Hiperfoco: Uma introdução pessoal

Agora são 9:12 da manhã e eu dormi apenas 3 horas nessa madrugada. Acontece que ontem à noite por volta das 9 eu tive um acesso de hiperfoco.

Hiperfoco

Hiperfoco

Eu conheci o termo hiperfoco no início do ano passado em comunidades de síndrome de asperger e superdotação no facebook mesmo e no acesso de ontem esbocei uma definição: fenômeno consciente ou não onde o indivíduo autisticamente foca em um ou mais elementos pertinentes e abstrai quase que absolutamente os demais, em tal estado pode-se produzir grandes obras criativas e/ou profundo atordoamento e confusão advindos da falta de canalização e da incapacidade de ‘desligar’, mesmo após finalizar um ou mais projetos inclusive.

Meu problema é que eu sempre vivi muuuito entre dois mundos paralelos e intimamente conectados, inclusive disse pruma amiga superdotada o seguinte quanto a tanto: quando eu era pré-púbere era comum ficar dando voltas ao redor de objetos ou estruturas, geralmente eram mesas, cadeiras, prédios, jardins, pátios e piscinas enquanto eu me via quase como um fantasma pois 99% da minha concentração residia numa bolha psíquica totalmente indiferente às contingências ambientais. Mas também relevei a esse amiga que à época eu não dispunha de um controle esfincteriano cognitivo, ou seja, num mesmo ano em aniversários eu cai na piscina 3 vezes, duas vezes na mesma casa em festas de irmãos mais velho e mais novo.

Mamãe temia por eu viver no mundo da Lua e eu inclusive sempre me senti destacado dos demais, cogitei à época ser retardado ou algo assim e vocalizei o mesmo para os meus pais. As pessoas não gostavam dos meus comportamentos divergentes, eu passava minutos olhando pro nada sem me mover ou movendo apenas os dedos das mãos ou pés e muitas vezes meu olhar estava direcionado para um prato, um copo, uma roupa ou a face mesmo dos convidados e sempre me diziam pra parar de encarar que isso era feio ou ofensivo, mas eu sempre dizia que não me interessava pelas pessoas e mal as enxergava nesses momentos. Foi assim que eu comecei a olhar pra terra e pro céu, porque o horizonte era território do tabu alheio.

Ou seja, eu tive micro-hiperfocos desde criança, mas a coisa ficou séria na puberdade, em plena quinta série eu simplesmente não conseguia dormir não importava o quão cedo eu acordasse ou o número de atividades exigentes tanto psíquica quanto fisicamente ao longo do dia, após o jantar eu não conseguia dormir de jeito nenhum. Sempre hiperfocando em garotas, bullying, provas e falta de amigos, eu rezava muita nessas noites, eu me masturbava muito nessas noites. Minha adolescência foi regada com longas noites, e alguns dias inclusive, onde eu me masturbava sem parar como forma de tentar relaxar e sair dos hiperfocos da vida, muitas vezes funcionava, mas a maioria delas eu acabava machucado indo dormir só no meio da manhã ou da tarde, até hoje em dia aos 24 algo similar ainda ocorre. Ontem o hiperfoco me venceu de novo e o tornei o mais produtivo possível, escrevi planos para programação em javascript, elaborei conceitos de sociologia e alguma besteirinha sobre superdotação, nada apresentável aqui justamente por eu não disponibilizar conteúdo incompleto. Por conteúdo completo vide meu livro publicado e o próximo a ser ainda esse ano.

Lá por 2006 com problemas com o sistema de ensino vigente eu ameaçava abandonar o ensino médio, pois eu me dizia portador de síndrome do pensamento acelerado enquanto a maioria dos médicos diziam que eu tinha um ou outro distúrbio psiquiátrico, alguns poucos diziam que eu era apenas um adolescente. Já no ano seguinte eu me mudei de Manaus para São Paulo e aqui eu me auto-diagnostiquei como superdotado, logo sugerido pela diretora do novo colégio e confirmado como superdotação intelectual pela APAHSD. Nada disso me impediu, e inclusive até incentivou mais minhas convicções, de abandonar os estudos institucionalizados e assim o fiz, completando o ensino médio em 2008 através de supletivo à distância.

Hoje eu entendo que meu comportamento externa e aparentemente obsessivo-compulsivo como quando eu giro ao redor de objetos ou estruturas e quando eu ouço uma única mesma música durante 6 horas seguidas não passa de como uma parte da minha mente encurrala a outra para ter para si num dado momento todos os recursos computacionais com os quais resolver suas próprias questões particulares. Hoje em dia eu ainda atravesso a rua como um fantasma sem fazer muito contato visual com nada, mas meu controle mental já consegue rastrear as variações topográficas e fezes enquanto ainda consigo me dedicar profundamente a pensamentos mais interessantes do que meu contexto ambiental. O que ativa meu hiperfoco? Assuntos interessantes, excesso de café, chocolate, açúcar e/ou ansiedade, cinema também ou acúmulo improcessável de entropia mesmo. O engraçado é que sempre fui ansioso também, daí minha ansiedade às vezes gera insônia e raras vezes hiperfoco, já meu hiperfoco sempre gera ansiedade e insônia.

Bem, sinta-se à vontade de compartilhar suas próprias experiências sobre o hiperfoco.

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Entrevista: Tatiana Saturno

Tatiana Saturno

Tatiana Saturno

Supereficiente Mental: Ninguém nasce com consciência de sua própria superdotação, contextualize para nós a descoberta da sua.

Tatiana Saturno: A minha descoberta foi através de uma psicóloga do IF onde estudava. Eu a conheci a partir de um invento que fiz para um colega cego da minha sala. Ela logo percebeu que eu tinha características acima da média, sempre me dizia que eu parecia com uma velha de 80 anos (madura).

SM: Quais são suas áreas de alta habilidade?

Tati: Eu não sou diagnosticada, então, tecnicamente, eu não sei.

SM: Participaste de alguma iniciativa de apoio aos alto habilidosos? Em caso positivo fale um pouco mais sobre essa experiência, em caso negativo por que não?!

Tati: Não. Primeiro: meu contexto socioeconômico era de pobreza e ignorância, então ninguém sabia o que era um sd. Segundo: a ignorância dos profissionais da educação, embora os professores percebessem minha habilidade acima da média, por ignorância, não faziam nada ou não sabiam como agir. Terceiro: eu não tive estímulos e não tinha muitas condições financeiras, então, não tinha acesso a informações, logo não sabia que era sd.

SM: Fazes uso de algum aconselhamento psicopedagógico? Em caso positivo fale como isso funciona para você.

Tati: Não, mas recentemente procurei uma psicóloga, por motivos de necessidade emocional, não diretamente ligado a ser sd.

SM: De que forma você considera que o seu contexto socio-cultural afetou seu desenvolvimento? Houve algo em troca? Humildade para a mistificada arrogância sd, quem sabe?

Tati: Do ponto de vista positivo: por ser muito pobre e as pessoas ao meu redor serem simples eu pude ter uma ótima infância (excerto um caso de abuso que sofri), brincadeiras, aprender a compartilhar, que ninguém é melhor que ninguém, a ser humilde e o acolhimento afetuoso as pessoas, sem se preocupar de onde vieram. Do ponto de vista negativo: estava em um meio sem estímulos, eu que tinha que ser a minha motivadora, comecei a ler cedo, mas sem poder comprar livro, passei muitos anos longe da leitura, fui desnutrida, o que pode ter afetado minha cognição e emocional.

SM: Estudando nas melhores instituições da região (Instituto Federal no ensino médio e Universidade Federal agora no superior), o que você tem a dizer sobre o sistema de ensino público brasileiro? Pros, contras e sugestões.

Tati: Pros: sinceramente o ensino é precário, passei por greves e ainda estou sofrendo consequências disto (um semestre em quatro meses, exemplifica bem), agora, sempre gostei dos professores, a dificuldade de ser um, muitas vezes, faz com que estes que tem a coragem de adentrar a este meio, sejam pessoas que realmente querem fazer isto, o que me deixava feliz pelo empenho deles e sempre gostava de conversar com os mesmo, fui o tipo de estudante que incentivava o professor a continuar naquela vida, em meio as dificuldades. Contras: esse tem vários, como, o que pensei hoje na aula de Introdução a Computação, educação síncrona – seria uma educação que quer passar os alunos a uma mesma taxa de velocidade, sem considerar se é mais lento ou mais rápido -, condições precárias de infraestrutura dos colégios (estudei em colégio estadual público e era triste a estrutura das salas, ventilação, etc), mesmo estando em boas instalações no IF, eu sabia que ex-colegas de sala estudavam em turmas com mais de 60 alunos por sala, desvalorização dos professores, tanto por parte dos alunos, como pelo Brasil em si, muito entristecedor.
Sugestões: primeiramente um governo que queria educar os cidadãos e não mantê-los na ignorância; uma conscientização da população sobre a importância da educação na vida das pessoas, não do tipo, estude ou não vai conseguir emprego, mas como algo prazeroso; uma mudança na forma de se ver a educação, para que deixe de ser síncrona e para assíncrona (cada um à sua velocidade), ou seja, educar respeitando as diferenças de cada um.

SM: Quais são suas perspectivas acadêmicas e profissionais de agora em diante?

Tati: Neste momento, estou buscando uma estruturação saudável do meu emocional, o qual não anda tão bem. Tenho problemas para conseguir um objetivo, aquilo de se ter potencial e não ter algo que seja suficientemente bom para lhe tirar da inercia. Mas, se houvesse, queria que fosse algo como pesquisas em áreas que me despertam interesse e um trabalho em tais áreas, principalmente alguma que valorize meu ponto forte, o qual seria ter um conhecimento em diversas áreas, e o fraco que seria não ter muita especialidade.

SM: Algum lema motivacional?

Tati: Aquele momento que você percebe que está tão mal que não consegue encontrar um lema motivacional…
Mas vamos lá: Continue vivendo, pois o amanhã pode sempre ser melhor que o hoje.

SM: Algum recado pra galera?

Tati: Não nos julgue, nós sds, como seres perfeitos, lembrem-se que somos um dos mais fracos.
Para os sds: mesmo estando em uma ilha, lembrem-se que há pessoas que querem construir uma ponte até você.

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Relato Pessoal: Tatiana Saturno

Tatiana Saturno

Tatiana Saturno

Oi, meu nome é Tatiana Saturno e tenho 18 anos. Não sou diagnosticada com altas habilidades, porém eu sou o que chamo de superdotada de boca, ou seja, falam tanto que sou que acabei acreditando. Geralmente as pessoas me veem como uma pessoa madura, não foi sempre assim, quando criança morava em uma cidade pobre, na verdade em um sítio – zona rural mesmo – e lá era bem ativa gostava de brincar com tudo e todos, pode-se dizer que não sou o tipo de SD que desde criança acabou se isolando do resto das pessoas e estudando um mundo de coisas (essa frase ficou meio simplista, mas enfim, continuar). O meio era escasso de estímulos, pessoas da roça mesmo, não davam muita atenção aos estudos e meus pais não tinha nem o fundamental completo, porém eu me destacava nos estudos, tirava nota boa, me lembro que na 1ª série já sabia ler enquanto a maioria das outras criança não sabiam, embora eu não me lembre de quando comecei a ler, na verdade não me lembro de muitas coisas da minha infância. Então, foi nessa época também que tive que me adaptar, recordo-me que fui obrigada a ensinar a tarefa a colega que não sabia mesmo não querendo, na 3ª e 4ª série eu que ajudava a professora a resolver os exercícios. Mesmo com esses sinais de superdotação apenas uma professora minha notou essa capacidade e sugeriu um aceleração de série, que não foi dada atenção. Nunca tinha vindo a minha cabeça eu ser “diferente”, quando cheguei no fundamental comecei a notar a diferença, se bem que não fui eu, mas sim o que os professores falavam (tenho dificuldades para entender o que é normal do que é diferente) que era boa aluna e muito inteligente, isso é outra coisa que difere em mim em relação a maioria dos SD’s: a boa relação com os professores, sempre me dei bem com a maioria deles. Mas foi no ensino médio (feito em um Instituto Federal) que pela primeira vez eu ouvi a palavra altas habilidades, ditas a mim por uma psicóloga da instituição,  foi o lugar onde mas me destaquei, e é claro, onde mais fui alvo de piadas, feitas pelos meus colegas, que penso eu tinham inveja de mim. Lembrando que ainda era muito leiga de leitura, praticamente comecei a ler livros na 8ª série e no IF com empréstimos de uma professora, meu mundo foi se abrindo, eu acabei ficando um pouco arrogante, achava a aula chata, já que tinha que ouvir a mesma explicação várias vezes, parei de estudar e passava com notas entre 8 e 10. Hoje faço faculdade, estou com notas péssimas e tentando me adequar, numa fase meio que depressiva e ainda com dúvidas em ser ou não ser SD. Em relação a sociedade, minha opinião varia muito dependendo do meu ânimo neste momento acho um aglomerados de hipócritas, as vezes apenas pessoas que não são entendidas, que julgam sem olhar a quem, interessantes, bons amigos, enfim, o ser humano é um nome muito simples para tanta complexidade e eu tento viver me adaptando a isto e tentando compreendê-los.

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Entrevista: Nuno Silva

Nuno Silva

Nuno Silva


Supereficiente Mental: Ninguém nasce com consciência de sua própria superdotação, contextualize para nós a descoberta da sua.

Nuno Silva: Bom, eu diria que tive a consciencia desta diferença em particular muito cedo. Maioria das crianças na pré primaria não percebiam bem o que eu queria transmitir nem possiuam o mesmo grau de logica e criatividade. No momento em que eu tive a certeza foi no 2º ano quando fui ao aniversario de um colega sobredotado e a minha mãe explicou me esse conceito no caminho para casa dele.

SM: Com seu colega sobredotado, conseguiste desenvolver uma amizade estimulante?

Nuno: Ele estava um ano acima pois avançou um ano. Eu costumava estar com ele mas com o tempo mudamos e hoje não temos contacto. No entanto tenho um numero de amigos sobredotados, um deles sendo o meu melhor amigo. Mas sinto que estas pessoas sejam para mim estimulantes.

SM: Comente um pouco sobre essa sociedade sobredotada com que você convive, há oportunidades de se mobilizarem ou colaborarem juntos em prol de algo maior?

Nuno: Infelizmente não houve grandes oportunidades de se juntarem, por isso costumo estar apenas com um de cada vez. Não é uma sociedade, mas sim amigos que fui adquirindo, muitos deles em escolas que frequentei (falo dos contactos ao vivo).

SM: Quais são suas áreas de alta habilidade?

Nuno: Quase todas as areas intelectuais mas com enfase na memória a longo prazo, criatividade e artes, segundo o teste da WISC destaquei me nas provas verbais como a de vocabulario e de similaridades.

SM: Participaste de alguma iniciativa de apoio aos alto habilidosos? Em caso positivo fale um pouco mais sobre essa experiência, em caso negativo por que não?!

Nuno: Não existem grandes possibilidades de apoio face a sobredotação pelo menos aqui em Portugal. Existe uma faculdade aberta aos sabados de manhã para crianças sobredotadas, na qual eu planeava me inscrever. Num entanto era bastante cara e apenas poderia a frequentar até aos 17 anos.

SM: Fazes uso de algum aconselhamento psicopedagógico? Em caso positivo fale como isso funciona para você.

Nuno: Tenho consultas de psicologia, nas quais me tem vindo a ajudar imenso. De resto apenas aconselhamentos de amigos e familia. Em tempos não tive um bom atendimento por parte de uma pedopsiquitra que negligenciava os meus problemas. No fundo um problema muito grande dos psicologos e psiquitras é o da negligencia face ao contexto, o que é bastante importante para detectar casos portadores de altas habilidades. E felizmente já não passo por esse problema.

SM: Quais são suas perspectivas acadêmicas e profissionais de agora em diante?

Nuno: As minhas perspectivas tem vindo a mudar bastante, não pretendo entrar numa faculdade grandiosa, mas pretendo tirar um douturamento na area do cinema ou da psicologia. Num entanto ao contrario de muitos, não tenho um plano fixo, digamos que estou a atravessar por um periodo de duvidas.

SM: Algum lema motivacional?

Nuno: Não diria um lema, mas uma filosofia de vida: A frase de Einstein sobre a criatividade. “Eu acredito na intuição e na inspiração. A imaginação é mais importante que o conhecimento. O conhecimento é limitado, enquanto a imaginação abraça o mundo inteiro, estimulando o progresso, dando à luz à evolução. Ela é, rigorosamente falando, um fator real na pesquisa científica.” – Albert Einstein. Apesar de não ser minha a frase, guardo a como caminho.

SM: Algum recado pra galera?

Nuno: Gostava tambem de dizer para não ficarem quetos quanto ao preconceito. Nem todo o sobredotado é academico, nós não somos o estipulado e impingido pela sociedade,não somos as vossas marionetas, nem somos todos marrões, e sem nós o mundo seria muito menos evoluido, apesar das suas falhas. Um dia os nossos bullies serão os losers na heroina, e nós seremos CEO’s de grandes empresas, ou revolucionarios da nossa era. De qualquer forma, quero que acordem para o mundo que vivemos, hoje somos os escravos, mas amanhã seremos os verdadeiramente livres. Falo para todos os adolescentes sobredotados que estejam a passar por dificuldades, unidos e fortes, encontraremos o caminho.
Obrigado.

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Relato Pessoal: Nuno Silva

Nuno Silva

Nuno Silva

Olá, o meu nome é Nuno e sou identificado com sobredotação intelectual.
Não sou o precioso cliché do miudo maravilha que entrou na Universidade antes da puberdade, em vez disso, sou o que muitos acham o politicamente incorreto face as altas abilidades.
Nasci a 17 de Março de 1996, por mais estranho que pareça ainda guardo memorias de tal acontecimento, desde que frequentava a pre primaria, a sociedade deu me a entender de como eu era diferente dos demais. Começei a aprender a ler por volta dos 3/4 anos, á face da negligencia, muitos acreditavam que apenas olhava para as imagens, e eu proprio ainda não sabia como lidar com isso. Ainda me lembro daquela vez em que estava no parque perto de casa, com 4 anos, comecei a dobrar numeros mentalmente (1-2-4-8-16…etc). Quando entrei na primeira classe, notei estranhamente que era suposto aprendermos coisas rudimentares como o abecedario, enquanto isso a minha mente flutuava em questoes como a fisica e a filosofia.
Fui um excelente aluno durante a primaria, até tudo mudar. No quinto ano era vitima de bullying, deram me o diagnostico de sindrome de asperger, e comecei a negligenciar o academico em torno de conquistar vida social. Aos 12 anos poderia dizer que estava em depressão, tornara me algo tão agressivo e misantropo, houve queixas de colegas e professores que tão depressa apontavam me o dedo sem uma restia de compreensão. Aos 14 anos fui testado na escala WISC com um QI de 182 (ratio). Nesse dia passei a ser mais confiante de mim mesmo apesar de ainda deixar reticencias face a auto-estima e confiança. Comecei assim a envolver me em grupos similares a Mensa e a conhecer mais casos de sobredotação.

Hoje tenho 16 anos, o que aprendi com a sociedade é que ela não é justa, vivemos num mundo governado por uma burrocracia demente, a etica passou a ser um ideal da democracia antiga. A cidadania tornou se em algo tão basico como apenas não matar o proximo, literalmente. O que eu aprendi é que ser melhor ou pior não vai facilitar a vida, no caos em que vivemos. Não somos todos os sobredotados como O Little Man Tate ou o Doogie Houser. Muitos de nos somos mais o Good Will Hunting, o funcionario que limpa o vomito dos Harvard kids. Somos muitos de nós os rejeitados, que não têm mamás e papás ricos para nos traçarem o prémio nobel. Somos os pretos na america proibida mas somos os livres de espirito que não se deixaram contaminar com uma sociedade profundamente doente que não quer marcar consulta por o estigma que é causado.

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Comorbidades: Complexo de Superior & Inferior

Inferior? Ou superior? Ou...

Inferior? Ou superior? Ou…

Perceber-se diferente e não necessariamente saber o porquê ou como explicar a outrém, ou pior ainda: tentar convencê-los da verdade enquanto eles esnobam o que consideram ser apenas um desesperado e desprezível pedido de atenção. Pois bem, a superdotação é uma carência; não de holofotes, outdoors e/ou autógrafos, mas sim de estímulo, atividades acolhedoras e oportunidades inclusivas. A marginalização e a falta de compatibilidade com os demais muitas vezes coage o superdotado a se inferiozar por não se considerar um membro do grupo. Quando coroados com o título mitológico de sobredotado de repente se deparam com a pressão pessoal e social de fazerem jus ao cargo temendo serem destronados de volta ao ostracismo. Essa cobrança acentua o perfeccionismo muitas vezes inerente dos mesmos a níveis, por vezes até patológicos, levando-os a metas, prazos e intenções de conquista herculianos. O portador de altas habilidades não possui obrigação nehuma de produzir feitos geniais por mais que para tanto esteja naturalmente encaminhado.
Perceber-se diferente e enfim saber o porquê, entender a razão do tédio, da raiva e da tristeza; a impotência de agir no mundo tão adequadamente quanto se sente necessário. Tanto pode amargurar um alto habilidoso, principalmente em caso de diagnóstico tardio ou ausência do mesmo, preenchê-lo com um rancor tirânico e fazê-lo sentir-se melhor do que o outro e não apenas em referência a talentos, sensibilidades e inteligências, mas sim num espectro global e subjetivo e antissocial.
Ou seja, facilmente um superdotado cai para um desses lados do desfiladeiro psicológico e não raro rebate-se de um ao outro, oscilando comportamentos constantemente, perdendo coesão e dificultando explicar sua situação para quem quer que seja.
Mostra-se necessário a nível familiar, escolar, profissional, acadêmico e político promover iniciativas de educação inclusiva, de conscientização coletiva e aprimoramento social para minimizarmos tamanha marginalização, terrorismo psicológico e possibilitarmos enfim que os alto habilidosos produzam contribuições para si mesmos e para a humanidade como um todo.

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Entrevista: Luiz Sincaruk

Luiz Sincaruk

Luiz Sincaruk


Supereficiente Mental: Ninguém nasce com consciência de sua própria superdotação, contextualize para nós a descoberta da sua.

Luiz Sincaruk: Fui diagnosticado aos 11 anos de idade, se é que essa é a palavra certa, mas desde os 8 percebia que tinha um raciocínio mais rápido.

SM: Quais são suas áreas de alta habilidade?

Luiz: Sensibilidade artística, mecânica de construção, capacidade acadêmica. Não lembro ao certo, faz algum tempo que não vejo o documento da Apahsd.

SM: Participaste de alguma iniciativa de apoio aos alto habilidosos? Em caso positivo fale um pouco mais sobre essa experiência, em caso negativo por que não?!

Luiz: Não. Gostaria, mas é um tanto complicado achá-los. Além disso, não saberia como ajudar, se for o caso.

SM: Fazes uso de algum aconselhamento psicopedagógico? Em caso positivo fale como isso funciona para você.

Luiz: Não. A minha educação não foi diferente da de ninguém.

SM: Conte sobre como surgiu a idéia e oportunidade de concorrer ao 2º Prêmio Experiências Educacionais Inclusivas: A Escola Aprendendo com a Diferença.

Luiz: Pois bem, na verdade foi sugestão da moça que trabalha na educação especial aqui da região, Mirian Fischer para entrar nesse concurso. Teve cara de ser underground o concurso, e na realidade foi, apesar das mordomias e tudo o mais. Enfim, foi uma ótima experiência e uma surpresa, porque nós mesmos tinhamos esquecido do concurso.

SM: Comente um pouco sobre sua dissertação para o concurso.

Luiz: Na verdade, foi um relato na forma de narrativa rsrs. Então, é muito comum vermos que pessoas parecidas tendem a se tornar amigas, mas na classe conde estudei aconteceu algo diferente: pessoas com personalidade muito diferentes se davam super bem. Assim como qualquer outro superdotado, fui considerado diferente em algumas etapas da vida, mas naquela turma, o diferente era comum. Minha superdotação não era mais vista como um motivo de marginalização, ou um motivo de colocar as coisas em um pedestal, mas como parte de minha personalidade, nada mais e nada menos. Esse novo modo de se ver as coisas, foi o melhor de todos. Basicamente esse fora o tema do texto.

SM: Quais são suas perspectivas acadêmicas e profissionais de agora em diante?

Luiz: Estou estudando para passar em um vestibular de medicina. Gostaria de trabalhar como cientista em alguma área biológica.

SM: Algum lema motivacional?

Luiz: Muitas vezes você vai acabar se sentindo sozinho, mas saiba que junto com você, milhares também estão. A vida não é fácil, ser derrubado é uma das coisas mais comuns que vão acontecer, mas cabe a você usar suas forças de maneira correta para se levantar, e mesmo assim acabará caindo, mas antes isso do que ser pisoteado no chão. O importante é procurar estar bem consigo mesmo, pois se você se sentir como um merda, as pessoas de que você não gosta ganham. (Não é de minha autoria)

SM: Algum recado pra galera?

Luiz: Se algum amigo, ou conhecido estiver lendo isso, quero que se lembre do negócio. Para os leitores em geral: Procurem ter empatia com as pessoas, independente da capacidade mental, ou outro requisito do tipo. Valeu.

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Relato Pessoal: Luiz Sincaruk

Luiz Sincaruk

Luiz Sincaruk


Meu nome é Luiz Gustavo Sincaruk Vieira, atualmente tenho 17 anos e moro em Juquiá-SP, cidade na qual sempre vivi e cresci. Aos 6 anos já dei um indício de superdotação quando uma professora do prezinho reparou que prestava atenção além do normal. Aos 8, já percebia que tinha um raciocínio mais a frente das outras crianças, mas foi aos 11 que obtive o laudo da Apahsd e a indicação de uma psicóloga. Desde então, passei a me ver como uma pessoa diferente, mas ainda com um “quê” de arrogância, talvez devido à maturidade de idade.
Meus pais se divorciaram desde que era pequeno, o que de certa forma, afetou um tanto minha personalidade. Parando para pensar hoje, percebi que eu era uma criança mais introvertida, que preferia se divertir sozinha, mas que gostava da companhia dos amigos. Até hoje herdei um pouco disso.
Tinha acessos de raiva quando criança, era encreiqueiro e brigava bastante na escola, a maioria dos motivos era alguém discordando, alguma coisa dando errado ou simplesmente uma piada que não gostasse. Felizmente melhorou com o passar do tempo, mas ainda acontece uma vez ou outra em casa. Houve uma época em que a superdotação fez com que me sentisse melhor que as outras pessoas, julgava pequenas coisas. Meu estilo de vida? O único exemplo correto a ser seguido. Tem opinião diferente, colega? Você está errado.
Na oitava série, acabei finalmente socializando com as pessoas de minha idade, já não tinha aquela mentalidade fechada e foi uma maravilha ao ver que até mesmo a simplicidade tem sua beleza, e a gama de opções é o que não deixa a vida entediada. Melhor ainda, este quesito foi melhorando com o passar dos anos, terminei o ensino médio com uma das turmas mais unidas que se possa imaginar, a qual é formada também por pessoas diferentes.
Entretanto, apesar do laudo, não havia entrado no sistema da escola como “Altas-Habilidades”. Isso até conhecer minha orientadora, que providenciou tudo. Esta mesma me encorajou a entrar em um concurso, que acabei ganhando por fim. Apesar de todas as mordomias e a agradável passagem de avião até Brasília, sempre achei que superestimaram esse prêmio. Motivos? Creio que não seja um bom momento para falá-los.
Uma coisa ruim que sempre senti é que o ensino público é péssimo. Não pela falta de estímulo que dão a alunos de altas-habilidade, mas como um todo. Muitas escolas não ensinam direito certas matérias essenciais como física e química, que são essenciais em um vestibular.Para piorar a situação, desde 2009 usam um caderno do aluno, que serviria como apoio ao livro didático, mas na prática, apenas atrasa os alunos e os professores. Na prática, até mesmo os bons professores não conseguem completar a maldita apostila, que é onde o nosso conteúdo é passado. Apenas compare o conteúdo de um caderno do aluno do estado de São Paulo com qualquer outra apostila, até a da escola particular mais vagabunda, e você encontrará uma diferença titanicamente abismal. Resultado? O aluno de escola pública fica com uma imensa desvantagem, já que terá que aprender aquilo que o de escola particular já sabe. Sempre via o outdoor de uma certa escola particular, exibindo seus alunos como aprovados, morria de raiva. Raiva dos alunos? Não, pois a aprovação é merecida. A raiva era a do governo, da escola pública. Está na cara que a maioria dos alunos de escolas privadas não são superdotados, mas sabe o porquê da maioria de uma faculdade boa virem de lá? Estímulo. Os profissionais além de bom conteúdo, incentivam seus alunos a darem o melhor de si, coisa que falta na escola pública. Esse estímulo faltou para mim, prejudicou? Com certeza. Sorte que sempre tive pais que me incentivavam sempre. E isso com certeza prejudicou muito mais gente com potencial, não apenas superdotados, mas gente que nunca foi estimulada a pensar de uma maneira mais aberta. Poderia dizer outra série de problemas, mas isto renderia um post inteiro.
Enfim, se tenho um sonho, este com certeza é tirar o máximo de pessoas da escuridão possível, fazê-las alcançar níveis que nunca passou por suas cabeças. E mais, incentivar outras pessoas a trabalharem a sua mente, desenvolvendo não só um país, mas uma parte da humanidade ou então o mundo de alguém.
Espero que perdoem as besteiras que disse, essa biografia não foi escrita com muito zelo. Qualquer problema, faço questão de me retratar. Abraço a todos.

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Razão de Ser

Neste primeiro momento de abertura a novas oportunidades exponho um pequeno relato pessoal, o qual creio justificar minha disposição e interesse quanto às temáticas propostas. Dos outros pouco a nada sei, entretanto saibam que a porta está aberta e as janelas destrancadas para quando um de vós se sentir confortável o suficiente em compartilhar seu próprio relato pessoal.

Filipe Russo

Filipe Russo

Eu, Filipe Russo, nasci em 22 de Agosto de 1990 em São Paulo, capital e fui criado em Manaus, Amazonas. Desde minha inserção no ambiente escolar estudei no melhor colégio da cidade (Lato Sensu) e mantive sem esforço a maior nota em todas as matérias até me mudar de volta a minha terra natal aos 16. Em sampa estudei um ano no colégio Stockler onde intuitivamente descobri minha superdotação intelectual, logo em seguida sugerida pela diretora do mesmo e posteriormente confirmada pela APAHSD (Associação Paulista para Altas Habilidades e SuperDotação). Meus talentos se resumem mas não se limitam a: memória eidética; facilidade em dominar conceitos de qualquer área, principalmente matemática e linguagens; criatividade fotográfica, literária, musical e teatral; em geral eu sou muito intuitivo e sensitivo pra tudo.

Meus livros publicados:
http://www.clubedeautores.com.br/authors/52197

Minha fotografia:
http://www.redbubble.com/people/filiperusso

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