Saúde Mental Crítica: S1 E6 Residência Multiprofissional em Saúde (parte 1)

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Relato Pessoal: Oriana Comesanha

Oriana Comesanha

Oriana Comesanha

Eu sou autista e tenho altas habilidades ou superdotação (AH/SD). É como se duas pessoas vivessem em mim … A superdotada, enxerga-se de longe. Ela se apresenta orgulhosa a qualquer sinal de oportunidade. A autista… Bem… Essa fica escondida atrás da primeira. Se ela aparece, todo mundo estranha, diz que não está certo, que é “frescura”, que não pode uma pessoa inteligente ser autista. “Capacitismo!” Acusam as duas mentalmente. Mas nenhuma fala isso… Uma porque acha que as pessoas não vão compreender mesmo e a outra não está nem um pouco a fim de explicar.

Quando eu converso, uma presta atenção na conversa, a outra fica pulando de estímulo em estímulos no ambiente procurando padrões entre as formas.

A AH/SD fica fazendo comentários e lendo as expressões das pessoas nas conversas, enquanto a autista fica puxando a primeira para olhar as figuras que estão se formando no teto. Legal mesmo é quando as duas concordam que o papo é chato e as duas se põem e encontrar padrões na fala, nos gestos e entender o motivo que aquela pessoa tem para falar com elas e… Opa. Eu não sei mais sobre o que estávamos conversando. Kkkk

Eu assisti a um vídeo sobre criatividade e Naruto (no canal meteoro). Lá vi que existe o “jeito padrão” (que chamam de jeito certo, mas eu discordo) e o “jeito Naruto” (chamam de “seu jeito”, mas “jeito Naruto” eu acho mais legal).

Bem, eu sempre tive dificuldade em interagir… até que casei com uma pessoa que (a meu ver) é a mestre das interações sociais. Sério! Se ela não interage informalmente por muito tempo, ela fica mal! Como será isso? Enfim… Eu me casei com ela. Na hora de interagir, eu observei como ela fazia. Outro bom modelo foi meu irmão, principalmente nas interações rápidas como as realizadas com caixas de supermercado ou vendedores.

Um dia a AH/SD e a TEA (transtorno do espectro autista) sentaram-se para uma reunião séria onde conseguiram copiar, ajustar e adaptar tudo que viam. Hoje tenho minha gama de frases, interações e jeitos de interagir com colegas (antes interagia como se todo mundo fosse colega de trabalho). Ainda me incomodo com certas intimidades, ainda faço muita coisa errada, principalmente quando envolve maleabilidade e versatilidade nas habilidades sociais. Mas eu consigo enfrentar a maioria das situações com muita naturalidade… tranquilidade eu não diria. Ainda fico nervosa, com receios, principalmente em relação a pessoas e ambientes novos, onde eu não consigo prever que papo vai sair dali. Enfim, daí bate a ansiedade – ah, sim: meu terceiro diagnóstico, Transtorno de Ansiedade, mas acho que é mais um sintoma de tudo isso…)

A ansiedade apareceu no início da vida adulta, quando ainda na universidade, passei num concurso que fiz para testar meus conhecimentos e tive que adiantar minha formatura… Fui morar sozinha, em outro estado, sem habilidades sociais para quase nada, sem experiência de vida e laboral… Insegura, passei a me isolar, beber fumar, ficar triste… Eu não conhecia ninguém, era meu primeiro emprego e tudo isso estava fora do meu planejamento de vida (passei num concurso “meio sem querer” e tive que abandonar o plano de seguir carreira acadêmica).

Após um tempo e a peso de muita camuflagem fui conseguindo me ajustar, mas a carga emocional era pesada…

A ansiedade se tornou mais forte quando iniciei o mestrado e tive um problema no meu relacionamento que não sabia como resolver…

Hoje consigo perceber que foi muita demanda social, demanda de flexibilidade, demanda de repertórios que eu não tinha.

Nesse ponto, a AH/SE e a TEA nem se encontravam, nem se falavam, estavam as duas descompensadas emocionalmente dilaceradas e perdidas.
Daí veio psiquiatra, remédio, terapia, yoga, Pilates, mudanças e ajustes mais saudáveis.

Hoje a AH/SD e a TEA estão novamente em harmonia. Conversam e se ajudam, cada uma com suas potencialidades e dificuldades, cada uma com suas batalhas e as duas com suas conquistas!

Resumindo, este é meu jeito… Um jeito Naruto, que pega as limitações e habilidades e cria um jeito de fazer a mesma coisa que os outros, só que diferente.

É mais cansativo para o Naruto fazer um monte de cópias dele mesmo para dar um golpe que os outros conseguem com uma mão só, mas o resultado é incrível e eficaz.

Cada um tem seu jeito Naruto de fazer algo. Neurotípico ou não, estamos sempre nos adaptando e é isso que nos torna únicos!

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Superdotação: Desafios na Vida Adulta

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Nós também lemos as suas cartas: a (in)visibilidade do sujeito superdotado da infância à adultez, uma resenha do livro Cartas do menino do quarto para o mundo

Cartas do Menino do Quarto para o Mundo

Cartas do Menino do Quarto para o Mundo

Para pessoas leitoras e escritoras, é sempre uma reconfortante honra conhecer e conversar com autores de livros. Tenho orgulho de ter André Coneglian nas minhas redes de afetos, autor da obra Cartas do Menino do Quarto para o Mundo, livro resenhado por mim, Filipe Russo, Christine da Silva-Schröeder e Nanahira de Rabelo e Sant’Anna, sendo Christine autora do ebook A diversidade invisível: as pessoas AH/SD e a vida profissional: Livro 1: primeiros olhares e Nanahira indivíduo responsável pela organização do ebook poETes: altas habilidades com poesia.

Revista Neurodiversidade Segunda Edição

Revista Neurodiversidade Segunda Edição

A resenha foi publicada esta semana na segunda edição da Revista Neurodiversidade, publicação acadêmica de divulgação científica que conta até a presente data com 13 pareceristas, dentre os quais enfatizo Denise Arantes Brero e Patrícia Neumann, psicólogas parceiras deste blog. O livro de Coneglian é “uma novela que trabalha o gênero realicção no formato epistolar” (Da Silva-Schröeder, Russo e de Rabelo e Sant’Anna, 2022, p.2). Quantos meninos do quarto não passam cinco, dez, vinte, trinta anos ou toda a vida sentindo-se, nas palavras do autor André (Coneglian, 2020, p.89), como:

um peixe fora d’água, em que às vezes tentava me adequar, mas a minha ‘esquisitice’ constante me distanciava do considerado ‘normal’ para as épocas em que vivi e ambientes pelos quais circulei, mesmo na universidade, onde me realizei, porém, não era um ambiente totalmente amigável para mim?

Por fim, pode-se baixar o pdf da resenha clicando aqui e ler um dos meus sonetos abaixo, este versando sobre o objeto tecnológico Carta, o qual dialoga com a telecomunicação das mídias livro e carta, através das quais se estabelece uma comunicação que às vezes dura ou demora anos, décadas para começar e se desenrolar.

Referências

Coneglian, A. (2020). Cartas do menino do quarto para o mundo. Guarapuava: Apprehendere.

Da Silva-Schröeder, C.; Russo, F. e de Rabelo e Sant’Anna, N. (2022). Nós também lemos as suas cartas: a (in)visibilidade do sujeito superdotado da infância à adultez, uma resenha do livro Cartas do menino do quarto para o mundo. Revista Neurodiversidade. 2ª Ed.

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Altas Conversas Altas Habilidades: S1 E7 Impactos da identificação das altas habilidades / superdotação na vida adulta (depoimento 2)


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Sobre-excitabilidades: O que é Sobre-excitabilidade nas AH/SD?

O que é Sobre-excitabilidade nas Altas Habilidades ou Superdotação
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Assincronia: Desenvolvimento Assíncrono

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Entrevista: Tatiane Oliveira

Tatiane Oliveira & Afrânio, seu marido

Tatiane Oliveira & Afrânio, seu marido

Supereficiente Mental: Ninguém nasce com consciência de sua própria superdotação, contextualize para nós a descoberta da sua.

Tatiane Oliveira: A descoberta com certeza se deu após o processo de Avaliação de Altas habilidades/superdotação feito pela Psicóloga Patrícia Neumann em setembro de 2020. A devolutiva me fez ficar pasma após saber que eu era uma superdotada nas 4 áreas, ou seja, multipotencial, foram vários meses para eu falar sobre, e absorver tanta coisa.

Mas eu já sabia da superdotação desde a infância. Era notável que eu era diferente dos demais. Extremamente intensa, com dificuldade de obedecer e seguir regras rígidas, revoltada, senso de justiça aguçado e grande facilidade de aprendizado.

SM: Quais são suas áreas de altas habilidades?

Tatiane: Acadêmico intelectual linguística e lógico matemática, liderança, esporte e artes.

SM: Como foi a sua avaliação formal de superdotação ou altas habilidades? Você considera que esse serviço profissional ainda é pouco acessível a boa parte da população brasileira?

Tatiane: Eu fiz avaliação neuropsicológica em 2018, mas não foi uma boa avaliação. Como ela focava em números não viu realmente meu potencial. Não me deu um norte e fiquei perdida. Sem contar que fui avaliada estando frágil emocionalmente e isso interferiu nos resultados deixando dúvidas. O resultado ficou inconclusivo, mas eu sabia que era diferente e que precisava de ajuda com urgência. Depois disso solicitei ajuda na Mensa, mas infelizmente fui excluída por conta dos meus escores não estarem nos níveis aceitos por eles.

Depois que fui avaliada da forma multidimensional pela psicóloga Patrícia Neumann percebi o quanto esse tipo de avaliação é importante para ver a essência da pessoa com altas habilidades/superdotação. E foi quando descobri quantas potencialidades eu tenho e como disse a Patrícia “Você pode ser o que você quiser”, palavras essas que foram uma mola propulsora na minha vida.

Sim, é um serviço que possui muita carência de bons profissionais. Como estou atuando no processo de avaliação para altas habilidades/superdotação pude perceber através dos relatórios que chegam até mim quanto desconhecimento há sobre a área e quantos superdotados passam despercebidos. E ainda há aqueles que aproveitam das famílias dizendo que sabem realizar avaliação e se aproveitam daqueles que estão fragilizados. Por isso é importante tomar cuidado e buscar referências de bons profissionais para que a avaliação seja um processo lindo e não um martírio.

SM: Qual área você gostaria de investigar e pesquisar no mestrado?

Tatiane: Desejo realizar um mestrado acadêmico na área da educação. E com temas voltados para neurodiversidade, educação especial focando nas altas habilidades/superdotação, neurociências, alfabetização, práticas transdisciplinares kkkkkk é difícil escolher.

SM: Quais seus pensamentos sobre educação à distância? Como você acredita que a população brasileira poderia se beneficiar de mestrados e doutorados à distância?

Tatiane: Eu não tenho nenhum preconceito sobre a Educação à distância. Fiz faculdade e pós EAD e fui tutora EAD. Acredito que tudo depende do aluno e a forma como ele leva os estudos a sério. Muitos podem burlar tanto no presencial como no EAD. Vai da escolha de cada um, mas eu acredito na lei do retorno, aqueles que se dedicam ao bem um dia ele volta e vice-versa. A pandemia me deu muitas oportunidades de cursar como aluna especial e ouvinte de programas de mestrado e isso foi algo maravilhoso para mim. Acredito que toda população brasileira iria se beneficiar com mestrado e doutorado à distância, pois existem várias pessoas que tem desejo, mas não tem condições de realizar.

SM: O que é uma professora alfabetizadora?

Tatiane: É uma professora que se dedica na inserção do processo de leitura e escrita, ou seja, aquela que ensina a ler e escrever com significado.

Multiteliê

Multiteliê

SM: Quais as importâncias da Arte para a Educação e da Educação para a Arte?

Tatiane: Pra mim a arte é tudo. A arte para a educação é de extrema importância para se formar seres críticos, reflexivos e modificadores da realidade que os cercam. Educar para arte é necessário para que os indivíduos se tornem mais sensíveis, mais humanos, mais empatas e para que desenvolvam saúde emocional tendo assim vazão para seus talentos e sentimentos.

SM: Quais os impactos da sobre-excitabilidade no cotidiano da pessoa superdotada?

Tatiane: Se a pessoa estiver com a sobre-excitabilidade desregulada, ou seja, tendo picos de 8 ou 80 pode acarretar algumas situações complicadas. Por exemplo se você estiver com a sobre-excitabilidade sensorial mais aguçada qualquer barulho pode te gerar uma crise. Se for a intelectual, você pode falar sobre determinado assunto frente a uma autoridade que sabe menos que você e essa pessoa se sentir ameaçada pelo seu conhecimento e gerar perseguições no futuro. Se for a emocional qualquer palavra dita sem nenhuma intenção de te magoar vai te ferir e você vai se sentir péssima ou péssimo. Se for a imaginativa você pode dar quantas ideias desejar para pessoas que nunca vão te ouvir, nunca vão te entender e nunca vão te dar vazão para criatividade podando assim seu talento que é algo necessário para se ter uma válvula de escape.

Mas algo posso afirmar: as sobre-excitabilidades nos superdotados são formas de crescimento e evolução. Elas te ajudam a se equilibrar e aprender a ter autorregulação. E por quê? Porque você vai se autoanalisar até descobrir porque elas oscilam tanto. Vai encontrar formas de controlá-las em busca do equilíbrio (e algo que busco há muitos anos e agora estou aprendendo a me autorregular). E isso faz parte da teoria da Desintegração Positiva de Kazimierz Dąbrowski.

Se for a psicomotora vão te chamar de “acelerado”, “hiperativo”, pois é difícil para você ficar parada (o). Quando você tem que participar de reuniões, aulas ou palestras expositivas que não te chamam atenção, suas pernas não param. Você se mexe a todo instante, chacoalha a caneta na mão e fica difícil se concentrar no que a pessoa está falando, pois aquilo não te interessa, não te prende no assunto. Às vezes a pessoa responsável não tem didática suficiente para fazer quem está ouvindo ficar atento e você dispersa.

SM: Nós vivemos numa cultura empresarial, acadêmica e institucional, onde o assédio moral é mais comum do que gostaríamos. Como podemos propor um apoio moral em contraposição ao assédio moral existente, conivente e estrutural?

Tatiane: Para prevenir qualquer tipo de assédio moral todos os funcionários de determinada instituição ou empresa devem buscar ajuda terapêutica. Por que? Porque pessoas com saúde emocional bem desenvolvida não atacam as outras, não prejudicam e não sentem inveja dos demais que se destacam.

SM: O que é ser uma esposa superdotada?

Tatiane: Ser uma esposa superdotada é ser aquela que a cada minuto quer mudar os móveis de lugar. Quer fazer faxina de domingo. É fazer almoço e tocar piano ao mesmo tempo. É fazer uma bagunça organizada para criar algo e deixar o marido super organizado de cabelo em pé. É aquela que consegue consertar as coisas que quebra e arruma soluções quando esquece de descongelar a carne para o almoço ou quando precisa fazer uma receita rápida.

SM: Você ou algum membro de sua família faz uso de algum acompanhamento psicológico? Em caso positivo fale como isso funciona para vocês.

Tatiane: Eu e meu esposo fazemos acompanhamento psicológico. Eu faço terapia há muitos anos, porque sempre soube que precisa de ajuda nessa parte. Agradeço a todas as terapeutas e profissionais que me atenderam, pois foram muito importantes no meu desenvolvimento emocional e autorregulação.

Meu marido começou realizar terapia há pouco tempo. Era bem resistente, mas agora já está sentindo melhoras em suas questões psicológicas.

SM: Algum lema motivacional?

Tatiane: Antigamente: Eu posso, eu faço, eu consigo!

Atualmente: Cuide da sua saúde emocional, pois assim você vai emanar boas energias onde quer que esteja e se blindará contra as energias negativas vindas de outras pessoas mal resolvidas.

SM: Você ou algum membro da sua família faz uso de algum acompanhamento psicopedagógico? Em caso positivo, fale como isso funciona para vocês.

Tatiane: Infelizmente não, mas eu seria bem diferente se eu ou alguém da minha família tivesse recebido acompanhamento psicopedagógico, pois o atendimento desse tipo de profissional faz uma grande diferença no desenvolvimento do ser humano.

Eu mesma auxiliei a minha sobrinha que estava com dificuldade na fala com aulas de musicalização e atendimento on-line. Isso a ajudou muito a melhorar nessa questão.

SM: Algum recado pra galera?

Tatiane: Não há nada melhor no mundo do que ser a gente mesmo, sem ser podado, sem ter que usar máscaras e fingir ser menos do que somos. Por isso brilhem, brilhem e façam a diferença onde quer que estejam!

Trabalho Acadêmico

A INVISIBILIDADE DAS ALTAS HABILIDADES SUPERDOTAÇÃO NA EDUCAÇÃO: A QUESTÃO DA FORMAÇÃO PROFISSIONAL

Redes & Mídias Sociais

Linktree da Tatiane Oliveira

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Saúde Mental Crítica: S1 E5 Saúde Mental, Reforma Psiquiátrica e Luta Antimanicomial

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Narrativas AH/SD: Nada de nós sem nós!

Tatiane Oliveira e Filipe Russo conversam sobre Narrativas AHSD
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