Descaso: Superdotados Adultos

O tema Superdotados Adultos parece até mesmo um tabu nas comunidades de altas habilidades; não há nenhuma preocupação governamental ou institucional em identificá-los e quando há iniciativas, geralmente pagas, para sua certificação como sobredotado o passo seguinte se resume a devolvê-los para o limbo do qual emergiram com muito esforço e custo. Os Superdotados Adultos estão tão no mundo quanto os psicopatas, entretanto estes últimos recebem bem mais notoriedade midiática, quando não acadêmica. O descaso se mostra generalizado e até mesmo os especialistas falham neste quesito, eu mesmo demiti minha psicopedagoga por incompetência, durante meses e mais meses de enrolação a mesma não conseguiu entregar nenhum valor durante as consultas e enquanto isso as minhas necessidades gritando sob as bochechas.

BRISTOL, UNITED KINGDOM - MARCH 10:  Kerrie Grist looks at a real human brain being displayed as part of new exhibition at the @Bristol attraction on March 8, 2011 in Bristol, England. The Real Brain exhibit - which comes with full consent from a anonymous donor and needed full consent from the Human Tissue Authority - is suspended in a large tank engraved with a full scale skeleton on one side and a diagram of the central nervous system on the other and is a key feature of the All About Us exhibition opening this week.  (Photo by Matt Cardy/Getty Images)

Digno de Estudo e Atenção Pública

Falando de mim novamente, porém com cuidado para não transformar o tópico nUma Introdução Pessoal, eu gostaria de informar que fui diagnosticado como portador de altas habilidades com superdotação acadêmica lógico-matemática, verbo-lingüística em 2007 pela APAHSD aos meus 16 anos. No início do mesmo ano eu já suspeitava de tanto e freqüentava comunidades no orkut sobre a temática, a gota d’água foi a diretora do meu colégio me chamar de superdotado, pois apesar das minhas faltas e ausência de exercícios eu apresentava uma das melhores notas da sala por puro autodidatismo. Uma vez diagnosticado me entregaram ao limbo novamente com a desculpa de que não dispunham de serviços e atendimentos para alguém com as minhas habilidades e idade, ou seja, encontrei o meu povo só para eles também terem o gostinho de me ostracizar seja por incompetência, seja por má fé; pouco importa agora.

Sem protagonismo até quando? Cadê a nossa representatividade?

Sem protagonismo até quando? Cadê a nossa representatividade?

Se passaram mais 5 anos até eu conjurar forças para por em prática a iniciativa do Supereficiente Mental, eu acabara de publicar meu primeiro livro Caro Jovem Adulto e me senti retornado ao mundo do jeito que eu gostaria de retornar, restava apenas retomar prioridades um tanto quanto negligenciadas por desgosto e mágoa. Desde o ensino médio eu vejo ‘superdotados’ brincando e competindo online com notas e desafios de testes de QI, sem grandes preocupações com questões mais relevantes e menos masturbatórias, tais como a solidão que a presença alheia só amplifica, a miopia alheia frente as nossas sensibilidades e inteligências, a falta de interesse em elaborarmos um propósito maior para nossas vidas tão singelas e em processo constante de extinção. Hoje em dia me recuso a cair no torpor do descaso, o descaso do outro é problema dele, eu farei o que puder com minhas próprias mãos para dar sentido a esse caos cósmico, vivo, humano e neurodiverso; nos interstícios do mundo e da internet há outros, e eu vos clamo.

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Sobre Filipe Russo

Filipe Albuquerque Russo nasceu em 22 de Agosto de 1990 em São Paulo, capital e foi criado em Manaus, Amazonas. Aos 16 retornou a sua cidade natal onde reside atualmente. Caro Jovem Adulto, seu primeiro romance estabeleceu em 2012 a estréia tripla de Filipe Russo no cenário artístico brasileiro (tipográfica com Limite Circular, fonte original exclusivamente manufaturada para a obra; fotográfica com Iluminado Expandido, capa original do livro e enfim a obra literária propriamente dita).
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8 respostas para Descaso: Superdotados Adultos

  1. Agora temos mais um pesquisador para ajudar Adultos AH/SD. Sim, somos invisíveis quando precisamos de cuidados e somos hostilizados quando os neurotípicos nos rejeitam. Difícil ser feliz assim, mas, quer saber? Se inteligência é a capacidade de resolver problemas, a gente resolve também este!

  2. Elioenai B. disse:

    Muito bom,são poucos que encontrei em meio a este mar de conteúdo sobre o assunto que trouxeram uma fala mais pessoal. Há cerca de um ano e meio comecei a pesquisar com muito afinco o assunto,e analisando de maneira cuidadosa tentei buscar alguma pista a meu respeito,pois muitas características sempre me acompanharam e sempre notei muita diferença entre a minha pessoa e as demais,desde criança até agora como jovem adulto.O fato se ressaltou mais depois que larguei o 2º curso de graduação.Apesar de certo receio fiz testes de QI e obtive uma pontuação considerável,porem, alguns fatores me causaram certo incomodo,como a dupla excepcionalidade e um grande desconforto em relação a assincronia.Pois julgo possuir ambos os fatores.
    Tenho 19 anos e é a primeira vez que escrevo sobre este assunto,sempre senti vergonha e desconforto de falar sobre isso com outras pessoas,pois tenho receio de me expressar mal ou de ser compreendido de maneira equivocada,porque não tenho nenhum veredicto sobre o tema em relação a minha pessoa.Os fatos e casos que tenho relatados são de apenas e de simplesmente minha observação e autoavaliação.Concluindo,gostaria que se fosse possível me ajudassem,porque tenho um ” pé atrás ” em relação a isto e gostaria de tirar de uma vez por todas esta dúvida.
    Muito obrigado e um abraço

    • Filipe Russo disse:

      Então Elioenai, caso você busque um parecer profissional com direito a atestado de suas condições neurodiversas aconselho que encontre psicólogos especializados na área para dar entrada nessa ‘papelada’. Caso queira compartilhar sua trajetória pessoal lhe convido a produzir um relato para este site, onde outros semelhantes mas tão diversos quanto você possam se sentir acolhidos e reconhecidos.

  3. Marcos Junior disse:

    Olá, eu tenho 34 anos, acredito ser um adulto superdotado, tenho um filho de 12 anos o qual também possui diversas características de ser um superdotado. Fiz contato com a APAHSD e pretendo levá-lo para que realize os testes. Quanto a mim, sofro de alguns problemas devido ao fato de possuir, creio eu, um nível de intelecto mais elevado. Sou afastado, sofro de ansiedade e tristeza, não consigo ter amigos, apesar de me relacionar bem com os colegas de trabalho. Os meus assuntos favoritos (astronomia, matemática, história) normalmente não são os mesmos que meus colegas gostam de discutir. Precisei me adaptar, me acostumar, vencer bullyng, hoje sou um homem, pai de família, com um emprego comum. Quando fui tirar minha habilitação, ao passar pela psicóloga, meu QI foi elogiado, mas não me interessei em saber o resultado e isso já faz algum tempo, dos testes que ja fiz pela internet, a minha nota mínima foi 117, não quero levantar discussão acerca dos testes de internet pois eu mesmo não os considero confiáveis. Estou interessado em fazer um teste de Qi profissional, mas ao mesmo tempo em que não achei muito facil conseguir algum psicologo que o aplicasse, não sei qual a real relevância disso para mim, uma vez que a minha pergunta não é se sou assim, mas o que fazer com isso. Quanto ao meu filho, constantemente eu minha esposa paramos para assistir às suas aulas de história e ciências naturais kkk, vou levá-lo à APAHSD, pois temo que ele possa sofrer o que eu já sofri, por ter vivido uma vida sem amigos e sempre incompreendido.
    Fica o meu elogio ao espaço criado para pessoas como nós, este espaço que já está nos meus favoritos.
    Abraços.

    • Filipe Russo disse:

      Olá Marcos,

      eu fico contente com o seu contato. Comentários como o seu enriquecem o diálogo, pois nos tiram da Superdotação quanto tópico dissertativo e nos trazem direto pra realidade neurodiversa desses indivíduos nos quais me incluo. Gostaria de convidá-lo a colaborar com um relato pessoal para este site e assim compartilhar com a comunidade as suas vivências.
      Segue abaixo um link com os relatos de colaboradores prévios:
      https://supereficientemental.com/category/relato-pessoal-2/

      Grato,

      Filipe

      • Marcos Junior disse:

        Muito obrigado pela sua resposta.
        Me interessa muito poder fazer um relato, uma vez que tenho muitas características em comum com a descrição de um adulto superdotado, apesar de não ter como atestar isso. Mas ao mesmo tempo tenho certo receio pois me baseio apenas nas coincidencias das experiências que eu li neste site e as minhas, que são muitas. Mas diferentemente dos que postaram tais experiências, aqui os relatos são de pessoas que tiveram esta superdotação atestada por entidades diversas e seguiram carreiras acadêmicas com enorme sucesso. Eu sou diferente neste ponto, as coincidências são restritas às experiências na escola e aos aspectos psicológicos. No mais, e isso me frustra, sinto que fui “freado” pela vida e pelas faltas de opções proporcionados pelo lugar onde passei minha adolescência e parte da minha maturidade, longe há 100km de uma faculdade. Aos 22 me tornei chefe de família, responsabilidade que assumi com alegria, mas com isso acabei me tornando um funcionário público, me acomodei, mas o que eu tenho está longe de ser o que eu sempre almejei. Depois de muitos anos deprimido, me achando um “puro sangue puxando carroça” (Engenheiros do Hawaii), e mesmo depois de ter passado por psicólogos, resolvi fazer uma introspecção que me levou à conclusão de possível superdotação. Sei que nunca vou recuperar o tempo perdido, mas hoje, aos 34, estou no curso de Engenharia Eletrônica, numa tentativa de me por nos trilhos de algum jeito.
        Fico grato pelo convite, iniciarei ainda hoje um relato pormenorizado, mas gostaria que postasse apenas se realmente achar que interessa aos propósitos do seu site.

      • Filipe Russo disse:

        Fico no aguardo do relato então, Marcos. Não esqueça que precisamos de uma foto sua para ilustrar o mesmo. Quando estiver pronto pode enviar para russo.filipe@gmail.com.
        Grato,
        Filipe

  4. Raquel disse:

    Tá… Mas e aí?

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