Entrevista: João Victor

João Victor Costa dos Santos

João Victor Costa dos Santos

Supereficiente Mental: Ninguém nasce com consciência de sua própria superdotação, contextualize para nós a descoberta da sua.

João Victor: A minha suspeita começou na Sétima Série, quando li um artigo de uma revista sobre esse assunto. Tinha uma lista de certas características, das quais eu me identifiquei. Desde aquele momento, comecei a me interessar mais pelo assunto, mas só foi possível começar meu processo de indentificação quando mudei de cidade e fui para uma escola com acesso a uma psicopedagoga, em 2012. Foi assim que descobri e criei consciência da minha superdotação.

SM: Quais são suas áreas de alta habilidade?

João: Incrivelmente, ainda não li meu “relatório final”. Mas ao que tudo indica, a área linguística é onde tenho mais talento. No entanto, faço de tudo para ser bom em outras áreas, pois ter muito conhecimento para depois criar coisas e/ou compartilhar é um sonho que tenho.

SM: Participaste de alguma iniciativa de apoio aos alto habilidosos? Em caso positivo fale um pouco mais sobre essa experiência, em caso negativo por que não?!

João: Conheci iniciativas de apoio na Universidade de Santa Maria – RS, e eu e minha psicopedagoga também tentamos realizar algo na universidade da cidade onde moramos, mas não obtivemos respostas e, como consequência, ficamos frustrados. Mas pretendo criar algo que ajude os superdotados, especialmente àqueles que moram no interior do meu estado (a princípio), pois, como sabemos, geralmente só é possível encontrar algo que nos ajude em metrópoler ou cidades populosas.

SM: Fazes uso de algum aconselhamento psicopedagógico? Em caso positivo fale como isso funciona para você.

João: Como já disse, tenho sim um aconselhamento psicopedagógico (e também se pode dizer amigável) com a prof. Greice Pause, geralmente nas terças-feiras à noite. Mas a cada vez que vou, sempre há algo diferente a ser dito e/ou feito.

SM: Conte um pouco como foi sua experiência no Soletrando.

João: Foi algo inacreditável na primeira vez. Era uma coisa que sonhava desde que ela tinha sido lançada. Lembro quando o Aurélio venceu na primeira edição, e fizeram até uma comparação dele com o famoso Dicionário Aurélio. Desde aquele momento, eu quis participar do Soletrando. E em 2010 e 2011, participei das seletivas estaduais. Na primeira vez, foi algo mais concorrido (cerca de 60 candidatos) e acabei ficando em décimo lugar. Já na segunda, meu orgulho idiota me impediu de ganhar e, por isso, me arrependo muito.

SM: Conte um pouco sobre a depressão de sua mãe e a epilepsia de seu pai, como ambas condições o perturbaram ao passo que, creio eu, fomentaram sua compaixão e seu amadurecimento precoce.

João: Minha mãe esteve em depressão desde que me lembro. A amava muito, mas obviamente não era a mesma coisa. Então tinha meu pai, que tentava suprir o que faltava para nós. Só que essa sobrecarga causou o desencadeamento de uma epilepsia. Desde então, eu fui obrigado a amadurecer, pois meus irmãos ainda precisavam de um apoio psicológico, senão com certeza o desespero seria total. Mas quanto ao meu medo, ao meu desespero, eu não pude recorrer a ninguém. Por isso, acabei ficando mais recluso, sem amizades e com medo das doenças dos meus pais. Os estudos, então, eram o único refúgio que tinha (por isso que eu, inegavelmente, pareço com o estereótipo de superdotados que muitas pessoas tem). Mas aos 10 anos encontrei uma congregação, uma segunda família que me ajudou de tantas formas que mal posso quantificá-las. E só assim que eu pude lidar melhor com minha “situação de nascença” e só assim pude finalmente dormir em paz.

SM: Compartilhe conosco sobre a importância de se sentir abraçado pela comunidade local ou virtual, seja uma congregação cristã evangélica, um grupo de superdotados no whatsapp ou mesmo um blog com temática afim.

João: A importância não tem medidas. É grandiosa e valiosa demais para explicá-la. Mas posso dizer que não viveria (literalmente) sem uma congregação. O que Deus oferece é muito mais do que poderia ter sem ele. E se não tivesse me tornado cristão, com certeza eu teria me suicidado em 2013, época na qual minha mãe faleceu e meu pai enfrentava problemas judiciais seríssimos.
Quanto ao grupo do WhatsApp que tinha, foi porque desejava encontrar pessoas como eu. Como sabemos, identificar superdotados é algo meio complicado (apesar que eu acredito que seria mais fácil se os próprios superdotados tentassem encontrar outros), por isso criei ele para que, além de superdotados confirmados, poderia se encontrar casos suspeitos e ajudá-los, guiando-os. E claro, o grupo também tem discussões sobre vários temas e descontração.

SM: Quais são suas perspectivas acadêmicas e profissionais de agora em diante?

João: Sempre quis fazer 5 faculdades na vida: Inglês, Astronomia, Física, Geologia e Engenharia Ambiental (este último mudei para Arquitetura e Urbanismo, com futuro interesse em especialização em Meio Ambiente). Pretendo, inicialmente, começar com aquilo que for mais rentável, no caso Arquitetura. Mas não morrerei enquanto não completar essa lista. E em algo mais distante, pretendo me tornar um pesquisador, se possível, de física.

SM: Algum lema motivacional?

João: Há uma passagem na Bíblia que gosto muito, localizado no livro de Provérbios, 3:13-14, que a tomo como lema. Ela diz: “Bem-aventurado o homem que acha sabedoria, e o homem que adquire conhecimento; porque é melhor a sua mercadoria do que artigos de prata, e maior o seu lucro que o ouro mais fino.”

SM: Algum recado pra galera?

João: Encontrem algo no que acreditar, para que sua vida não seja uma mera existência; não percam os seus sonhos de criança pois quando se tornar adulto terá a possibilidade de torná-los reais; tenham verdadeiros amigos (inclusive um que aguente todas as suas excentricidades), que você sabe que só querem o seu bem; e se tiveres uma personalidade antagônica, faça aquilo que tiver maior desejo; no entanto, pense o quanto esse desejo irá custar se realizá-lo.

Anúncios

Sobre Filipe Russo

Filipe Albuquerque Russo nasceu em 22 de Agosto de 1990 em São Paulo, capital e foi criado em Manaus, Amazonas. Aos 16 retornou a sua cidade natal onde reside atualmente. Caro Jovem Adulto, seu primeiro romance estabeleceu em 2012 a estréia tripla de Filipe Russo no cenário artístico brasileiro (tipográfica com Limite Circular, fonte original exclusivamente manufaturada para a obra; fotográfica com Iluminado Expandido, capa original do livro e enfim a obra literária propriamente dita).
Esse post foi publicado em Entrevista e marcado . Guardar link permanente.

6 respostas para Entrevista: João Victor

  1. Luci disse:

    Parabéns pela superação ! 👏👏👏👏💝Tenho certeza que sua mãezinha lá no plano espiritual deve estar muito orgulhosa do filho que ela tem ! Que Deus possa cada vez mais te dar resigninação para suportar os embates da vida ! Luci

  2. Tatiane disse:

    Parabéns pelas palavras João! !! Torço por você, para que realize todos seus sonhos.

  3. Que Deus te proteja e que te abençoe sempre, João!
    Abs.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s