Superdotado: Um portador de necessidades especiais

Matrículas de Alunos Portadores de Necessidades Especiais

Matrículas de Alunos Portadores de Necessidades Especiais

Pensa-se, sem o devido senso crítico, que um sobredotado, por definição, ostenta categoricamente um status de sucessos acadêmico e profissional. Tais pensadores não tão ilustres assim desconsideram as barreiras monolíticas de origem estrutural que as instituições neurotípicas impõem a todos os seus membros, em especial os neurodiversos, um ótimo exemplo para ilustrar meu ponto se chama subrendimento, o mesmo configura uma ameaça real a todo e qualquer indivíduo inconformista, apenas aos bitolados se abre a porta para a próxima fase do labirinto social. Procura-se funcionários inteligentes o suficiente para operar o maquinário repressor, mas não inteligentes demais a ponto de questionarem as mecânicas de poder e frente a tal desestímulo intelecto-cultural o superdotado não raro abre mão de oportunidades que inevitavelmente o levariam de oprimido a opressor.

Inclusão

Inclusão

Todo neurodiverso apresenta necessidades especiais pertinentes a sua classe cognitiva em questão, o sobredotado por sua vez apresenta necessidades especiais de caráter acadêmico e profissional, intelectual e emocional tão ou mais importantes do que qualquer concepção mesquinha de sucesso social. Não nos venda suas promessas vazias de campanha política, não queremos paliativos e sim medidas efetivas que de fato nos empoderem, precisamos de representatividade e protagonismo nos meios midiáticos e não mais uma performance circense para o alívio das massas, alimentar essas quimeras mitológicas só desmerecem nossos méritos, defasam a opinião pública do fenômeno neurodiverso assim como abafam a pouca voz que temos nas ruas e domicílios.

O sobredotado portanto recorre aos poucos instrumentos à mão: tenta ora uma acomodação (enriquecimento curricular, aceleração escolar, agrupamento), ora uma alternativa (supletivo, ensino à distância, cursos profissionalizantes). Muitas vezes seu potencial míngua e sai bem na fita apenas os mais alinhados aos valores pseudo-meritocráticos do sistema vigente, obrigado sociedade! Muitíssimo obrigado família tradicional brasileira por exigir tudo e não dar nada.

Sobre Filipe Russo

CEO da SagaPro, A Edtech do Bem-Estar Escolar, startup incubada no Cietec. Autor dos livros premiados Caro Jovem Adulto e Asfixia, assim como vencedor do concurso “O Olhar em Tempos de Quarentena” e dos prêmios de Excelência Acadêmica nas disciplinas Inteligência Artificial na Educação e Temas em Psicologia: Contribuições para Computação Aplicada à Educação. Licenciado em Matemática pelo IME-USP, pós-graduando em Computação Aplicada à Educação pelo ICMC-USP. Realizou pesquisas em Análise Real, Bioinformática e Ensino de Matemática. Tem passagem pelo Instituto Max Planck de Fisiologia Molecular Vegetal em Golm e pela Universidade Técnica de Munique, ambos na Alemanha. Indígena agênero da Associação Wyka Kwara. Fundador do blog Supereficiente Mental. Pesquisador convidado no Grupo de Estudos, coordenado pela Profa. Dra. Lucia Santaella na Cátedra Oscar Sala do IEA-USP.
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