelectual ou Visual, com disciplinas e estágios específicos. Porém, nenhuma disciplina versou sobre a educação de alunos com Altas Habilidades/Superdotação. Uma falha em praticamente 95% dos cursos de formação de professores. Os demais 5% atribuo que a disciplina ou tópicos sobre a educação dos superdotados exista em função dos pesquisadores que são docentes em cursos de graduação e pós-graduação. É preciso intervir urgentemente nos currículos das licenciaturas e psicologia.

SM: Você ou algum membro de sua família faz uso de algum acompanhamento psicológico? Em caso positivo fale como isso funciona para vocês.

André: No momento não, mas já fizemos. Nosso filho mais velho foi o que mais fez psicoterapia, o que para nós nunca foi despesa e sim investimento. A psicóloga fez um excelente trabalho buscando ensinar como reconhecer sentimentos e emoções, nomeá-los, modos de expressá-los e administrá-los. No meu caso, foram quatro sessões (no início de 2019) para começar a aprender a lidar com a depressão… Eu gostaria de ter continuado, porém, por questões financeiras não pude. Todo mundo deveria fazer terapia na vida.

SM: Você é pesquisador e professor universitário, quais são os seus pensamentos sobre realizar uma pesquisa na área de altas habilidades ou superdotação?

André: A universidade foi um ambiente que almejei na minha formação. Quando descobri que meus professores recebiam salários para estudarem e desenvolverem pesquisas, decidi que era o que queria para minha vida. De certo modo, a universidade pública – é preciso reforçar, a universidade pública, é um campo fértil e oferece um certo grau de liberdade. Dentro da área escolhida, desenvolver o tripé Ensino-Pesquisa-Extensão, com possibilidades múltiplas de inter e transdisciplinaridade com outros cursos e áreas do conhecimento. Meus planos de curto e médio prazo envolvem um segundo doutorado, agora em Educação, para desenvolver pesquisa na área da Superdotação. Infelizmente, o “certo grau de liberdade” das universidades acaba criando guetos e muitos pesquisadores não estão dispostos a reverem suas “crenças acadêmicas”.

SM: Você ou algum membro da sua família faz uso de algum acompanhamento psicopedagógico? Em caso positivo fale como isso funciona para vocês.

André: Atualmente não. Nosso filho caçula fez acompanhamento psicopedagógico com propósito específico: testes para verificar se estava em condições de frequentar o primeiro ano do ensino fundamental. Em função da data de aniversário ser posterior à chamada “data corte” que na maioria dos Estados brasileiros é 31 de março, para a criança ser matriculada no ensino fundamental. A psicopedagoga disse que ele estava em plenas condições para ser matriculado e frequentar o primeiro ano do ensino fundamental com 5 anos e oito meses, porém, o Conselho Municipal de Educação negou nosso pedido e precisaríamos enfrentar um processo judicial para levar adiante nosso pedido. Preferimos não. Entretanto, ele fez o último ano da Educação Infantil lendo e escrevendo. Iniciou o ano letivo de 2021 no primeiro ano do ensino fundamental muito adiantado em relação à turma. Nos próximos anos teremos que pensar em um processo de aceleração como fez o filho mais velho, o qual está no sétimo ano do ensino fundamental com 10 anos de idade (dois anos a frente, pois não pegou a “data corte” na transição da educação infantil para o ensino fundamental e no ano de 2019, iniciou o quarto ano e em abril foi acelerado para o quinto ano).

SM: O que é ser um pai superdotado com filhos superdotados?

André: Não há paternidade/maternidade perfeitos. Conscientes de que não há perfeição, minha esposa e eu, buscamos educar os filhos primeiro, para serem seres humanos responsáveis individual e coletivamente. Questões próprias da Superdotação, como senso de justiça extremamente elevado acabam contribuindo para a discussão de muitas questões. Deixamos evidente para eles que nossa educação – minha e da minha esposa, quando fomos crianças/jovens em nossas famílias, nossos pais e irmãos não sabiam que tínhamos Superdotação e certas posturas e “correções” não foram adequadas causando uma série de dificuldades. É algo que buscamos evitar: “traumas desnecessários”, pois há traumas dos quais não se pode fugir, pela simples condição de sermos humanos: crescer e amadurecer dói. Crescer e amadurecer, sendo superdotado, com todas as sobre-excitabilidades, é exponencialmente mais doloroso! Porém, com o meio ambiente adequado e as ferramentas importantes é possível sobreviver a esse processo.

SM: Algum lema motivacional?

André: A literatura é uma das minhas paixões. Tenho um amor especial por Cecília Meireles. Tudo o que ela foi, tudo que ela realizou, tudo o que ela escreveu, de poemas, contos, crônicas (e muito mais), tudo dela me emociona, me eleva a alma. De tantas maravilhas que ela escreveu, sempre repito um verso: “A vida só é possível reinventada”. Nesse poema – “Reinvenção”, ela repete a palavra vida: “ Mas a vida, a vida, a vida/ a vida só é possível reinventada”. Entendo que a repetição é no sentido “a vida que vale a pena”, “aquela que posso chamar realmente de ‘vida’” e a reinvenção, para mim, necessariamente é feita pela Arte nas suas mais diversas possibilidades (artes plásticas, cênicas, literatura), também pela contemplação da Natureza (contemplação para aprendizagem). Também gosto de outro verso famoso de Cecília: “Aprendi com as primaveras a deixar-me cortar e a voltar sempre inteira”. “Deixar-se cortar” tema ver com as agruras da vida, não podemos fugir delas, mas é preciso reflorescer, renascer. Apesar de que nos últimos anos para cá tenho andado muito mais pessimista, ou melhor, não acredito num mundo melhor, com pessoas melhores. A jornada para o crescimento (intelectual, cultural, espiritual…) é sempre individual, uma escolha pessoal e são poucas as pessoas dispostas a enfrentar essa jornada, muitas vezes solitária. Assim, não teremos mudanças significativas na humanidade, no mundo, pois a maioria prefere a superficialidade, o raso.

SM: Você foi presidente da Associação Londrinense de incentivo ao Talento e Altas Habilidades/Superdotação na gestão de 2017/2019. Conte como foi esse processo de aproximação e distanciamento da Associação. O que você conseguiu desenvolver durante a sua gestão?

André: Fui presidente na gestão 2017/2019, continuo sócio. A pandemia atrapalhou muitos planos. A experiência foi incrível, para o bem e para o mal. Tive contato com outras famílias e superdotados com histórias bem distintas e distantes da minha história, mas também com muitas histórias próximas. Foi a experiência na presidência da associação que me desestabilizou internamente, levando minha busca pelo processo de identificação. Associação é trabalhar pelo coletivo, e infelizmente nossa formação cultural no Brasil, de modo geral é pelo individualismo. “A lei de Gerson”, o que é melhor para mim, independente de quem esteja do meu lado ou que mal provoque aos outros o meu bem-estar. As pessoas estão ocupadas com suas rotinas de trabalho, estudos, vida social (clubes, igrejas). Fazer parte de uma associação de modo pró-ativo requer mais tempo e será um tempo “gasto” em prol de outros, cujos resultados podem não ser imediatos.

SM: Algum recado pra galera?

André: Provavelmente, a “galera” que acessou esse site e está lendo essa entrevista e conseguiu chegar até aqui, são pessoas que possuem algum interesse na área da Superdotação. Pais, mães, professores, psicólogos em busca de informações sobre o tema. O meu recado é: leia tudo o que puder, converse com pessoas envolvidas com a temática, ouçam todos os lados, sejam críticos. Se envolvam ativamente, independentemente se a Superdotação faz parte do seu dia a dia. Seja multiplicador do conhecimento. Superdotação não é glamour, o sujeito não quer aparecer. Ele só não pode ser medíocre, pois a mediocridade é contra a natureza dele. E quando ele se move para a natureza dele, ele está se realizando. Obriga-lo a mediocridade é gerar sofrimento emocional, psicológico e perdas de outras ordens. E é contra as causas desses sofrimentos que buscamos lutar!

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