Entrevista: Luiz Filipi Sousa Moura

Luiz Filipi Sousa Moura

Luiz Filipi Sousa Moura

Supereficiente Mental: Ninguém nasce com consciência de sua própria superdotação, contextualize para nós a descoberta da sua.

Luiz Filipi: Certo dia, Deus veio até mim, disse que eu era filho dele e disse minha missão na Terra.
Mentira… É difícil definir uma data exata e acho que é mais coerente dizer que não há. Minhas memórias são mais claras a partir dos meus 5 anos de idade. Desde essa data eu me sentia destacado intelectualmente em relação aos meus pares. Mas a consciência de minha própria superdotação se tornou cada vez mais inexorável a cada ano.

SM: Quais são suas áreas de alta habilidade?

Luiz: Pelo que pesquisei, a Política Nacional de Educação Especial de 1994 divide portadores de altas habilidades entre: tipo intelectual, tipo acadêmico, tipo criativo, tipo psicomotor, tipo social e tipo talento especial. Acredito que eu tenha altas habilidades em quase todas as áreas e que uma área influencia em outra. As ordenei na ordem de maior a menor afinidade comigo.

SM: Participaste de alguma iniciativa de apoio aos alto habilidosos? Em caso positivo fale um pouco mais sobre essa experiência, em caso negativo por que não?!

Luiz: Não é da minha índole procurar ajuda. Nem mesmo quis entrar para uma sociedade para pessoas com alto QI. Apesar das dificuldades diárias, sempre me dei bem sozinho.
Durante e após passar por maus bocados na faculdade, eu percebi que a diferença que eu tenho com os outros não é só um obstáculo a ser passado e acrescentar algum aprendizado, mas também um obstáculo que não pode ser passado e que pode machucar gravemente.
Desde então eu entendo a necessidade de um apoio aos alto habilidosos. E é também graças a esse entendimento que eu aceitei dar meu depoimento aqui.

SM: Fazes uso de algum aconselhamento psicopedagógico? Em caso positivo fale como isso funciona para você.

Luiz: Depois dos problemas que tive na faculdade fui a alguns psicólogos, psiquiatras e neurologistas, mas não devido, pelo menos não diretamente, à minha superdotação. Hoje ainda mantenho consultas psicológicas e esse assunto é algo que vou acrescentando aos poucos, e na própria análise do meu passado e da minha personalidade a superdotação se torna algo que brota naturalmente porque é algo que faz parte do que eu sou. Também recebo conselhos de pessoas próximas, principalmente minha mãe, mas não é perfeito e às vezes é frustrante, pois nenhum deles sente as coisas da mesma forma.

SM: Quais cursos universitários você cursou e o que lhe atraiu em cada um deles?

Luiz: Tive dificuldades para escolher um curso porque tenho habilidades em várias matérias. Então aos 17, decidi cursar algo que me trouxesse uma boa profissão porque não precisaria cursar algo para abastecer minha filosofia, essa eu abasteço melhor sozinho. Então entrei na faculdade de Design de Jogos e Entretenimento Digital. Mas o curso era muito fraco e não aguentei mais do que um semestre.
Então mudei para o curso de Física. Pois esse curso me trouxe curiosidade desde pequeno, motivado pelo meu pai que também fez esse curso. Mas percebi que gostar e ser bom em uma matéria não significa ter vocação para conviver e exercer ela dia após dia. E apesar de não ter continuado o curso, esse foi o único que não tive muitos problemas de adaptação.
Por fim, mudei para um curso noturno de psicologia numa faculdade pequena, algo obviamente muito aquém do meu potencial, mas que por outro lado me daria muito tempo livre para fazer outras coisas e me envolver em estudos individuais. Esse acabou sendo maior erro da minha vida…

SM: Quais foram suas dificuldades adaptativas no contexto acadêmico? Que atendimento ou acomodações você gostaria que entrassem em vigor a fim de tornar o curso superior tolerável?

Luiz: Os problemas que tive em minha última faculdade não considero como uma dificuldade adaptativa no contexto acadêmico, mas uma dificuldade adaptativa naquele cenário em particular. Em geral, me adapto bem à convivência social com pessoas — pelo menos não costumo me ferir muito —, exceto por aquele meio específico que me deixou muito ansioso.
Fora isso, a maior dificuldade eu imagino ser originada pela falta de reconhecimento dos superdotados pela sociedade em geral. Como quando eu tinha 8 anos, por que me constrangeram por ter feito um trabalho avançado? Afinal, tinha apenas 8 anos…
E na minha opinião, a academia ideal apenas é possível no mundo das ideias…

SM: Quais são suas perspectivas acadêmicas e profissionais de agora em diante?

Luiz: Passo por um momento de muitas dificuldades psicológicas e filosóficas. Eu penso ser importante me estabilizar psicologicamente e em outros setores da vida, tanto economicamente quanto amorosamente, antes de me empenhar em algum projeto. À parte de tudo, meu maior interesse está em minha filosofia e desenvolvimento pessoal. E no âmbito acadêmico minhas aspirações estão próximas às minhas habilidades que eu imagino estarem voltadas a assuntos filosóficos além ou aquém axiomáticos, ontologia, filosofia da ciência, filosofia das ciências, filosofia da matemática, filosofia da mente, psicologia cognitiva, psicometria, e afins, escorrendo daí para as diversas áreas. Quem sabe até alguma coisa sobre matemática ou até artes, meu interesse é amplo…

SM: Algum lema motivacional?

Luiz: Não. Isso seria definir um norte e eu deveria ser muito presunçoso para isso.

SM: Algum recado pra galera?

Luiz: Caso você esteja falando das embarcações, meu recado é: “Navegar é preciso, viver não é preciso.”

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Sobre Filipe Russo

Filipe Albuquerque Russo nasceu em 22 de Agosto de 1990 em São Paulo, capital e foi criado em Manaus, Amazonas. Aos 16 retornou a sua cidade natal onde reside atualmente. Caro Jovem Adulto, seu primeiro romance estabeleceu em 2012 a estréia tripla de Filipe Russo no cenário artístico brasileiro (tipográfica com Limite Circular, fonte original exclusivamente manufaturada para a obra; fotográfica com Iluminado Expandido, capa original do livro e enfim a obra literária propriamente dita).
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