Comorbidades: Complexo de Superior & Inferior

Inferior? Ou superior? Ou...

Inferior? Ou superior? Ou…

Perceber-se diferente e não necessariamente saber o porquê ou como explicar a outrém, ou pior ainda: tentar convencê-los da verdade enquanto eles esnobam o que consideram ser apenas um desesperado e desprezível pedido de atenção. Pois bem, a superdotação é uma carência; não de holofotes, outdoors e/ou autógrafos, mas sim de estímulo, atividades acolhedoras e oportunidades inclusivas. A marginalização e a falta de compatibilidade com os demais muitas vezes coage o superdotado a se inferiozar por não se considerar um membro do grupo. Quando coroados com o título mitológico de sobredotado de repente se deparam com a pressão pessoal e social de fazerem jus ao cargo temendo serem destronados de volta ao ostracismo. Essa cobrança acentua o perfeccionismo muitas vezes inerente dos mesmos a níveis, por vezes até patológicos, levando-os a metas, prazos e intenções de conquista herculianos. O portador de altas habilidades não possui obrigação nehuma de produzir feitos geniais por mais que para tanto esteja naturalmente encaminhado.
Perceber-se diferente e enfim saber o porquê, entender a razão do tédio, da raiva e da tristeza; a impotência de agir no mundo tão adequadamente quanto se sente necessário. Tanto pode amargurar um alto habilidoso, principalmente em caso de diagnóstico tardio ou ausência do mesmo, preenchê-lo com um rancor tirânico e fazê-lo sentir-se melhor do que o outro e não apenas em referência a talentos, sensibilidades e inteligências, mas sim num espectro global e subjetivo e antissocial.
Ou seja, facilmente um superdotado cai para um desses lados do desfiladeiro psicológico e não raro rebate-se de um ao outro, oscilando comportamentos constantemente, perdendo coesão e dificultando explicar sua situação para quem quer que seja.
Mostra-se necessário a nível familiar, escolar, profissional, acadêmico e político promover iniciativas de educação inclusiva, de conscientização coletiva e aprimoramento social para minimizarmos tamanha marginalização, terrorismo psicológico e possibilitarmos enfim que os alto habilidosos produzam contribuições para si mesmos e para a humanidade como um todo.

Sobre Filipe Russo

CEO da SagaPro, A Edtech do Bem-Estar Escolar, startup incubada na incubadora Cietec IPEN-USP. Autor dos livros premiados Caro Jovem Adulto e Asfixia, assim como vencedor do concurso “O Olhar em Tempos de Quarentena” e dos prêmios de Excelência Acadêmica nas disciplinas Inteligência Artificial na Educação e Temas em Psicologia: Contribuições para Computação Aplicada à Educação. Licenciado em Matemática pelo IME-USP, pós-graduando em Computação Aplicada à Educação pelo ICMC-USP. Realizou pesquisas em Análise Real, Bioinformática e Ensino de Matemática. Tem passagem pelo Instituto Max Planck de Fisiologia Molecular Vegetal em Golm e pela Universidade Técnica de Munique, ambos na Alemanha. Indígena agênero da Associação Wyka Kwara. Fundador do blog Supereficiente Mental. Pesquisador convidado no Grupo de Estudos, coordenado pela Profa. Dra. Lucia Santaella na Cátedra Oscar Sala do IEA-USP.
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3 respostas para Comorbidades: Complexo de Superior & Inferior

  1. Romes disse:

    Muito boa postagem. Sou Romes, administrador do blog “Gênios Mirins”. Gostaria de parabenizar o companheiro pelo post! Realmente, a ausência de coesão social do superdotado com o seu grupo é, na maioria das vezes, a semente para o nascimento de complexos de inferioridade e superioridade.

  2. Darrin Letman disse:

    Hi, just wanted to tell you, I loved this post.
    It was practical. Keep on posting!

  3. Michael disse:

    Ótimo texto ao ler me identifiquei bastante eu me sentia diferente na infância , criativo sedento por aprender coisas novas era taxado como autista , retardado por anos me senti inferior e sempre tive muita facilidade para aprender sozinho não tive muito estimulo para me desenvolver hoje me sinto frustrado e limitado e muito ansioso com um tédio constante tenho habilidades de liderança e resolução de problemas
    Parabéns pelos seus ótimos artigos

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