Neurodiversos: Síndrome de Savant

Daniel Tammet tem a capacidade de dizer os "primeiros" 22.514 dígitos de PI e aprender línguas rapidamente (fala 11 línguas).

Daniel Tammet tem a capacidade de dizer os “primeiros” 22.514 dígitos de PI e aprender línguas rapidamente (fala 11 línguas).

A síndrome do sábio, síndrome do idiota-prodígio ou savantismo (do francês savant, “sábio”) carateriza-se como um distúrbio psíquico no qual a pessoa possui uma grande habilidade intelectual aliada a um déficit de inteligência. Pessoas com síndrome de savant podem ter variações no neurodesenvolvimento, notavelmente desordens do espectro autista, ou danos cerebrais. Os casos mais dramáticos ocorrem em indivíduos que tiram notas muito baixas em testes de QI e ao mesmo tempo demonstram habilidades excepcionais ou brilhantes em áreas específicas, tais como cálculos rápidos, arte, memória, ou habilidade musical. Apesar do termo síndrome permanecer em vigência a condição em questão não configura uma doença mental ou característica correlata a alguma doença mental descrita em manuais médicos tais como o ICD-10 ou o DSM-5.

Stephen Wiltshire, autista londrino famoso por sua memória fotográfica. Após sobrevoar uma cidade, observa detalhes importantes e específicos, desenhando-a e pintando-a posteriormente, em seus mínimos detalhes.

Stephen Wiltshire, autista londrino famoso por sua memória fotográfica. Após sobrevoar uma cidade, observa detalhes importantes e específicos, desenhando-a e pintando-a posteriormente, em seus mínimos detalhes.

Encontrada em mais ou menos uma em cada 10 pessoas com autismo e em, aproximadamente, uma em cada 2 mil com danos cerebrais ou retardamento mental, a síndrome do sábio é citada na literatura científica desde 1789, por Benjamim Rush, o pai da psiquiatria americana. Em 1887, no entanto, John Langdon Down, mais conhecido por ter identificado a síndrome de Down, cunhou o termo idiota savant , aceito na época em que um idiota era alguém com QI inferior a 25,4 e descreveu 10 pessoas portadoras da síndrome, com as quais manteve contato ao longo de 30 anos – como superintendente do Earlswood Asylum (Londres). O termo idiota savant caiu em desuso após ser considerado inadequado tendo em vista que nem todos os casos reportados enquadravam um idiota, originalmente uma pessoa com uma deficiência intelectual bem severa e o termo autista savant passou a ser utilizado para descrever a condição, este também pode ser considerado inadequado pois apenas metade dos diagnosticados são autistas. Devido à necessidade de acurácia e dignidade frente ao indivíduo, o termo síndrome de savant se tornou a terminologia amplamente empregada.

Leslie Lemke aos 14 anos tocou, com perfeição, o Concerto nº 1 para piano de Tchaikovsky, depois de ouvi-lo pela primeira vez enquanto escutava um filme de televisão. Lemke jamais tinha tido aula de piano, é cego, mentalmente incapacitado e tem paralisia cerebral.

Leslie Lemke aos 14 anos tocou, com perfeição, o Concerto nº 1 para piano de Tchaikovsky, depois de ouvi-lo pela primeira vez enquanto escutava um filme de televisão. Lemke jamais tinha tido aula de piano, é cego, mentalmente incapacitado e tem paralisia cerebral.

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Diagnósticos: Dupla Excepcionalidade

multiplicidade

multiplicidade

O termo dupla excepcionalidade, frequentemente abreviado como 2e, apenas recentemente entrou no léxico de educadores e se refere a indivíduos com duas condições neuro ou físico diversas simultâneas e sobrepostas. O indivíduo divergente, por definição, já apresenta uma série de necessidades especiais pertinentes a sua classe em questão e quando este se enquadra no campo da dupla excepcionalidade o quadro muda de figura, pois uma superdotação pode compensar e mascarar uma deficiência, assim como uma deficiência pode mascarar e descompensar uma superdotação.

Eddie Redmayne, vencedor do Oscar em "A Teoria de Tudo" ao interpretador o físico Stephen-Hawking

Eddie Redmayne, vencedor do Oscar em “A Teoria de Tudo” ao interpretador o físico Stephen-Hawking

Tamanho embaralhamento confunde desde o transeunte aos profissionais especializados, o diagnóstico nestes casos costuma sair de modo simplista e bidimensional; ou seja, tende a ocorrer um de três: se recebe o diagnóstico ora de superdotado, ora de portador de deficiência, quando não de neurotípico! Sendo este último o pior dos casos pois não se toma nenhuma medida corretiva, muito menos se procura acomodações, apenas quem já sofreu a vilania de um diagnóstico falso-negativo ou falso-positivo consegue compreender a extensão do dano causado, mas tal temática já configura assunto para um outro ensaio.

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Entrevista: João Victor

João Victor Costa dos Santos

João Victor Costa dos Santos

Supereficiente Mental: Ninguém nasce com consciência de sua própria superdotação, contextualize para nós a descoberta da sua.

João Victor: A minha suspeita começou na Sétima Série, quando li um artigo de uma revista sobre esse assunto. Tinha uma lista de certas características, das quais eu me identifiquei. Desde aquele momento, comecei a me interessar mais pelo assunto, mas só foi possível começar meu processo de indentificação quando mudei de cidade e fui para uma escola com acesso a uma psicopedagoga, em 2012. Foi assim que descobri e criei consciência da minha superdotação.

SM: Quais são suas áreas de alta habilidade?

João: Incrivelmente, ainda não li meu “relatório final”. Mas ao que tudo indica, a área linguística é onde tenho mais talento. No entanto, faço de tudo para ser bom em outras áreas, pois ter muito conhecimento para depois criar coisas e/ou compartilhar é um sonho que tenho.

SM: Participaste de alguma iniciativa de apoio aos alto habilidosos? Em caso positivo fale um pouco mais sobre essa experiência, em caso negativo por que não?!

João: Conheci iniciativas de apoio na Universidade de Santa Maria – RS, e eu e minha psicopedagoga também tentamos realizar algo na universidade da cidade onde moramos, mas não obtivemos respostas e, como consequência, ficamos frustrados. Mas pretendo criar algo que ajude os superdotados, especialmente àqueles que moram no interior do meu estado (a princípio), pois, como sabemos, geralmente só é possível encontrar algo que nos ajude em metrópoler ou cidades populosas.

SM: Fazes uso de algum aconselhamento psicopedagógico? Em caso positivo fale como isso funciona para você.

João: Como já disse, tenho sim um aconselhamento psicopedagógico (e também se pode dizer amigável) com a prof. Greice Pause, geralmente nas terças-feiras à noite. Mas a cada vez que vou, sempre há algo diferente a ser dito e/ou feito.

SM: Conte um pouco como foi sua experiência no Soletrando.

João: Foi algo inacreditável na primeira vez. Era uma coisa que sonhava desde que ela tinha sido lançada. Lembro quando o Aurélio venceu na primeira edição, e fizeram até uma comparação dele com o famoso Dicionário Aurélio. Desde aquele momento, eu quis participar do Soletrando. E em 2010 e 2011, participei das seletivas estaduais. Na primeira vez, foi algo mais concorrido (cerca de 60 candidatos) e acabei ficando em décimo lugar. Já na segunda, meu orgulho idiota me impediu de ganhar e, por isso, me arrependo muito.

SM: Conte um pouco sobre a depressão de sua mãe e a epilepsia de seu pai, como ambas condições o perturbaram ao passo que, creio eu, fomentaram sua compaixão e seu amadurecimento precoce.

João: Minha mãe esteve em depressão desde que me lembro. A amava muito, mas obviamente não era a mesma coisa. Então tinha meu pai, que tentava suprir o que faltava para nós. Só que essa sobrecarga causou o desencadeamento de uma epilepsia. Desde então, eu fui obrigado a amadurecer, pois meus irmãos ainda precisavam de um apoio psicológico, senão com certeza o desespero seria total. Mas quanto ao meu medo, ao meu desespero, eu não pude recorrer a ninguém. Por isso, acabei ficando mais recluso, sem amizades e com medo das doenças dos meus pais. Os estudos, então, eram o único refúgio que tinha (por isso que eu, inegavelmente, pareço com o estereótipo de superdotados que muitas pessoas tem). Mas aos 10 anos encontrei uma congregação, uma segunda família que me ajudou de tantas formas que mal posso quantificá-las. E só assim que eu pude lidar melhor com minha “situação de nascença” e só assim pude finalmente dormir em paz.

SM: Compartilhe conosco sobre a importância de se sentir abraçado pela comunidade local ou virtual, seja uma congregação cristã evangélica, um grupo de superdotados no whatsapp ou mesmo um blog com temática afim.

João: A importância não tem medidas. É grandiosa e valiosa demais para explicá-la. Mas posso dizer que não viveria (literalmente) sem uma congregação. O que Deus oferece é muito mais do que poderia ter sem ele. E se não tivesse me tornado cristão, com certeza eu teria me suicidado em 2013, época na qual minha mãe faleceu e meu pai enfrentava problemas judiciais seríssimos.
Quanto ao grupo do WhatsApp que tinha, foi porque desejava encontrar pessoas como eu. Como sabemos, identificar superdotados é algo meio complicado (apesar que eu acredito que seria mais fácil se os próprios superdotados tentassem encontrar outros), por isso criei ele para que, além de superdotados confirmados, poderia se encontrar casos suspeitos e ajudá-los, guiando-os. E claro, o grupo também tem discussões sobre vários temas e descontração.

SM: Quais são suas perspectivas acadêmicas e profissionais de agora em diante?

João: Sempre quis fazer 5 faculdades na vida: Inglês, Astronomia, Física, Geologia e Engenharia Ambiental (este último mudei para Arquitetura e Urbanismo, com futuro interesse em especialização em Meio Ambiente). Pretendo, inicialmente, começar com aquilo que for mais rentável, no caso Arquitetura. Mas não morrerei enquanto não completar essa lista. E em algo mais distante, pretendo me tornar um pesquisador, se possível, de física.

SM: Algum lema motivacional?

João: Há uma passagem na Bíblia que gosto muito, localizado no livro de Provérbios, 3:13-14, que a tomo como lema. Ela diz: “Bem-aventurado o homem que acha sabedoria, e o homem que adquire conhecimento; porque é melhor a sua mercadoria do que artigos de prata, e maior o seu lucro que o ouro mais fino.”

SM: Algum recado pra galera?

João: Encontrem algo no que acreditar, para que sua vida não seja uma mera existência; não percam os seus sonhos de criança pois quando se tornar adulto terá a possibilidade de torná-los reais; tenham verdadeiros amigos (inclusive um que aguente todas as suas excentricidades), que você sabe que só querem o seu bem; e se tiveres uma personalidade antagônica, faça aquilo que tiver maior desejo; no entanto, pense o quanto esse desejo irá custar se realizá-lo.

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Lógica: Empecilho & Alavanca

Cubo Rubik com dados

Cubo Rubik com dados

Lógica (do Grego Antigo: λογική, logike) diz respeito ao uso e estudo filosófico normativo do raciocínio válido. O estudo da lógica ocorre principalmente nos campos da filosofia, matemática e ciência da computação. Costuma-se dividí-la em raciocínio indutivo, raciocínio abdutivo e raciocínio dedutivo. Foca na harmonia de raciocínio, a proporcionalidade formal entre argumentos, assim sendo, a correta e equilibrada relação entre todos os termos, a total concordância entre cada um deles dentro de um desenvolvimento. A Lógica Informal diz respeito ao estudo de argumentos da linguagem natural, a Lógica Formal diz respeito ao estudo da inferência com conteúdo puramente formal, a Lógica Simbólica diz respeito ao estudo das abstrações simbólicas que capturam as características formais da inferência lógica e a Lógica Matemática diz respeito a uma extensão da lógica simbólica a outras áreas, em particular o estudo da teoria dos modelos, teoria da prova, teoria dos conjuntos e teoria da computabilidade.

Spock

Spock

Agora, o que isso afeta a vida de um neurodiverso ou supereficiente mental? Bem, boa parte de nós, inclusive eu aliás, agimos de modo extremamente lógico, nos chamem de robôs sentimentais se necessário, no quotidiano empregamos a lógica tal qual Arquimedes quando disse: “Dê-me uma alavanca e um ponto de apoio, e eu moverei o mundo”. Na real não movemos o mundo, a gravidade o faz, viu? Pensamos assim numa linha de causa e efeito, a ponto de sermos literais demais ou não sabermos quando alguém está sendo irônico, sarcástico ou escrachadamente mentiroso. Quer dizer, farejamos mentiras de longe porque analisamos dado a dado em busca de coesão sem grandes esforços, faz parte da nossa natureza processar a informação de tal modo. Este modus operandi exige mesmo que inconscientemente bastante energia psíquica e física, exaurindo o indivíduo mesmo quando este pratica poucas atividades, lembremos também do desgaste com discussões e situações inadequadas ou inconvenientes a nos segregar em solidão e alienação, não raro sofremos de comorbidades ou condições neuróticas. Se faz necessário empatia e compaixão para com as idiossincrasias próprias e alheias, seja você neurotípico ou neurodiverso.

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SuperInteligências: Metacognição

Metacognição

Metacognição

Metacognição diz respeito à habilidade ou ato de pensar sobre pensar, fenômeno aliás não raro em superdotados. Pode-se dividir a mesma em dois componentes principais: conhecimento sobre cognição e regulação de cognição. Andreas Demetriou, em sua teoria, usou o termo hipercognição para se referir a processos de auto-monitoração, auto-representação e auto-regulação, os quais são considerados como componentes integrais da mente humana. Pode-se dividir o conhecimento metacognitivo em conhecimento pessoal (declarativo), conhecimento prático (procedural) e conhecimento estratégico (condicional).

Neuroplasticidade

Neuroplasticidade

O superdotado ou portador de altas habilidades costuma apresentar uma expressiva metacognição, intuitivamente elabora cadeias de pensamentos a fim de por sua inteligência em prática seja brincando com um imaginário próprio, seja colaborativamente na produção de um trabalho em grupo. A simples capacidade de monitorar as próprias idéias permite eventualmente a manipulação das mesmas nos sentidos de nossos interesses e conhecendo então a dinâmica cognitiva pode-se preparar, realizar e analisar experimentos psíquicos os mais vários, assim se consegue resolver problemas mais difíceis e de modo mais eficiente, ou até mesmo produzir obras artísticas de caráter marcante e relevante ao seu respectivo contexto social e histórico.

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Relato Pessoal: Luisa Unie

Luisa Unie

Luisa Unie


Meu nome é Luisa Unie e eu tenho 22 anos. Sou da cidade de Salvador, Bahia.

Sou uma pessoa normal, mas não muito comum. Sempre me senti muito diferente da maioria das pessoas (nem melhor, nem pior…mas, de fato, muito diferente) e isso me incomodava bastante.

Timidez

Timidez


Na infância eu era uma menina tímida, não me expressava muito em público (na verdade, temia/fugia das apresentações na escola, e tirava algumas notas baixas por isso, embora fosse boa aluna).

Mas, por algum motivo que eu não conseguia compreender, tinha uma relação excelente com os professores, coordenadores, diretores, pais dos meus amigos e outros adultos em geral.

E, inclusive, a maioria dos meus amigos eram adultos ou bem mais velhos do que eu. Só que eu adorava também estar próxima de pessoas mais novas, de poder ajudá-las, inspirá-las, etc.

Em 2005, aos 13 anos de idade, eu fiz uma monografia e fiz outra aos 15 anos. Tinham cerca de 40 páginas apenas e os professores não eram tão exigentes como os de faculdade seriam, mas a minha primeira monografia tinha muito significado para mim; o tema foi “O Papel da Educação na Sociedade Contemporânea”, e tirei 9,7 :). Já a segunda nem me recordo qual foi o tema, nem mesmo a nota.

Primeira monografia aos 13

Primeira monografia aos 13


Sou fascinada por aprender. Sou fascinada pela prática. Sou fascinada por adquirir novas habilidades. Por isso, quando algum assunto me interessa, acabo virando noites para entender o máximo possível sobre ele.

Só vou dormir quando realmente não tenho mais condições de absorver o conteúdo; sei que isso não é muito bom, porque o cérebro acaba não fixando tão bem, mas sinto realmente uma ansiedade muito grande em conhecer o máximo possível sobre o que me interessa.

Não me recordo muito da minha infância, mas me lembro de ter participado, aos 15 anos, do Núcleo de Estudos Avançados da Consciência, que acontecia em uma faculdade daqui de Salvador.

Ela ficava no mesmo prédio da minha escola e como eu gostava muito de conversar com adultos e ouvir sobre consciência, ficava o turno da noite lá no prédio para participar desse núcleo de estudos. Cheguei a fazer uma palestra nele também, sobre Jean Piaget.

Metódica

Metódica


Sou bastante metódica; acredito que isso facilita o meu processo de aprendizado, mas exige muito esforço às vezes, principalmente quando eu quero sistematizar o meu conhecimento, para passar aos outros.

Prestei 5 vestibulares e consegui passar em todos, entrei em 3 cursos efetivamente e saí de todos (cada um em um ano específico), rs.

Não me adaptei à educação formal. Sinto que consigo aprender muito mais estudando de forma autodidata e é exatamente o que tenho feito atualmente. A sociedade não compreende muito bem quem toma essa decisão.

No começo sofri bastante por conta dessa pressão toda, mas hoje já consigo ter maturidade suficiente para entender que cada um deve escolher o seu próprio caminho e segui-lo com convicção.

Sou bastante crítica comigo e, atualmente, tenho autocriticado esse meu excesso de autocrítica; por isso, acho que estou um pouco melhor nesse quesito, rs.

Professora & Coach

Professora & Coach


Iniciei minha carreira no empreendedorismo aos 18 anos, fui contratada como professora da Educação Infantil aos 19 e me formei como coach aos 20.

Amo estar ao lado das pessoas, mas também consigo ficar sozinha durante um bom tempo e bem comigo mesma. Acredito que tudo nos leva ao aprendizado e que o otimismo equânime é extremamente salutar.

Amo cantar, desenhar, atuar, dançar, escrever, fazer esportes, etc. e quando realmente me dedico a alguma dessas atividades costumo me destacar, porque busco fazer o meu melhor, sempre.

Movimento Jovens Prodígios

Movimento Jovens Prodígios


Eu e meu irmão, Victor Kostta, criamos um projeto (Movimento Jovens Prodígios) para poder ajudar outros jovens autodidatas e/ou superdotados.

Não fomos identificados como superdotados (até mesmo porque não fomos nos consultar com os profissionais da área), mas as várias pesquisas e estudos que fizemos acerca desse tema nos impressionaram bastante, porque quase sempre nos deparávamos com conteúdos que praticamente nos descreviam.

Se de fato somos superdotados, eu não sei. Mas o que importa para gente é saber que não somos tão diferentes assim, que outras pessoas também já passaram/passam por situações semelhantes às quais passamos e que, independentemente de qualquer coisa, podemos fazer a nossa parte para tentar ajudar nessa causa (em busca de mais respeito para com os portadores de Altas Habilidades).

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Neurodiversos: Síndrome de Asperger

Transtornos Invasivos do Desenvolvimento

Transtornos Invasivos do Desenvolvimento

Síndrome de Asperger (SA), também intitulada Transtorno de Asperger ou simplesmente Asperger é uma condição psicológica do espectro autista caracterizada por dificuldades significativas na interação social e comunicação não-verbal, assim como padrões de comportamento repetitivos (ou estereotipados) e interesses restritos (ou obsessivos). Das quatro formas de Transtorno do Espectro Autista, o autismo é a mais parecida com a Síndrome de Asperger em sinais e prováveis causas, mas seu diagnóstico requer comunicação prejudicada e permite atrasos no desenvolvimento cognitivo; a Síndrome de Rett e o Transtorno desintegrativo da infância compartilham vários sinais com o autismo, mas podem ter causas não relacionadas; e o Transtorno global do desenvolvimento sem outra especificação é diagnosticado quando os critérios para distúrbios mais específicos são insatisfatórios.

A psicologia dedica-se a auxiliar o indivíduo a reduzir seu próprio sofrimento psíquico de caráter majoritariamente neurótico, já o médico psiquiatra em reduzir o sofrimento do paciente a nível psíquico, cognitivo e bioquímico. Entretanto há muitas controvérsias intra e interdisciplinares, promovendo muita confusão e vários diagnósticos ora falso-positivos, ora falso-negativos; portanto deve-se tomar muito cuidado para que um neurodiverso ou superdotado não seja ‘castrado’ ao invés de empoderado. Antes do antidepressivo, experimente uma reeducação postural, alimentar e principalmente de hábitos, abandonando os mais insalubres e adotando outros mais saudáveis, faça exercício regular, encontre a sua tribo social, dedique-se a uma paixão pessoal; não diminuiu o comichão? A vida continua inadministrável? Procure então ajuda profissional e não, não há problema algum nisso; vamos juntos desconstruir qualquer estigma atribuído à neurodiversidade ou aos portadores seja de Asperger, seja de qualquer condição divergente.

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Acomodações: Uma Introdução Pessoal

Evolução e Diversidade Genéticas da Vida na Terra ao longo das Eras

Evolução e Diversidade Genéticas da Vida na Terra ao longo das Eras

Era uma vez um garoto que falava sozinho, andava olhando pro céu ou pra terra, raramente pra frente porque seu olhar distante enervava os transeuntes e por acaso ou fatalidade do destino eu era esse garoto. A variabilidade genética produz espécies diferentes e em cada espécie há espécimes distintos tanto pela natureza quanto pela nutrição, já o ser humano ainda apresenta uma dimensão extra: a narrativa pessoal, cada um de nós conta pra si e para o mundo, quando não a origem ou elaboração fluida do eu, ao menos seu produto mais imediato.

Superdotados no Brasil

Superdotados no Brasil

Sempre fui aluno nota 10, no pré-escolar eu colecionava estrelas douradas nas lições como se minha vida dependesse disso bem a moda ginásio nipônico. Já no fundamental dois saí em primeiro lugar do Amazonas na olimpíada de matemática competindo com alunos até do terceiro ano do ensino médio enquanto eu ainda estava na quinta série. Durante anos estudei no melhor colégio da região: Lato Sensu, tirando as melhores notas da sala em todas as matérias. Devido ao bullying, perseguição contínua, ameaças e práticas de violência verbal e física mudei de instituição, nos dois anos seguintes eu acabaria estudando em mais 4 colégios.

Eu, Filipe Russo, com 16 anos em 2007

Eu, Filipe Russo, com 16 anos em 2007

Eu faltava muito às aulas e não apresentava motivação pra me dedicar aos exercícios escolares, o ritmo, a redundância e a superficialidade dos temas me entediavam profundamente enquanto eu precisava produzir conteúdo intelectual constantemente porque sempre senti essa vontade de fazer algo significativo perante meus próprios termos. No penúltimo colégio que estudei, o Stockler, agora já em São Paulo capital foi-me oferecido duas acomodações: aceleração de estudos e presença facultativa, ou seja, eu não precisava frequentar as aulas. Quanto à aceleração de estudos eles me deixaram ao vento do relento não me passando sequer datas ou conteúdos cobrados, acompanhamento então nem se fale; já a presença facultativa me ajudou a terminar o ano escolar, pois caso contrário eu acabaria reprovando por falta ou surtando de tédio.

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Exames: Positivo

Avaliações

Avaliações

Ser diagnosticado como superdotado o faz superdotado? Não. Ser diagnosticado como não superdotado o faz não superdotado? Não. Entretanto deve-se respeitar o valor das avaliações, procure sempre uma segunda opinião e saiba que nada pode legitimá-lo ou deslegitimá-lo, muito menos uma opinião profissional ou um atestado disso ou daquilo. Os instrumentos e seus utilizadores todos apresentam falhas e um grau maior ou menor de acurácia quanto a um ou outro critério discriminante arbitrário, mas para todos os efeitos não nos deteremos neste momento à validez ou invalidez e à assertividade ou inassertividade dos métodos avaliativos vigentes. Mas então por que buscar um diagnóstico? E o que fazer em caso de positividade?

Forte Fator Genético

Forte Fator Genético

Primeiro, alguns e digo a maioria, necessitam de comprovação experimental externa em termos mais ou menos rígidos para dar estruturação e conforto emocional às suas premissas pessoais. Agora, digamos que recebemos um sim, sim você pertence a uma minoria discriminada pela neurodiversidade e cheia de Comorbidades, SuperPoderes, entre outras especificidades intrínsecas à classe cognitiva em questão. Você pulou o muro, atravessou a ponte, chegou do outro lado do túnel e encontrou ninguém, apenas uma planície ampla e lá longe já devorada pelo horizonte vazio e esvaziado. Bem-vindo a nossa solidão, talvez se você peregrinar o suficiente nos esbarremos por aí num relato pessoal, ensaio ou cinema com pipoca.

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Descaso: Ensino Superior

Exige-se Novos Rumos

Exige-se Novos Rumos

A solução de praxe para a problemática educacional do superdotado infanto-juvenil costumava resumir-se à aceleração de estudos, a qual sincronizava o nível intelectual do estudante com o conteúdo lecionado ao passo que aumenta a assincronia do mesmo para com seus colegas de classe. Tal acomodação não significa necessariamente a melhor opção em todos os casos e há de se criar alternativas de engajamento e compreensão do indivíduo nestes ambientes educacionais, o superdotado adulto por exemplo não almeja por definição a mesma aceleração de estudo porém a nível de ensino superior, apesar do dever de se apresentar a mesma oportunidade tanto a este quanto a sua versão mirim.

Abismos e mais abismos

Abismos e mais abismos

Pouco a nada se fala em um leque de acomodações a se disponibilizar para os superdotados e neurodiversos, se crê que apenas cumprir as exigências legais pragmáticas quando estas são exigidas basta como educação inclusiva, integração social e desenvolvimento pessoal e intelectual, mas não. Não sejamos ingênuos, muito menos compactuemos com o mínimo do mínimo a que se referem as leis; falta tato e bom senso, competência e senso crítico para trabalhar de modo colaborativo e comunitário visando suprir as necessidades individuais e neurodiversas apresentadas, ou melhor, escamoteadas pela padronização, normalização e normatização da sociedade. Tendo em vista tamanho descaso elaborarei uma série intitulada Acomodações para melhor tratar das opções disponíveis assim como propor novas interações.

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