Proficiência: Executor Exímio

Coreografia: Coreógrafos & Coreografados

Coreografia: Coreógrafos & Coreografados


Por Executor Exímio entende-se a pessoa capaz de performar com excelência uma dada atividade que requer extremo domínio das habilidades envolvidas. No campo da matemática um Executor Exímio performa cálculos e raciocínios complexos, na música performa concertos difíceis, no esporte performa acrobacias de nível olímpico e nas artes plásticas performa réplicas que o olhar leigo não consegue distinguir das obras originais.

Criação (original) & Reprodução (réplicas)

Criação (original) & Reprodução (réplicas)


Tamanha excelência requer níveis variados de talento (vide Mozart e Alan Turing), mas exige inegociavelmente um comprometimento com a tarefa a que se propôs. Entretanto um Executor Exímio não se caracteriza por criar novos modos de ser, entender ou apreciar o real, mas sim por reproduzir com maestria feitos já alcançados por predecessores e assim a criação do inédito não lhe diz respeito, pois lhe falta ora algum tanto de instrumental, ora o simples interesse.

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Direito: Art. 59 da Lei de Diretrizes e Bases – Lei 9394/96

LDBE – Lei nº 9.394 de 20 de Dezembro de 1996
Estabelece as diretrizes e bases da educação nacional.

Art. 59. Os sistemas de ensino assegurarão aos educandos com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades ou superdotação: (Redação dada pela Lei nº 12.796, de 2013)

I – currículos, métodos, técnicas, recursos educativos e organização específicos, para atender às suas necessidades;
II – terminalidade específica para aqueles que não puderem atingir o nível exigido para a conclusão do ensino fundamental, em virtude de suas deficiências, e aceleração para concluir em menor tempo o programa escolar para os superdotados;
III – professores com especialização adequada em nível médio ou superior, para atendimento especializado, bem como professores do ensino regular capacitados para a integração desses educandos nas classes comuns;
IV – educação especial para o trabalho, visando a sua efetiva integração na vida em sociedade, inclusive condições adequadas para os que não revelarem capacidade de inserção no trabalho competitivo, mediante articulação com os órgãos oficiais afins, bem como para aqueles que apresentam uma habilidade superior nas áreas artística, intelectual ou psicomotora;
V – acesso igualitário aos benefícios dos programas sociais suplementares disponíveis para o respectivo nível do ensino regular.

Art. 59-A. O poder público deverá instituir cadastro nacional de alunos com altas habilidades ou superdotação matriculados na educação básica e na educação superior, a fim de fomentar a execução de políticas públicas destinadas ao desenvolvimento pleno das potencialidades desse alunado. (Incluído pela Lei nº 13.234, de 2015)

Parágrafo único. A identificação precoce de alunos com altas habilidades ou superdotação, os critérios e procedimentos para inclusão no cadastro referido no caput deste artigo, as entidades responsáveis pelo cadastramento, os mecanismos de acesso aos dados do cadastro e as políticas de desenvolvimento das potencialidades do alunado de que trata o caput serão definidos em regulamento.

(Fonte: http://presrepublica.jusbrasil.com.br/legislacao/109224/lei-de-diretrizes-e-bases-lei-9394-96#art-59)

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Controvérsias: Neuronormatividade & Clivagem Social

neuronormatividade

neuronormatividade

Por Neuronormatividade entenderemos atitudes e códigos neurotípicos de caráter normativo e normatizante, onde tal norma não contempla os direitos e interesses neurodiversos. Portanto a neuronormatividade encerra um modo de pensar restritivo e homogenizante ao represar, estagnar e esterilizar idéias e comportamentos divergentes. Já a Clivagem Social se caracteriza por reduzir o alcance e a influência de um indivíduo em um dado contexto interpessoal, ou seja, a própria potência individual se vê sabotada pelo arbítrio alheio.

cegueira cultural, olhar viciado, preconceito hereditário

cegueira cultural, olhar viciado, preconceito hereditário

No silêncio neuronormativo opera-se sonambulamente uma série de clivagens sociais, onde eventualmente o oprimido almeja o status de opressor e assim replica antigas opressões com novos requintes de crueldade. Uma vez descrente de seus talentos e idiossincrasias o neurodiverso se vê incapaz de resistir ao endeusamento e à hostilização compulsórios de figuras autoritárias, à tentação do poder hierárquico e estrutural. O maquinário repressor converte suas vítimas em sacerdotes obedientes, reforçadores de suas políticas perversas.

exclusão social

exclusão social

Nós, neurodivergentes, vivemos em constante estado de alerta, atentos aos toques de recolher, o ressoar das sirenes; sobrevivemos silenciados por um apartheid não declarado, vítimas de uma tradição inercial que não permite o convívio pacífico, muito menos o reconhecimento amplo e pleno de nossa natureza singular. Ou seja, somos invisibilizados e inviabilizados, reduzidos a meras sombras do que poderíamos ter sido caso fôssemos vistos pelo que somos; reivindiquemos pois nosso locus social, precisamos assumir nosso posto de Agentes Sociais e não simplesmente entregar de mão beijada nossos direitos para o abatedouro. Só o neurodiverso pode representar com fidedignidade e legitimidade nossa causa.

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Descaso: Subrendimento

Tédio Acadêmico

Tédio Acadêmico

Por subrendimento entende-se um rendimento abaixo da média neurotípica ou muito abaixo do potencial neurodiverso próprio ao indivíduo em questão. Agora, quais são os obstáculos à conversão do talento em virtuosidade? Os empecilhos se distribuem em comorbidades, controvérsias e descasos que abrangem mas não se limitam à insônia, xenofobia neurocognitiva e evasão escolar.

Cultura Televisiva

Cultura Televisiva

A sociedade como um todo e em especial os funcionários institucionais precisam pousar um olhar mais atencioso e rico em compaixão sobre o superdotado, ouví-lo de braços abertos e tomar em consideração o conteúdo exposto ao invés da embalagem social e hierárquica. Pressupondo que o subrendimento deriva de um não aproveitamento pleno, precisamos desenvolver alternativas e reivindicar acomodações que possibilitem então a realização pessoal do sobredotado assim como dos demais neurodiversos.

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Direito: Ao Espaço Pessoal

Para fins práticos e elucidativos o binômio direito/dever encontra-se empregado neste e em demais ensaios do SuperEficiente Mental com os seguintes significados: por direito/dever entende-se um corpo teórico de boas práticas para o convívio em sociedade; como prerrogativa máxima do direito atribuísse ao próprio indivíduo o modo de uso assim como a livre abstenção de seus direitos, o direito visa assegurar a livre expressão do modo de ser de cada um; como prerrogativa mínima do dever atribuísse a todos conscientizar o outro no que pertine o respeito aos indivíduos em geral ou em relação ao caso em pauta, o dever visa proteger um segundo da livre e espontânea pressão de um primeiro.

Dilemas do Diálogo

Dilemas do Diálogo

Sigamos pois para a temática central deste ensaio, o que é Espaço Pessoal? Por espaço pessoal entende-se não apenas o corpo propriamente dito, mas também um entorno físico e psicológico, assim como a propriedade privada do indivíduo em questão. Agora, por que devemos preservar a integridade desta região? Porque também pode-se entendê-la como a zona de conforto alheia, confortável se, somente se, quando vazia de terceiros ou quando estes circulam e praticam atividades na mesma com o devido aval. Quando fulano adentra as premissas de beltrano sem consentimento gera neste segundo um desconforto proporcional ao grau de invasão, beltrano fica atento tanto calculando os riscos derivados do contato não premeditado assim como avaliando a extensão da ofensa cometida. A infração pode inclusive tragar a vítima para uma zona de pânico, onde complexos processos de trauma, despersonalização e desrealização se proliferam morbidamente, casos não raros de assalto, tentativa de homicídio, agressão física ou verbal, bullying, estupro, perseguição continuada, coação, chantagem, cárcere privado, difamação, sequestro, entre outros.

Zona do Pânico

Zona do Pânico

Deve-se portanto respeitar o Espaço Pessoal de cada um e ao transitar pelo mesmo sempre levar em consideração as fragilidades e idiossincrasias do ser singular em questão. Todos temos o dever de não invadir o Espaço Pessoal de ninguém, de não abrir a porta do banheiro alheio sem bater enquanto o outro o utiliza, de não derrubar a porta da casa do vizinho e invadir-lhe o domicílio, não ler o diário de alguém sem permissão, não espalhar segredos confidenciados, não divulgar a intimidade do outro sem aval. Espere a pessoa lhe dar espontaneamente o direito de transitar pelo íntimo da mesma, lhe dar a chave de casa, o mais importante de tudo: consentimento. E caso você pise nos dedos, pés ou mãos de alguém, saiba assumir sua indiscrição, inconveniência ou mesmo ofensa, peça desculpas.

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Entrevista: Luiz Filipi Sousa Moura

Luiz Filipi Sousa Moura

Luiz Filipi Sousa Moura

Supereficiente Mental: Ninguém nasce com consciência de sua própria superdotação, contextualize para nós a descoberta da sua.

Luiz Filipi: Certo dia, Deus veio até mim, disse que eu era filho dele e disse minha missão na Terra.
Mentira… É difícil definir uma data exata e acho que é mais coerente dizer que não há. Minhas memórias são mais claras a partir dos meus 5 anos de idade. Desde essa data eu me sentia destacado intelectualmente em relação aos meus pares. Mas a consciência de minha própria superdotação se tornou cada vez mais inexorável a cada ano.

SM: Quais são suas áreas de alta habilidade?

Luiz: Pelo que pesquisei, a Política Nacional de Educação Especial de 1994 divide portadores de altas habilidades entre: tipo intelectual, tipo acadêmico, tipo criativo, tipo psicomotor, tipo social e tipo talento especial. Acredito que eu tenha altas habilidades em quase todas as áreas e que uma área influencia em outra. As ordenei na ordem de maior a menor afinidade comigo.

SM: Participaste de alguma iniciativa de apoio aos alto habilidosos? Em caso positivo fale um pouco mais sobre essa experiência, em caso negativo por que não?!

Luiz: Não é da minha índole procurar ajuda. Nem mesmo quis entrar para uma sociedade para pessoas com alto QI. Apesar das dificuldades diárias, sempre me dei bem sozinho.
Durante e após passar por maus bocados na faculdade, eu percebi que a diferença que eu tenho com os outros não é só um obstáculo a ser passado e acrescentar algum aprendizado, mas também um obstáculo que não pode ser passado e que pode machucar gravemente.
Desde então eu entendo a necessidade de um apoio aos alto habilidosos. E é também graças a esse entendimento que eu aceitei dar meu depoimento aqui.

SM: Fazes uso de algum aconselhamento psicopedagógico? Em caso positivo fale como isso funciona para você.

Luiz: Depois dos problemas que tive na faculdade fui a alguns psicólogos, psiquiatras e neurologistas, mas não devido, pelo menos não diretamente, à minha superdotação. Hoje ainda mantenho consultas psicológicas e esse assunto é algo que vou acrescentando aos poucos, e na própria análise do meu passado e da minha personalidade a superdotação se torna algo que brota naturalmente porque é algo que faz parte do que eu sou. Também recebo conselhos de pessoas próximas, principalmente minha mãe, mas não é perfeito e às vezes é frustrante, pois nenhum deles sente as coisas da mesma forma.

SM: Quais cursos universitários você cursou e o que lhe atraiu em cada um deles?

Luiz: Tive dificuldades para escolher um curso porque tenho habilidades em várias matérias. Então aos 17, decidi cursar algo que me trouxesse uma boa profissão porque não precisaria cursar algo para abastecer minha filosofia, essa eu abasteço melhor sozinho. Então entrei na faculdade de Design de Jogos e Entretenimento Digital. Mas o curso era muito fraco e não aguentei mais do que um semestre.
Então mudei para o curso de Física. Pois esse curso me trouxe curiosidade desde pequeno, motivado pelo meu pai que também fez esse curso. Mas percebi que gostar e ser bom em uma matéria não significa ter vocação para conviver e exercer ela dia após dia. E apesar de não ter continuado o curso, esse foi o único que não tive muitos problemas de adaptação.
Por fim, mudei para um curso noturno de psicologia numa faculdade pequena, algo obviamente muito aquém do meu potencial, mas que por outro lado me daria muito tempo livre para fazer outras coisas e me envolver em estudos individuais. Esse acabou sendo maior erro da minha vida…

SM: Quais foram suas dificuldades adaptativas no contexto acadêmico? Que atendimento ou acomodações você gostaria que entrassem em vigor a fim de tornar o curso superior tolerável?

Luiz: Os problemas que tive em minha última faculdade não considero como uma dificuldade adaptativa no contexto acadêmico, mas uma dificuldade adaptativa naquele cenário em particular. Em geral, me adapto bem à convivência social com pessoas — pelo menos não costumo me ferir muito —, exceto por aquele meio específico que me deixou muito ansioso.
Fora isso, a maior dificuldade eu imagino ser originada pela falta de reconhecimento dos superdotados pela sociedade em geral. Como quando eu tinha 8 anos, por que me constrangeram por ter feito um trabalho avançado? Afinal, tinha apenas 8 anos…
E na minha opinião, a academia ideal apenas é possível no mundo das ideias…

SM: Quais são suas perspectivas acadêmicas e profissionais de agora em diante?

Luiz: Passo por um momento de muitas dificuldades psicológicas e filosóficas. Eu penso ser importante me estabilizar psicologicamente e em outros setores da vida, tanto economicamente quanto amorosamente, antes de me empenhar em algum projeto. À parte de tudo, meu maior interesse está em minha filosofia e desenvolvimento pessoal. E no âmbito acadêmico minhas aspirações estão próximas às minhas habilidades que eu imagino estarem voltadas a assuntos filosóficos além ou aquém axiomáticos, ontologia, filosofia da ciência, filosofia das ciências, filosofia da matemática, filosofia da mente, psicologia cognitiva, psicometria, e afins, escorrendo daí para as diversas áreas. Quem sabe até alguma coisa sobre matemática ou até artes, meu interesse é amplo…

SM: Algum lema motivacional?

Luiz: Não. Isso seria definir um norte e eu deveria ser muito presunçoso para isso.

SM: Algum recado pra galera?

Luiz: Caso você esteja falando das embarcações, meu recado é: “Navegar é preciso, viver não é preciso.”

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Alternativa: EAD

EAD (Educação à Distância)

EAD (Educação à Distância)

Entende-se por EAD (Educação à Distância) uma modalidade educacional mediada por tecnologias em que discentes e docentes estão separados espacial e/ou temporalmente, ou seja, não estão ambos simultaneamente em um ambiente presencial de ensino-aprendizagem. Um dos primeiros casos de que se tem notícia remete a 1833 na Suécia com um curso de contabilidade, em 1856 surgiu um instituto com ensino de línguas à distância na Alemanha. Já no Brasil em 1992, foi criada a Universidade Aberta de Brasília (Lei 403/92), podendo atingir três campos distintos: a ampliação do conhecimento cultural com a organização de cursos específicos de acesso a todos, a educação continuada, reciclagem profissional às diversas categorias de trabalhadores e àqueles que já passaram pela universidade; e o ensino superior, englobando tanto a graduação como a pós-graduação.

A Era da Informação Chegou

A Era da Informação Chegou

Com o advento do computador pessoal e da internet ficou cada vez mais fácil para o superdotado ter acesso ao conhecimento de seu interesse, não ficando portanto dependente do orçamento doméstico nem da diversidade bibliográfica disponível nas bibliotecas locais. Agora, o neurodiverso possui uma alternativa ao dia-a-dia universitário, podendo optar por ficar em casa e aplicar sozinho seu comprometimento à tarefa, assim muitos encontram solução para as dificuldades adaptativas seja relativas ao convívio social ou a burocracia metodológica da didática apresentada em aula. Contornar estruturas de poder e comorbidades já consome bastante energia, muitas vezes mais do que pensávamos que tínhamos à disposição, não está na hora de considerarmos a Educação à Distância?

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