Alternativa: EAD

EAD (Educação à Distância)

EAD (Educação à Distância)

Entende-se por EAD (Educação à Distância) uma modalidade educacional mediada por tecnologias em que discentes e docentes estão separados espacial e/ou temporalmente, ou seja, não estão ambos simultaneamente em um ambiente presencial de ensino-aprendizagem. Um dos primeiros casos de que se tem notícia remete a 1833 na Suécia com um curso de contabilidade, em 1856 surgiu um instituto com ensino de línguas à distância na Alemanha. Já no Brasil em 1992, foi criada a Universidade Aberta de Brasília (Lei 403/92), podendo atingir três campos distintos: a ampliação do conhecimento cultural com a organização de cursos específicos de acesso a todos, a educação continuada, reciclagem profissional às diversas categorias de trabalhadores e àqueles que já passaram pela universidade; e o ensino superior, englobando tanto a graduação como a pós-graduação.

A Era da Informação Chegou

A Era da Informação Chegou

Com o advento do computador pessoal e da internet ficou cada vez mais fácil para o superdotado ter acesso ao conhecimento de seu interesse, não ficando portanto dependente do orçamento doméstico nem da diversidade bibliográfica disponível nas bibliotecas locais. Agora, o neurodiverso possui uma alternativa ao dia-a-dia universitário, podendo optar por ficar em casa e aplicar sozinho seu comprometimento à tarefa, assim muitos encontram solução para as dificuldades adaptativas seja relativas ao convívio social ou a burocracia metodológica da didática apresentada em aula. Contornar estruturas de poder e comorbidades já consome bastante energia, muitas vezes mais do que pensávamos que tínhamos à disposição, não está na hora de considerarmos a Educação à Distância?

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Relato Pessoal: Luiz Filipi Sousa Moura

Luiz Filipi Sousa Moura

Luiz Filipi Sousa Moura

Desde que nasci dei a impressão de ser inteligente. Minha mãe diz que nasci com os olhos abertos, curioso sobre tudo. Ainda antes de saber andar, amava observar quadros; observava tudo e adorava música, e sempre fui assim. Sempre estive à frente do meu tempo. Aprendi a andar, falar, ler e escrever cedo; quase tudo que já fiz levei menos tempo para aprender do que uma pessoa normal levaria.

Aos 5 anos meus professores tentaram me avançar na escola, pois perceberam que eu tinha capacidade acima dos alunos mais velhos. Mas não consegui me adaptar à nova turma e optei por voltar à minha sala antiga com meus amigos antigos. Aos 8 anos fui constrangido por meus professores e pela própria diretora do colégio por ter apresentado um trabalho sobre um tema avançado que eles imaginaram ter sido feito como um insulto a eles. Aos 9, pegava escondido os livros que meu pai tinha da época em que ele fez faculdade e comentava sobre eles com meu professor do colégio após as aulas.

Sou uma pessoa muito reflexiva e sempre gostei de filosofia. Desde meus primeiros contatos com os números, filosofava sobre a matemática. Gostava de contar, repetidamente, números em potências de 2(2n) e pensar sobre os padrões, sobre o que são números, sobre como seria se usasse um sistema diferente do decimal, et cetera. Os problemas mais profundos fazem parte de mim, pensar sobre a origem do universo, sobre beleza, sobre o que é verdade, sobre a existência da matemática, enfim, é condição sine qua non para qualquer verbo executado por mim.

No âmbito social, não sou normal, mas também não muito esquisito. Sou uma pessoa que sabe falar bem, mas que prefere não falar. Tenho meus poucos amigos, todos reconhecem que sou inteligente, e consigo me relacionar bem com eles, porém não de forma ideal, nenhum deles é superdotado. Adoro praticar esportes, pratiquei durante minha vida toda, inclusive, por conta disso, ganhei bolsa de estudo no ensino médio.

Na faculdade, tive problemas para me adaptar. Tentei 3 cursos diferentes até a presente data. No terceiro curso sofri uma enorme tormenta, sentia muita dor de cabeça. Durante esse período, fui a bastantes médicos e psicólogos, e realizava diversos testes psicométricos para autoavaliação. Atingindo sempre níveis cognitivos altos e atingindo o topo em muitos testes, mesmo estando numa fase de grande dificuldade intelectual.

Nasci no dia 8 de maio de 1993. Na data que escrevo este texto, tenho 22 anos e moro em Balneário Camboriú, SC. É possível e provável que eu tenha me esquecido ou pulado algo sobre minha história, assim como é possível e provável que eu queira mudar algo nesse texto no futuro. Por isso a importância da datação. Meu nome é Luiz Filipe de Sousa Moura e eu escrevo esse texto no dia 30 de janeiro de 2016.

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Teses: Uma investigação sobre pessoas com altas habilidades/superdotação: dialogando com Marion Milner

puc-sp

Denise Rocha Belfort Arantes defendeu sua tese ‘Uma investigação sobre pessoas com altas habilidades/superdotação: dialogando com Marion Milner’ para a titulação Mestre em Psicologia Clínica pela PUC-SP em 17/10/2011 sob a orientação de Gilberto Safra. Da dissertação pude apreciar com mais sabor o caráter jornalístico e investigativo das entrevistas (disponíveis no Anexo C do PDF ao fim deste post), pois o mesmo dialoga diretamente com a proposta do SuperEficiente Mental no que tange relatos pessoais. Outras teses sobre superdotação podem ser baixadas no diretório online da PUC. Segue abaixo dois trechos pertinentes que chamaram a minha atenção no trabalho de Denise Belfort:

‘Marcos e Rafael não participaram de qualquer programa específico na infância, mas ambos ingressaram, quando adultos, em um grupo que congrega pessoas com altas habilidades/superdotação, por meio de testes de QI. Rafael relata que entrou no grupo, pois “achei que alguma coisa produtiva iria acontecer, mas depois percebi que não tinha nada de produtivo, que era simplesmente você ter uma carteirinha, tinha jantares, era uma chatice (…) não só isso como eu percebi que essa inteligência, esse tipo de inteligência não tem nada a ver com inteligência global, por exemplo, você vê gente extremamente neurastênica, extremamente neurótica, pessoas complicadíssimas afetivamente. No grupo que freqüentava, percebi que tinha uma hipertrofia de um lado da pessoa e o resto um horror completo”.’

(…)

‘Segundo Marcos, sua grande diferenciação intelectual não o ajudou tanto na vida “tornou as coisas muito fáceis, acontece que muito fáceis na escola, mas não necessariamente na vida, entende? Então, muitas vezes, eu me surpreendi esperando que o mundo viesse a mim com aplausos e na realidade eu fui ignorado. Então, esse tipo de atitude, acho que é muito comum, eu notei em muitos colegas meus do grupo a que pertenço”.’

PDF – Uma investigação sobre pessoas com altas habilidades/superdotação: dialogando com Marion Milner

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Os números de 2015

Os duendes de estatísticas do WordPress.com prepararam um relatório para o ano de 2015 deste blog.

Aqui está um resumo:

Um comboio do metrô de Nova Iorque transporta 1.200 pessoas. Este blog foi visitado cerca de 6.300 vezes em 2015. Se fosse um comboio, eram precisas 5 viagens para que toda gente o visitasse.

Clique aqui para ver o relatório completo

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Controvérsias: Xenofobia Neurocognitiva

neurodiversidade

neurodiversidade


A xenofobia neurocognitiva se manifesta quando há ou se supõe uma neurodiversidade entre dados indivíduos, seu usuário a utiliza para sobrepujar o outro. Numa visão vertical e verticalizante se ridiculariza o dito inferior humilhando-o com esnobismo, já quando frente ao dito superior tenta-se reduzí-lo socialmente com acusações de arrogância e pedantismo. Ou seja, um indivíduo infeliz consigo mesmo, ou pior, infeliz com a não infelicidade do outro se propõe a arruiná-lo ativamente com perseguição ou passivamente com agressividade gratuita.

perseguição continuada

perseguição continuada


Numa visão horizontal e horizontalizante ainda há manifestações não tão claras, mas já observáveis de xenofobia neurocognitiva. Neste caso o praticante acusa a vítima de autoritarismo, paternalidade e até mesmo de opressor expondo um suposto plano de ascensão hierárquica e autocrática. Desnecessário frisar o caráter invejoso e imaturo de um xenofóbico neurocognitivo, o mesmo por não possuir instrumental para lidar com suas questões ou desinteressado de utilizá-lo dá vazão a sua energia mal elaborada na forma de violência contra o outro, não raro um superdotado.

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Descaso: Solidão Subestimada

Solitude por Uzume

Solitude por Uzume


Subestima-se a solidão em demasia desconsiderando o dano à qualidade de vida capaz inclusive de levar um indivíduo à evasão escolar, a comorbidades e em último caso até mesmo suicídio. A solidão nem sempre se apresenta como escolha e mesmo quando escolhida pode caracterizar um evitamento mórbido, um mínimo de interação social se faz necessário à boa manutenção mental. A solidão indesejada ou compulsória afeta o humor e o padrão de pensamentos do envolvido tensionando-o para uma estagnação de seus recursos intelectuais e emocionais, com o instrumental cada vez mais reduzido o indivíduo não encontra forças para remediar a situação progressivamente degenerativa, até mesmo porque se o tivesse o teria utilizado em momento hábil a fim de evitar o quadro clínico.

Só somente Só

Só somente Só


Agora, o que aliena um superdotado saudável até uma solidão patológica ou no mínimo entristecedora? Bullying, stalking, descasos, resistência social em aceitar a sua condição, incapacidade aprendida, abuso, latifúndios emocionais, alienação parental, divórcio, xenofobia, violência verbal ou física, cyberbullying e no caso das meninas ainda há crimes de gênero com caráter misógino: catcalling, slutshaming e revenge porn. Portanto quando se assume a seriedade da questão não há como não por o tema em pauta e partir para propostas de solução: em primeira instância deve-se informar as partes envolvidas e/ou interessadas, formalizar as denúncias com as autoridades locais e regionais quando for o caso, buscar grupos de apoio não necessariamente de vitimados, utilizar hobbies como terreno frutífero às amizades, sair mais de casa, praticar um esporte, se engajar com a comunidade do bairro ou da sua cidade, participar de eventos culturais, praticar boas ações e presentear quem você ama ou aprecia.

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Controvérsias: Viés, Tendência & Parcialidade

“O propósito da mídia não é o de informar o que acontece, mas sim de moldar a opinião pública de acordo com a vontade do poder corporativo dominante.” – já dizia Noam Chomsky.

A impenetrabilidade das crenças frente aos fatos

A impenetrabilidade das crenças frente aos fatos

Impossível não ver o mundo pela ótica da sociedade na qual se foi educado, característica cultural desconstruível, mas não escamoteável. Apesar de normal e natural não se deve assumir assim simplesmente a corretude e veracidade dessa lente social, a mesma ser usada pela maioria de nada isenta as parcelas de culpa individual ao se perpetuar pela repetição estruturas excludentes. Todo agir no mundo tende a alguma forma preconcebida de pensar, abrir uma porta, por exemplo, significa repetir o comportamento social observado. Ou seja, entende-se desde cedo as mecânicas de poder pela obtenção do efeito desejado sobre dada situação ao se repetir o comportamento normatizado.

O unicórnio da Imparcialidade

O unicórnio da Imparcialidade

Entretanto há muitas portas no mundo, cada uma com seu próprio código de abertura e nenhuma delas se produziu sem imbuir em sua forma um pensar humano, portanto ao construirmos objetos físicos ou dialógicos estamos transmitindo, perpetuando modos de pensar próprios do indivíduo e de sua carga cultural agregada. Assim como este indivíduo não existe num vácuo pessoal e desconectado do cosmos, seus objetos também clamam por um sujeito suficientemente similar a seu criador para interpretá-los com um viés compatível. Por viés entenderemos uma tendência involuntária a assumir uma explicação preconcebida sobre dado fenômeno antes mesmo ou apesar de se averiguar as causas.

Individualismo? Ou latifúndio emocional?

Individualismo? Ou latifúndio emocional?

Voltemos-nos por fim à parcialidade, como explicado acima todo agir e portanto pensar vem parcialmente enviesado por alguma tendência, por mais bem intencionada que for uma neutralidade almejada, a mesma apresenta caráter utópico e pouco pragmático, nas mecânicas de poder há sempre repetidores de sinal, emissores de tendências ou formadores de opinião (quando não agentes abertamente apologéticos), com isto em vista qualquer juízo possui valor político e não esqueçamos que se abster, omitir ou fazer vista grossa fortalece a dinâmica vigente, caso seja uma relação de estrutura opressora e corpo oprimido tal silêncio apenas perpetua a injustiça institucional, comunal e normalizada. Podemos entretanto exercer maior autonomia na elaboração e emissão de nossos juízos uma vez que analisemos seu processo constitutivo e as implicações dos mesmos em dado meio social.

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Descaso: Evasão Escolar

Como oferecer uma educação mais interessante ao estudante?

Como oferecer uma educação mais interessante ao estudante?

O descaso institucional origina, mantem e amplia a evasão escolar de neurodiversos, inclusive a de superdotados. As acomodações raro se fazem presentes e quando o fazem nem sempre vigoram em sua plenitude, falta um real empenho em se empregar medidas corretivas ao descaso em questão. Tal problema apresenta uma raíz pedagógica e psicopedagógica, pois os métodos vigentes e temas selecionados não contemplam os interesses nem o modus operandi individual do estudante, tamanho desalinhamento estigmatiza as próprias instituições educacionais assim como ostraciza o acesso e a produção de conhecimento.

O tema precisa entrar em pauta para todos os envolvidos

O tema precisa entrar em pauta para todos os envolvidos

A unidirecionalidade da informação emerge de e fortalece as estruturas de poder verticais e verticalizantes, com base na figura autoritária do professor posteriormente substituída pela do empresário já na vida adulta. Subestima-se portanto o potencial intelectual, a autonomia e a contribuição estudantil no processo de elaboração e transmissão do conteúdo lecionado, ou seja, no intercâmbio cultural propriamente dito. Parte dessa autossabotagem e castração sociais se dá pela infantilização compulsória junto à idealização antisséptica da ingenuidade e inocência infanto-juvenis, amostras explícitas de superproteção estrutural e institucional de caráter inclusive político a proporcionar incapazes por aprendizado, cidadãos sujeitos ao arbítrio governamental e empresarial com o senso crítico atrofiado e prontos para a linha de produção, digo e repito algo que já se tornou bordão aqui pelos ensaios do Supereficiente: o sistema quer pessoas inteligentes o suficiente para operar o maquinário repressor, mas não inteligentes demais a ponto de questionarem as mecânicas de poder.

Causas da Evasão Escolar

Causas da Evasão Escolar

Agora já num âmbito mais didático, a neuropsicologia do aprendizado muito tem a agregar nas metodologias pedagógicas. No meu ponto de vista leigo arrisco esboçar um norte para a crise da academia: falta dinamismo na veiculação e trato do conteúdo (questão tecnológica ligada à multimídia), liberdade de experimentar e especular quanto ao assunto proposto (sem represálias, apenas bom senso e senso crítico), o professor deve ministrar a aula sendo um guia que fomenta a curiosidade e o questionamento, balanceando e intermediando o debate a fim de não se perder o fio da meada, planificação pela humildade, ensino propulsionado pelo projeto focado ao curriculum ou corpo teórico, maior ludicidade na transmissão e elaboração de conteúdo, maior flexibilidade de carga horária e de prerrequisitos para o acesso a dada matéria, formação de créditos pelo desemparelhamento das matérias na grade curricular, entre outros (faça sua sugestão nos comentários).

Leitura complementar:
Are 20% of high school drop-outs gifted? (estatística na matéria e as pessoas por trás dos números nos comentários)
http://giftedexchange.blogspot.com.br/2008/09/are-20-of-high-school-drop-outs-gifted.html

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Descaso: Latifúndios Emocionais

Eu costumava me importar, mas agora eu tomo uma pílula pra isso

Eu costumava me importar, mas agora eu tomo uma pílula pra isso


Vivemos uma vida cada dia mais virtualizada em formigueiros tanto off quanto online, cada noite mais corrida com afazeres cumulativos e progressivamente esmagadores, a dita carreira seja acadêmica, seja profissional devora o nosso tempo e os instantes restantes roemos na esperança de algum apaziguamento pra toda essa ansiedade pós-moderna. Onde fica a valorização e o respeito à singularidade própria e alheia? Já viramos estatística, mais uma cela de excel. Quando poderemos nos dedicar ao desenvolvimento pessoal e à qualidade de vida? Ao fim dessa corrida desenfreada jaz a morte, esbarramos pelo percurso com diversas miragens a nos iludir com o dito sucesso social. Mas há algo muito mais fundamental para o bom convívio e o bem estar, se chama educação empática, a mesma não vigora em sua plenitude e em sua ausência se alastra a hostilização do outro e o autoritarismo.

Psicopatia

Psicopatia


Como solucionar então os trancos e barrancos? Comecemos pois com os gestos de civilidade: obrigado, com licença, por favor e o mais importante de todos: me desculpe. Quatro microfrases de importância salutar inestimável, pois todas servem de conexão emocional entre cidadãos e promovem a maior fluidez entre os mesmos reduzindo portanto o estresse e demais atritos desnecessários, proporcionam assim uma melhor dinâmica de grupo. Para quem estiver se sentido especialmente entusiasmado, solidário e generoso pode partir para os atos de cidadania, ou seja, praticar a bondade não apenas passivamente e sim com uma intenção expressa de melhorar o mundo. Há ainda o ativismo, uma vida dedicada a alguma causa social ou humanitária, tal ápice de dedicação à humanidade cumpre portanto função política seja através de arte, ciência ou comportamento benéfico a si e ao outro. Bem, em suma os latifúndios emocionais retroativamente alimentam a apatia generalizada e sem empatia somos todos psicopatas.

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Superdotação: Independência Conformacional do Raciocínio

Independência Transgressora

Independência Transgressora

O neurodiverso, por definição, apresenta um processo cognitivo distinto do neurotípico, no superdotado tal distinção se dá na independência conformacional do raciocínio. O instrumental com o qual se apreende, se processa e por fim se interpreta a realidade fenomenológica resulta de uma elaboração psíquica dos estímulos conferindo-lhes uma coesão humana com direito à lógica interna consistente ou não, dependendo sempre da tendência individual à (in)coerência. Ao invés de simplesmente aceitar de modo passivo uma herança cultural e seus respectivos instrumentos a mente do sobredotado configura um sistema próprio de medidas, valores e associações, observe que não me refiro propriamente a personalidade ou livre-arbítrio, mas sim a uma rotina orgânica involuntária composta por um processamento agudo-crônico de caráter autodidata e pervasivo, onde se elabora as concepções e acepções, conceituais.

Singularidade Atípica

Singularidade Atípica

A nível prático o que significa então possuir uma independência conformacional do raciocínio? Pois bem, significa dizer que os métodos e as relações vigentes de poder e produção no âmbito institucional (profissão, academia, família, amizade, entre outros) não se traduzem em conformidade e normalidade no neurodivergente, este questiona, contesta e tangencia tais dinâmicas intra e interpessoais, pois não assume a priori a corretude, inerência ou inexorabilidade das práticas políticas que regem a sociedade de sua época. Tanto também se faz presente no cenário intelectual e artístico, nestes o superdotado não permite ser cerceado por tradições, hierarquias e injustiças estruturais, pois sua natureza repele eletrostaticamente qualquer tentativa mais ou menos mesquinha de encurralá-lo num cubículo dito profissional, o caráter castrativo, burrocrático e estupidificante da academídia com sua espetarridicularização o sufoca e não dá vazão a sua potencialidade real promovendo estresse e insucesso pessoais.

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