“Imaturidade é a incapacidade de utilizar a própria inteligência sem o direcionamento de um outro.” – já dizia Emmanuel Kant, e de onde e como surge essa incapacidade aprendida chamada Imaturidade Patológica? Educação e cultura domésticas e familiares, a superproteção pode promover a alienação social.
Educação e cultura domésticas e familiares durante os anos formativos (até o fim da juventude) configuram a base estrutural através da qual o indivíduo interage com o meio, a superproteção em casa prejudica o afetado cerceando-lhe a liberdade e a exposição aos fenômenos externos sejam estes de natureza cultural, sejam de âmbito social. Bitola-se o próprio filho ou parente numa espécie de doutrinação domestico-familiar e quando se vê há um homem morando numa casa que ele nunca varreu, comendo alimentos que ele nunca cozinhou, usando roupas que ele nunca lavou e a maturidade para questões menos óbvias e ainda mais pertinentes: como fica a perspectiva de mundo desse ser mimado, iludido, imaturo e sem instrumental algum para ver o outro como semelhante e não como mais um servo.
Às vezes o fenômeno vira de cabeça para baixo e forma-se então uma seita domestico-familiar, portadora axiomaticamente de toda e qualquer verdade, os pais e/ou parentes mais velhos ditam então as verdades absolutas e ninguém ousa questionar tal ditadura, não há espaço portanto para o livre intercâmbio cultural. Ceticismo, divergência intelectual e método científico então nem se fale, nesta casa não entrarás! Quando entra, entra com uma bela dissonância cognitiva, porque o ofício ou trabalho do indivíduo não expressa o íntimo de ninguém, não é mesmo? É só ganha pão, não se traz os princípios trabalhistas, profissionais e éticos para dentro de casa, reina então a hipocrisia do falso moralista que bate palma para o politicamente correto quando está sob o escrutínio da sociedade ao ar livre, mas quando fecha a porta da rua e ninguém de fora do clã lhe tece um olhar de observação faz apenas o que seu narcisismo autofágico ditar.